Grupo de Leitores da Paróquia de São Jerónimo De Real

Grupo de Leitores da Paróquia de São Jerónimo De Real A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar nos homens a conversão do coração. Cf. Bento XVI, Verbum Domini, n.º 96.

A PALAVRA NÃO SE CALAChegou ao fim a minha missão como coordenadora do Grupo de Leitores e administradora desta página. ...
27/09/2026

A PALAVRA NÃO SE CALA

Chegou ao fim a minha missão como coordenadora do Grupo de Leitores e administradora desta página. Porém, o zelo pela Palavra de Deus não termina com uma função, porque a Palavra não pertence a nenhum coordenador, grupo ou administrador: pertence a Deus e continua viva, ef**az e fecunda.

Ao longo deste caminho, procurei servir a Palavra com fidelidade, anunciá-la sem a reduzir ao que é cómodo e despertar nos outros o desejo de a conhecer, amar e viver. Um leitor não empresta apenas a voz a um texto: deixa-se primeiro tocar, corrigir e transformar por aquilo que proclama.

Como no caminho de Emaús, desejo que permaneça em cada coração esta pergunta:

«Não ardia o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»
(Lc 24,32)

Agora, cabe a outros continuar a semear. Parto com a consciência de ter procurado cumprir esta missão com dedicação e amor à Palavra. A semente foi lançada; os frutos pertencem a Deus.

Agradeço a todos os que acompanharam esta página. Que nunca nos falte a fome de escutar a Palavra, a coragem de a proclamar e a fidelidade de a pôr em prática.

«Felizes os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática.»
(Lc 11,28)

Esta publicação não é assinada, porque esta página não existe em nome individual: pertence ao Grupo de Leitores e está ao serviço da Palavra de Deus.

📖 LEITURAS DO DOMINGO XXVI DO TEMPO COMUM — ANO AA Palavra deste domingo desmonta uma das ilusões mais perigosas da vida...
21/09/2026

📖 LEITURAS DO DOMINGO XXVI DO TEMPO COMUM — ANO A

A Palavra deste domingo desmonta uma das ilusões mais perigosas da vida cristã: pensar que basta dizer “sim” a Deus. Para Deus, não são as palavras que decidem a fidelidade, mas a vida que lhes corresponde.

Ezequiel começa por recordar que ninguém está definitivamente preso ao seu passado. O justo pode abandonar a justiça e o pecador pode converter-se. Deus não fecha ninguém numa etiqueta. «Quando o pecador se afastar do mal […] salvará a sua vida». Enquanto há possibilidade de conversão, há caminho de regresso. Mas há também responsabilidade: não basta ter sido fiel ontem; é preciso escolher o bem hoje.

Por isso, o salmista não pede a Deus que confirme os seus próprios caminhos. Pede exatamente o contrário: «Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas». A verdadeira fé exige esta humildade: reconhecer que podemos estar enganados, deixar-nos ensinar e permitir que Deus corrija a nossa direção.

São Paulo vai ainda mais longe: «Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus». E apresenta-nos um Cristo que não procura prestígio, poder ou vanglória. Jesus despoja-Se, assume a condição de servo, humilha-Se e obedece até à cruz. Por isso, uma vida cristã marcada pela rivalidade, pela vaidade, pela procura de reconhecimento ou pelos interesses pessoais pode ter aparência religiosa, mas está longe dos sentimentos de Cristo.

É neste contexto que o Evangelho se torna particularmente incómodo.

Um pai pede aos dois filhos que trabalhem na vinha. O primeiro responde: «Não quero.» Mas arrepende-se e vai. O segundo responde muito corretamente: «Eu vou, Senhor.» Mas não vai.

E Jesus faz uma pergunta simples: qual dos dois fez a vontade do pai?

Não pergunta qual falou melhor. Não pergunta qual pareceu mais obediente. Não pergunta qual soube dar a resposta certa. Pergunta quem fez a vontade do pai.

Aqui está o centro da Palavra deste domingo: Deus não Se deixa impressionar pelas aparências religiosas.

