03/12/2025
Terminada que está a Peregrinação Diocesana a Roma, o nosso bispo escreve-nos com renovada esperança:
Queridos diocesanos, queridos irmãos e irmãs,
Regressamos da nossa peregrinação jubilar a Roma com o coração cheio — cheio de gratidão, de paz e, sobretudo, de esperança. Partimos como peregrinos de esperança, confiando na promessa de Deus como Abraão (cf. Heb 11,8), e voltamos agora com a certeza de que Ele caminhou connosco e nos enviou de regresso como semeadores e missionários de esperança para a nossa Diocese de Setúbal.
Ao atravessarmos as Portas Santas, levámos cada um de vós na oração: os que estão perto e os que estão longe, os que celebram e os que choram, os que sentem a fé forte e os que vivem horas de noite. A todos quisemos abraçar, porque a esperança cristã nunca é individual; é sempre comunhão, como os primeiros discípulos que “eram perseverantes na oração e unidos num só coração” (cf. At 2,42.46).
Em Roma, diante do túmulo de Pedro, repetimos aquela pergunta que atravessa os séculos: “Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6,68). E junto de São Paulo pedimos a audácia de levar por diante, com humildade e coragem, a missão que Deus nos confia, como ele que pôde dizer: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (2 Tm 4,7).
Vivemos dias de verdadeira comunhão e de reencontro com o essencial. Como os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,15), também nós percebemos que o Senhor caminhava ao nosso lado, mesmo quando os olhos não O reconheciam. E quando o coração voltou a arder (cf. Lc 24,32), compreendemos melhor o sentido da nossa peregrinação: deixar-nos transformar para podermos transformar.
É por isso que o nosso regresso não é uma conclusão, mas um envio.
Agora, irmãos e irmãs, começa o tempo mais exigente e belo: o tempo de semear esperança.
A esperança concreta, feita de gestos que tocam a vida das pessoas; a esperança que Maria, Mater Spei, guardou no coração (cf. Lc 2,19) e que continua a oferecer à Igreja; a esperança que se vive servindo: “Tive fome e destes-Me de comer… era estrangeiro e acolhestes-Me” (Mt 25,35).
A esperança que se torna presença, proximidade, misericórdia.
Queridos diocesanos:
– fomos peregrinos de esperança, abertos ao que Deus queria fazer em nós;
– regressamos semeadores de esperança, desejosos de partilhar o que recebemos;
– somos enviados como missionários de esperança, porque a nossa Diocese precisa — e o mundo precisa — de cristãos que levem luz onde muitos vivem na sombra.
Que esta experiência jubilar renove a nossa vida pessoal, fortaleça a nossa comunhão e abra novos caminhos para a missão que Deus nos confia.
Com amizade, oração e bênção,
† Cardeal Américo Aguiar
Bispo de Setúbal