Lisboa e a Grande Estremadura: História e Património

Lisboa e a Grande Estremadura: História e Património Divulgação de apontamentos sobre o património histórico de Lisboa e da Grande Estremadura. Em virtude da influência atlântica, o clima é temperado.

A Grande Estremadura é uma região do Centro Litoral de Portugal que abrange, grosso modo, o território das antigas províncias da Estremadura e Ribatejo, além de parcelas do litoral beirão e do litoral alentejano. Com uma história comum, grande parte dela centrada na acção dinamizadora da cidade de Lisboa e do seu entorno periurbano, bem como de alguns núcleos urbanos regionais como Santarém, Setúbal, Torres Vedras, Leiria, Tomar e Abrantes, esta região caracteriza-se por ter uma paisagem relativamente plana, marcada pelo litoral atlântico e pela bacia do Baixo Tejo, onde os pontos mais elevados são constituídos pelos pequenos maciços das Serras da Arrábida e de Sintra, e pela zona sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, que divide a Estremadura do Ribatejo. Os Verões são frescos e os Invernos, apesar das zonas mais afastadas do mar serem um pouco mais frias, são em regra suaves. Por outro lado os solos são, regra geral, de tipo arenoso a sul e de tipo argilo-arenoso e argilo-calcário a norte, o que tudo conjugado, torna esta região particularmente interessante para o cultivo da vinha e de pomar, sendo que, em algumas zonas, sobretudo no Médio Tejo, é também possível encontrar extensos olivais (a norte-poente) e sobrados (a sul-nascente). Por outro lado toda a zona circundante de Lisboa, a sul e a norte do estuário do Tejo, era e é também particularmente importante no cultivo hortícola, constituindo esta «zona saloia», pela sua proximidade e riqueza, a principal zona de abastecimento da capital. As principais formações rochosas são do tipo calcário, característica que marcou a arquitectura tradicional da região, sobretudo a de melhor qualidade. Em termos patrimoniais aliás, uma das características desta região é a profusão de pequenas e médias quintas, muitas com casas nobres e capela, vestígios de uma pequena elite familiar, sem grandes tradições senhoriais, que pelo menos desde o período da Expansão se estabeleceu na periferia e regiões adjacentes da cidade de Lisboa. De facto os grandes domínios senhoriais históricos desta região, sobretudo a partir da II Dinastia, circunscreveram-se à Coroa e a instituições na esfera da mesma, como a Casa das Rainhas (Sintra, Óbidos, Alenquer, Torres Vedras), a Casa de Bragança e depois do Infantado (Porto de Mós, Torres Novas) e as Ordens militares de Cristo (no Médio Tejo, delimitando a Grande Estremadura a nascente) e de Santiago (na Península de Setúbal e no Litoral Alentejano, delimitando a Grande Estremadura a sul). Fora do âmbito da Casa real, destacava-se a importância senhorial de alguns conventos, sobretudo do Mosteiro de Alcobaça, cujas terras constituíram a norte, por assim dizer, a fronteira natural e senhorial da Grande Estremadura, mas também de algumas das mais antigas casas conventuais lisboetas (S. Vicente de Fora, S. Domingos de Lisboa, Chelas, Santos, etc.), que foram recebendo ao longo da sua história, de reis e particulares, várias propriedades, depois transformadas em quintas, casais e aldeias que moldaram a paisagem desta região influenciados pela sua acção administrativa e dinamizadora. Lisboa, pela sua importância económica, política, social e cultural, atraiu ao longo da sua já longa história gentes de diversas paragens que aqui chegavam, por terra e por mar, ao extremo mais ocidental do continente europeu. Não deixa por isso de ser relevante pensar na importância desta cidade e na influência que esta exerceu na história e o património desta grande região que a envolve, a Grande Estremadura. Ao fim de 10 anos no mundo dos blogues com a página «História e Património (History and Heritage)», iniciada em 30 de Junho de 2005, a que se seguirão em 2011, «História e Arte no Período Barroco», «História de Almada», «Lugares de Almada», «Lugares da Caparica», «Lugares do Concelho do Seixal» e «Arquitectura Religiosa Moderna», começo agora um novo projecto com o Blogue «Lisboa e a Grande Estremadura: História e Património», que sucede assim ao blogue também criado em 2011, «Património Religioso da Região de Lisboa», alargando as temáticas ao restante património histórico, mas mantendo as entradas já publicadas anteriormente, adicionando outras da minha autoria que se encontravam dispersas por outros lugares. Esta página / blogue divulgará apontamentos, alguns pouco conhecidos, sobre o património histórico de Lisboa e da Grande Estremadura, procurando sempre que possível evidenciar a estreita relação entre a história e desenvolvimento da capital e da grande região que a envolve. Rui Manuel Mesquita Mendes
Caparica, 27 de Setembro de 2015