É possível dizer «Senhor, Senhor» e depois viver como se Ele não existisse. É possível conhecer o Evangelho, ocupar lugares na Igreja, rezar, falar de fé e até ensinar os outros — e continuar a recusar, através das obras, aquilo que Deus pede.

Por isso Jesus dirige palavras duríssimas aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos. Aqueles que socialmente eram considerados pecadores acolheram o apelo à conversão, enquanto homens profundamente religiosos viram e continuaram sem se arrepender.

O Evangelho deixa, assim, uma pergunta que ninguém pode responder pelo outro:

O nosso “sim” a Deus está escrito apenas nos nossos lábios ou pode ser lido na nossa vida?

Porque o verdadeiro discípulo não é necessariamente aquele que nunca caiu. É aquele que, reconhecendo que errou, se arrepende, levanta-se e vai trabalhar na vinha.

🙏 Que o Senhor nos livre de uma fé feita de palavras sem obras, de cargos sem serviço, de aparência sem conversão e de religiosidade sem humildade. Que nos dê coragem para reconhecer os nossos erros, mudar de caminho e fazer realmente a sua vontade. Porque, diante de Deus, vale mais um “não” transformado pela conversão do que um belo “sim” desmentido pela vida.

📖 LEITURAS DO DOMINGO XXV DO TEMPO COMUM — ANO AA Palavra deste domingo confronta-nos com uma verdade difícil de aceitar...
14/09/2026

📖 LEITURAS DO DOMINGO XXV DO TEMPO COMUM — ANO A

A Palavra deste domingo confronta-nos com uma verdade difícil de aceitar: Deus não pensa como nós. A sua justiça não cabe nas nossas contas, nos nossos méritos nem nas comparações que fazemos uns com os outros.

Isaías começa precisamente por nos recordar: «Os meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos são os meus». Por isso, procurar Deus implica conversão. Não basta pedir que Deus confirme aquilo que já pensamos. Converter-se é permitir que Ele mude os nossos critérios, os nossos julgamentos e até a nossa maneira de entender o que é justo.

O salmo mostra-nos como é esse Deus: «O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade». A sua misericórdia estende-se a todos. Deus não é propriedade dos que chegaram primeiro, dos que se consideram mais dignos ou dos que julgam ter acumulado mais méritos. Ele está perto de todos os que O invocam em verdade.

São Paulo leva esta entrega ainda mais longe: «Para mim, viver é Cristo». É uma afirmação que obriga qualquer cristão a interrogar-se: para mim, viver é realmente Cristo? Ou são o reconhecimento, o prestígio, o conforto, o poder e a aprovação dos outros? Paulo não vive para si próprio. Toda a sua existência encontra sentido em Cristo e no serviço do Evangelho.

É esta lógica que Jesus revela na parábola dos trabalhadores da vinha. Uns começam a trabalhar de manhã; outros chegam ao longo do dia; alguns aparecem quase ao cair da tarde. No fim, todos recebem um denário. E os primeiros revoltam-se.

O proprietário não lhes fez qualquer injustiça. Deu-lhes exatamente aquilo que tinha combinado. O problema começa quando deixam de olhar para aquilo que receberam e começam a comparar-se com os outros.

E então surge uma das perguntas mais incómodas do Evangelho: «Serão maus os teus olhos porque eu sou bom?»

Também nós podemos ter dificuldade em aceitar a bondade de Deus quando ela alcança alguém que julgamos não a merecer. Podemos passar anos na Igreja, servir, trabalhar, rezar e cumprir — e, mesmo assim, deixar crescer dentro de nós a ideia de que isso nos torna mais importantes diante de Deus.

Mas o Reino não funciona por antiguidade, estatuto ou currículo religioso.

Na vinha do Senhor não há lugares VIP. Quem chegou primeiro não é dono da vinha. Quem trabalhou mais não adquiriu Deus como propriedade. E quem chegou tarde não deve ser desprezado. A graça é dom, não salário conquistado.

Isto não signif**a que Deus considere indiferentes as nossas obras. Signif**a algo muito mais profundo: ninguém pode transformar a própria fidelidade num argumento para limitar a misericórdia de Deus para com os outros.

