Há pessoas que são eternas mesmo quando partem, porque deixam em vida, um rasto de eternidade. Se os recantos e as pedras pudessem falar, diriam certamente o que as palavras humanas, por serem imperfeitas e pequenas, não sabem nem podem. Para o amor se manifestar, não basta falar nele.
É necessário construi-lo, como se constrói uma casa: com dedicação e perseverança. É necessária a coragem dos hom
ens que não se deixam vergar sob o peso da mediocridade do mundo, mas que lutam incessantemente por causas que, aos olhos dos insensatos, parecem loucas. Os homens que constroem o amor, são sábios aos olhos de Deus e loucos aos olhos do mundo. Exige tudo de nós, exige a entrega total, sem medo, sem limites, sem condições. O amor não existe pela metade, é uma dádiva total e um arriscar sábio e confiante. Hoje, não poderíamos deixar de recordar um desses construtores do amor. O Cónego Aníbal Folgado foi dos raros seres humanos que amou verdadeiramente e que levou a sério o amor. Teve a coragem de lutar pelo sonho mais bonito que alguém pode ter: o do serviço ao outro. Sonhou o amor e construiu-o. Passo a passo, pedra a pedra, dia a dia. Numa luta constante e desigual contra todo o mal que habita o mundo e num desprendimento total do que era seu, para que todos pudessem ser um pouco mais felizes. Sem medo, com um espírito de sacrifício e uma força de vontade acima do imaginável, ousou a aventura da entrega.