Talvez, por isso, a conversão mais difícil não seja apenas abandonar o pecado. Às vezes é abandonar a nossa própria ideia de Deus para acolher o Deus verdadeiro — aquele cuja bondade ultrapassa as nossas medidas.

«Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos.»

🙏 Que o Senhor nos liberte da inveja espiritual, da comparação e da pretensão de medir a sua misericórdia. Que saibamos trabalhar fielmente na sua vinha sem perguntar quem merece mais, lembrando-nos de que também nós vivemos de uma graça que nunca poderíamos comprar. E que possamos dizer verdadeiramente com São Paulo: «Para mim, viver é Cristo.»

📖 LEITURAS DO DOMINGO XXIV DO TEMPO COMUM — ANO AA Palavra deste domingo leva mais longe aquilo que Jesus ensinava no do...
07/09/2026

📖 LEITURAS DO DOMINGO XXIV DO TEMPO COMUM — ANO A

A Palavra deste domingo leva mais longe aquilo que Jesus ensinava no domingo anterior. Depois da correção fraterna, vem uma pergunta inevitável: e quando o irmão erra outra vez? E quando volta a ferir-nos? Até onde deve ir o perdão?

Ben-Sirá começa por colocar-nos diante de uma contradição muito humana: queremos a misericórdia de Deus para as nossas faltas, mas temos dificuldade em oferecê-la a quem nos ofende. «Perdoa a ofensa do teu próximo e, quando o pedires, as tuas faltas serão perdoadas». Não se trata de fingir que o mal não aconteceu, nem de chamar bem ao que foi injusto. Trata-se de não permitir que a ofensa se transforme em rancor e que o mal recebido passe a governar o nosso coração.

O salmo revela-nos a razão profunda desta exigência: Deus é assim connosco. «O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade». Não nos trata segundo os nossos pecados nem nos castiga segundo as nossas culpas. O cristão só consegue compreender verdadeiramente o perdão quando começa por reconhecer quanto já foi perdoado.

São Paulo acrescenta uma dimensão ainda mais profunda: «Nenhum de nós vive para si mesmo». A vida cristã deixa de ter o próprio eu como centro. Pertencemos ao Senhor. Por isso, também as nossas relações, as nossas feridas, as nossas razões e até aquilo que julgamos ter direito de exigir aos outros precisam de ser colocados diante de Cristo.

É então que Pedro faz a pergunta que talvez todos quiséssemos fazer: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?». Pedro já propõe muito. Mas Jesus destrói a contabilidade: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete».

O perdão cristão não se mede.

E Jesus explica-o através de uma parábola duríssima. Um servo recebe o perdão de uma dívida gigantesca e, logo depois, recusa perdoar uma dívida incomparavelmente menor ao seu companheiro. O problema daquele homem não é apenas a falta de generosidade. É ter recebido misericórdia sem permitir que essa misericórdia lhe transformasse o coração.

Talvez seja esse um dos maiores perigos da vida cristã: receber continuamente de Deus aquilo que recusamos dar aos outros. Pedimos perdão, mas guardamos ressentimento. Pedimos misericórdia, mas somos implacáveis. Aproximamo-nos de Deus carregando listas antigas de pessoas que continuamos a condenar interiormente.

Perdoar, porém, não signif**a negar a verdade, aceitar abusos, dispensar a justiça ou permanecer indefinidamente numa relação destrutiva. O Evangelho do domingo anterior ensinava precisamente a confrontar o mal e a procurar a correção. Este domingo ensina que nem mesmo depois da verdade e da correção o cristão pode entregar o coração ao ódio.

É possível afastar-se e perdoar. É possível exigir justiça e perdoar. É possível não reconstruir uma relação nas mesmas condições e, ainda assim, recusar viver prisioneiro do rancor.

Porque perdoar não é declarar que nada aconteceu. É decidir que aquilo que aconteceu não terá a última palavra sobre nós.

🙏 Que o Senhor nos dê um coração semelhante ao Seu: capaz de reconhecer o mal sem o esconder, de procurar a justiça sem desejar vingança e de recordar, quando nos for difícil perdoar, a imensidão da misericórdia com que nós próprios fomos perdoados.

📖 LEITURAS DO DOMINGO XXIII DO TEMPO COMUM — ANO AA Palavra deste domingo fala de uma forma de amor que nem sempre é fác...
31/08/2026

📖 LEITURAS DO DOMINGO XXIII DO TEMPO COMUM — ANO A

A Palavra deste domingo fala de uma forma de amor que nem sempre é fácil: o amor que não f**a calado quando vê o outro caminhar para o mal.

Ezequiel recebe de Deus uma missão exigente: ser sentinela. Não lhe compete condenar ninguém, mas também não pode assistir em silêncio à queda do irmão. Se vê o perigo, deve avisar. Há, portanto, silêncios que são prudência, mas há outros que são simplesmente omissão. Calar para não incomodar nem sempre é amar.

O salmo toca precisamente no ponto decisivo: «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações». Antes de corrigirmos alguém, também nós precisamos de permanecer com o coração aberto à correção de Deus. O cristão não é fiscal da vida alheia: é alguém que sabe que também precisa continuamente de conversão.

São Paulo dá-nos depois a chave para compreender tudo: «A caridade é o pleno cumprimento da lei». A correção cristã só faz sentido quando nasce do amor. Não se corrige para humilhar, vencer uma discussão, mostrar superioridade ou ajustar contas. Corrige-se porque o outro importa.

E Jesus, no Evangelho, ensina até como fazê-lo: primeiro, falar a sós com o irmão. Não começar pela exposição pública, pela murmuração ou pela criação de grupos contra alguém. Se não resultar, procurar ajuda de uma ou duas pessoas; depois, recorrer à comunidade. Há um caminho de diálogo, verdade e responsabilidade.

É signif**ativo que Jesus diga: «Se te escutar, terás ganhado o teu irmão». O objetivo nunca é ganhar uma discussão. É ganhar o irmão.

Num tempo em que tantas vezes se confundem amor com aprovação, paz com silêncio e comunhão com ausência de confronto, estas leituras são exigentes. O Evangelho não nos manda fechar os olhos ao erro. Ensina-nos a enfrentá-lo sem deixarmos de amar quem erra.

🙏 Que o Senhor nos dê coragem para falar quando o amor exige uma palavra, humildade para escutar quando somos nós a precisar de correção e sabedoria para nunca transformar a verdade numa arma. Porque a verdadeira correção cristã não procura derrotar ninguém: procura que nenhum irmão se perca.

📖 COMO CRIAR UMA ESCALA DE LEITORES COM A AJUDA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIALA inteligência artificial pode ajudar muito na...
24/08/2026

📖 COMO CRIAR UMA ESCALA DE LEITORES COM A AJUDA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A inteligência artificial pode ajudar muito na organização de uma escala de leitores, mas não basta entregar-lhe uma lista de nomes e pedir: «Faz uma escala». É necessário indicar regras claras e, no final, confirmar se foram respeitadas.

Para gerar uma escala equilibrada, devemos fornecer:

✅ O período da escala — por exemplo, oito semanas;
✅ As datas e os dias das celebrações;
✅ Os nomes dos leitores de sábado e de domingo;
✅ Os nomes dos salmistas e a sua sequência;
✅ Os grupos fixos, caso existam;
✅ As três funções: Leitura I, Leitura II e Oração Universal;
✅ A regra de que o salmista não pode acumular outra função na mesma celebração;
✅ A rotação das funções dentro de cada grupo;
✅ A obrigação de todos os leitores lerem o mesmo número de vezes.

Podemos dar à inteligência artificial uma instrução como esta:

📝 MODELO DE PEDIDO

«Cria uma escala de leitores e salmistas para oito semanas, abrangendo as celebrações de sábado e domingo.

Os leitores de sábado são: [indicar os nomes].

Os leitores de domingo são: [indicar os nomes].

Os salmistas seguem esta ordem: [indicar a sequência].

Organiza os leitores em grupos fixos de três pessoas. Em cada celebração devem ser distribuídas as funções de Leitura I, Leitura II e Oração Universal.

Respeita as seguintes regras:

— O salmista não pode fazer nenhuma leitura na mesma celebração;
— Não pode haver sobreposição de funções;
— Todos os leitores devem participar o mesmo número de vezes;
— Dentro de cada grupo, as funções devem rodar: Leitura I → Leitura II → Oração Universal;
— Mantém separados os leitores habituais de sábado e de domingo;
— Substitui [nome] por [novo nome], se necessário;
— Apresenta a escala numa tabela com as colunas: Data, Dia Litúrgico, Leitura I, Salmo, Leitura II e Oração Universal;
— No final, apresenta uma contagem para confirmar quantas vezes participa cada leitor e verif**a se existe alguma sobreposição.»

⚠️ Depois de receber a escala, devemos sempre pedir:

«Confirma se todos os leitores participam o mesmo número de vezes, se ninguém acumula a função de salmista com uma leitura e se a rotação das funções foi respeitada.»

A inteligência artificial facilita os cálculos e a organização, mas precisa de instruções rigorosas. Também pode cometer erros. Por isso, a escala deve ser revista por uma pessoa antes de ser publicada.

Quando bem utilizada, a tecnologia não substitui o cuidado humano: ajuda-nos a organizar melhor o serviço, a distribuir as responsabilidades com justiça e a evitar esquecimentos ou favorecimentos.

A inteligência artificial faz a tabela. A comunidade continua a fazer o mais importante: proclamar a Palavra de Deus com fé, preparação e dignidade.

📖 LEITURAS DO DOMINGO XXII DO TEMPO COMUM — ANO ANeste domingo, a Palavra de Deus mostra-nos que seguir Cristo não é esc...
24/08/2026

📖 LEITURAS DO DOMINGO XXII DO TEMPO COMUM — ANO A

Neste domingo, a Palavra de Deus mostra-nos que seguir Cristo não é escolher o caminho mais cómodo, mas permanecer fiel mesmo quando essa fidelidade custa. Quem deixa verdadeiramente Deus entrar na sua vida já não consegue viver indiferente à sua Palavra.

Na primeira leitura, Jeremias vive o drama de quem anuncia aquilo que Deus lhe pede e, por causa disso, se torna alvo de insultos e zombarias. Cansado, chega a decidir: «Não falarei mais em seu nome». Mas não consegue. A Palavra tornou-se dentro dele «um fogo ardente», impossível de conter. O profeta pode sentir-se incompreendido, rejeitado e até desejar desistir, mas a fidelidade a Deus fala mais alto do que o medo da reação dos homens.

São Paulo apresenta-nos a consequência dessa entrega: «Não vos conformeis com este mundo». O cristão não é chamado a adaptar o Evangelho ao que é mais cómodo, popular ou conveniente, mas a deixar-se transformar por Deus para conseguir discernir «o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito». A verdadeira conversão começa precisamente quando deixamos de perguntar o que agrada aos outros e começamos a perguntar o que agrada a Deus.

No Evangelho, Pedro, que pouco antes tinha reconhecido Jesus como o Messias, não consegue aceitar o caminho da Cruz. Quer Cristo, mas não quer o sofrimento que acompanha a sua missão. Jesus corrige-o com dureza: «Não tens em vista as coisas de Deus, mas as dos homens».

E deixa aos discípulos uma das exigências mais claras do Evangelho: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me».

Seguir Jesus não signif**a procurar sofrimento nem resignar-se perante o mal. Signif**a não abandonar Cristo quando ser fiel ao Evangelho traz incompreensão, rejeição, sacrifício ou perda. Há momentos em que seguir Jesus custa precisamente porque seria muito mais fácil calar, adaptar-se, agradar ou desistir.

🙏 Que estas leituras ajudem cada leitor a proclamar a Palavra com verdade e coragem, mesmo quando ela incomoda primeiro o nosso próprio coração. E que nunca nos falte esse «fogo ardente» que impediu Jeremias de se calar: porque quem encontrou verdadeiramente Cristo pode conhecer o peso da cruz, mas já não consegue imaginar a vida longe d’Ele.

📖 LEITURAS DO DOMINGO XXI DO TEMPO COMUM — ANO ANeste domingo, a liturgia convida-nos a refletir sobre quem é verdadeira...
18/08/2026

📖 LEITURAS DO DOMINGO XXI DO TEMPO COMUM — ANO A

Neste domingo, a liturgia convida-nos a refletir sobre quem é verdadeiramente Jesus e sobre a autoridade confiada por Deus ao serviço do seu povo. A fé cristã não nasce simplesmente da opinião dos homens, mas do reconhecimento de Cristo como «o Messias, o Filho de Deus vivo».

Na primeira leitura, o profeta Isaías apresenta a entrega da chave da casa de David a Eliacim. A chave representa uma autoridade recebida, não conquistada: aquele que a recebe deve exercê-la como serviço e responsabilidade, sendo «um pai para os habitantes de Jerusalém». A autoridade pertence, em última análise, a Deus e só pode ser exercida fielmente segundo a sua vontade.

São Paulo contempla com admiração a grandeza insondável de Deus. Ninguém pode pretender dominar os seus desígnios ou colocar-se acima da sua sabedoria: «D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas». A verdadeira fé conduz, por isso, à humildade e à adoração.

No Evangelho, Jesus dirige aos discípulos uma pergunta decisiva: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro responde: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Perante esta profissão de fé, Jesus confia-lhe uma missão singular: «Tu és Pedro; sobre esta pedra edif**arei a minha Igreja» e entrega-lhe as chaves do Reino dos Céus. A Igreja não nasce de um projeto humano nem se sustenta apenas nas capacidades dos homens: é Cristo quem a edif**a, e promete que «as portas do Inferno não prevalecerão contra ela».

🙏 Que estas leituras ajudem cada leitor a proclamar a Palavra com fé, humildade e sentido de missão. E que a pergunta de Jesus ressoe também no coração de cada um de nós: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Porque não basta saber o que os outros dizem de Cristo: cada cristão é chamado a reconhecê-Lo, professá-Lo e fazer da própria vida uma resposta a essa profissão de fé.

📖 ESCLARECIMENTO SOBRE AS LEITURAS DE 15 E 16 DE AGOSTOPerante a discussão que está a surgir nos comentários, importa es...
13/08/2026

📖 ESCLARECIMENTO SOBRE AS LEITURAS DE 15 E 16 DE AGOSTO

Perante a discussão que está a surgir nos comentários, importa esclarecer esta questão recorrendo às fontes oficiais da Igreja. Em matéria litúrgica, não prevalecem opiniões pessoais, costumes locais ou aquilo que cada um está habituado a fazer.

Em 2026, o dia 15 de agosto é sábado e celebra-se a SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA. Para a Missa do dia, o calendário oficial do Secretariado Nacional de Liturgia indica:

1.ª Leitura: Ap 11,19a; 12,1-6a.10ab
Salmo: Sl 44 (45)
2.ª Leitura: 1 Cor 15,20-27
Evangelho: Lc 1,39-56.

No dia seguinte, domingo, 16 de agosto, celebra-se o XX DOMINGO DO TEMPO COMUM — Ano A, e as leituras indicadas oficialmente são outras:

1.ª Leitura: Is 56,1.6-7
Salmo: Sl 66 (67)
2.ª Leitura: Rm 11,13-15.29-32
Evangelho: Mt 15,21-28. (Liturgia⁠)

Portanto, as leituras de 15 e 16 de agosto não são as mesmas.

E há um ponto ainda mais importante: ninguém pode decidir, por iniciativa própria, mudar estas orientações ou substituir as leituras prescritas simplesmente porque entende que deveriam ser outras.

A Instrução Geral do Missal Romano, n.º 357, é particularmente clara acerca dos domingos e solenidades:

«Estas leituras devem ser rigorosamente utilizadas.»

A norma determina que aos domingos e solenidades são atribuídas três leituras — Profeta, Apóstolo e Evangelho — e que estas devem ser observadas. (Vaticano⁠)

A mesma Instrução, no n.º 24, recorda um princípio fundamental: o sacerdote é servidor da Sagrada Liturgia e não lhe é permitido, por iniciativa própria, acrescentar, retirar ou mudar aquilo que está estabelecido na celebração. (Vaticano⁠)

Também a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, numa Nota oficial sobre a Palavra de Deus, determina:

«É necessário respeitar as leituras indicadas, sem as substituir ou suprimir.»

E explica porquê: a proclamação dos textos estabelecidos no Lecionário constitui um vínculo de unidade entre os fiéis. (Vaticano⁠)

Naturalmente, existem situações concretas em que os próprios livros litúrgicos permitem escolhas entre textos ou estabelecem normas especiais. Mas uma opção prevista pela Igreja é muito diferente de alguém alterar arbitrariamente aquilo que a Igreja determinou.

Também não se deve confundir esta questão com o facto de as solenidades começarem liturgicamente na tarde do dia anterior. As Normas Gerais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário estabelecem:

«A celebração do domingo e das solenidades começa na tarde do dia precedente.» (Liturgia⁠)

Por isso, a Assunção possui também uma Missa da Vigília, na tarde de 14 de agosto. Isso não transforma, porém, as leituras do XX Domingo do Tempo Comum, dia 16, nas leituras da Assunção.

Assim, para evitar discussões desnecessárias, deixamos as fontes que devem servir de referência:

📚 FONTES OFICIAIS

— Secretariado Nacional de Liturgia — Calendário/Liturgia Diária: confirma que em 16 de agosto de 2026 se celebra o XX Domingo do Tempo Comum e indica Is 56; Sl 66; Rm 11 e Mt 15. (Liturgia⁠)
— Normas Gerais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário: estabelecem as regras relativas aos domingos, solenidades e respetiva precedência. (Liturgia⁠)
— Instrução Geral do Missal Romano, nn. 24 e 357: determina que ninguém pode alterar a celebração por iniciativa própria e que as leituras dos domingos e solenidades devem ser rigorosamente observadas. (Vaticano⁠)
— Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos: reafirma expressamente que as leituras indicadas devem ser respeitadas, sem substituição ou supressão. (Vaticano⁠)

A Liturgia não é organizada segundo a opinião de cada leitor, coordenador ou celebrante. Existem normas, um calendário e livros litúrgicos aprovados pela Igreja.

Quando surgir uma dúvida, a solução é simples: consultar as fontes oficiais.

📌 15 de agosto de 2026 — Assunção da Virgem Santa Maria.
📌 16 de agosto de 2026 — XX Domingo do Tempo Comum, Ano A.
📌 As leituras são diferentes e não cabe a ninguém alterá-las arbitrariamente.

📖 LEITURAS DO DOMINGO XX DO TEMPO COMUM — ANO ANeste domingo, a liturgia mostra-nos que a salvação de Deus não conhece f...
10/08/2026

📖 LEITURAS DO DOMINGO XX DO TEMPO COMUM — ANO A

Neste domingo, a liturgia mostra-nos que a salvação de Deus não conhece fronteiras. O Senhor chama todos os povos e acolhe aqueles que O procuram com fé sincera. Ninguém é estrangeiro diante de Deus quando abre o coração à sua graça.

Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia uma promessa de extraordinária abertura: também os estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor serão conduzidos ao seu monte santo. A casa de Deus será «casa de oração para todos os povos». Mas esta pertença não é apenas exterior: implica servir o Senhor, amar o seu nome, guardar a sua aliança e praticar a justiça.

São Paulo recorda-nos que «os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis». A história da salvação manifesta a fidelidade de Deus, mesmo perante a desobediência humana. O Apóstolo contempla o mistério da misericórdia divina, que não desiste do homem e quer conduzir todos à salvação.

No Evangelho, encontramos uma mulher cananeia que não desiste de procurar Jesus. É estrangeira, mas possui uma fé extraordinária. Diante do silêncio e das dificuldades, continua a suplicar: «Socorre-me, Senhor». A sua humildade, confiança e perseverança levam Jesus a proclamar: «Mulher, é grande a tua fé». E a sua filha f**a curada. A fé verdadeira não exige privilégios: reconhece quem é Cristo, confia n’Ele e persevera mesmo quando parece não obter resposta.

🙏 Que estas leituras ajudem cada leitor a proclamar a Palavra com fé e humildade, recordando que Deus não olha para origens, aparências ou estatutos, mas para o coração de quem O procura. E que, como a mulher cananeia, aprendamos a permanecer firmes na oração, confiando no Senhor mesmo quando Ele parece guardar silêncio.

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