FELIP BATLLÓ I GODÓ EM PORTUGAL: UM REGISTO INÉDITO DE 1946Um registo eclesiástico de 3 de Novembro de 1946 permite acre...
29/07/2026

FELIP BATLLÓ I GODÓ EM PORTUGAL: UM REGISTO INÉDITO DE 1946

Um registo eclesiástico de 3 de Novembro de 1946 permite acrescentar um episódio até agora desconhecido à biografia de Felip Batlló i Godó, industrial, engenheiro têxtil e dirigente político catalão ligado ao regime franquista. Nesse ano, identif**ado na documentação do Patriarcado de Lisboa como Filipe Batló y Godó, encontrava-se residente em Lagos e requereu licença para possuir um oratório privado numa residência situada no Estoril, apresentando um rescrito apostólico obtido junto da Santa Sé.
A notícia, aparentemente inédita, não esclarece ainda as datas exatas da sua permanência em Portugal, a natureza da sua residência no Algarve ou a propriedade da casa do Estoril, mas demonstra uma ligação ao país suficientemente estável para justif**ar a instalação regular de um espaço doméstico de culto.

Nascido em Barcelona, em 1890, e falecido em Madrid, em 1985, Felip Batlló i Godó pertencia a uma das mais influentes famílias da burguesia industrial catalã. Era filho do industrial Josep Batlló i Casanovas e neto do fundador de La Vanguardia. O pai ficou especialmente conhecido por ter encomendado a Antoni Gaudí a transformação da residência familiar no Passeig de Gràcia, a célebre Casa Batlló, hoje considerada uma das obras mais emblemáticas do modernismo catalão.
Formado em engenharia têxtil, Felip Batlló desenvolveu igualmente atividade na indústria automóvel. Em 1917 fundou, em Sant Andreu del Palomar, a Fábrica Nacional de Automóviles, onde foram produzidos automóveis da marca España. Em 1922 associou-se ao engenheiro Wifred Ricart na criação da marca Ricart España, iniciativa representativa das tentativas de implantação de uma indústria automóvel própria na Catalunha durante as primeiras décadas do século XX.
A sua trajetória empresarial foi acompanhada por uma marcada intervenção política. Depois da Guerra Civil de Espanha, tornou-se secretário provincial da Falange Española Tradicionalista y de las JONS em Barcelona, cargo que exerceu a partir de 1939, e foi vice-presidente da Diputación de Barcelona. Integrado na chamada Vieja Guardia do regime franquista, recebeu a medalha do Yugo y las Flechas e, em 18 de Julho de 1965, a Gran Cruz de la Orden Imperial del Yugo y las Flechas, apresentada como reconhecimento culminante da sua carreira política. Foi também agraciado com a Ordem de Isabel a Católica e com a Medalha do Trabalho.
A família partilhava, de resto, uma identidade simultaneamente industrial, conservadora e próxima do campo nacionalista espanhol. O irmão, Josep Batlló i Godó, nascido em Barcelona em 1887 e falecido em 1955, foi empresário têxtil e proprietário da sociedade Godó y Trias, S. A.. Refugiou-se em San Sebastián durante a Guerra Civil e aderiu ao Movimiento Nacional. A irmã, Carme Batlló i Godó, morreu naquela cidade em Abril de 1939, onde se refugiara perante a perseguição de que a família teria sido alvo na zona republicana; pouco depois morreu também a sua filha Mercè Clavell i Batlló.
Mais tarde, Felip Batlló estabeleceu-se em Madrid. Aí manteve instalado um oratório que incorporava uma obra do escultor catalão Josep Llimona, anteriormente existente na Casa Batlló. A presença dessa peça num espaço doméstico de culto revela a continuidade de uma dimensão religiosa e familiar que ajuda a compreender o pedido apresentado em Portugal em 1946. A solicitação de licença para um oratório no Estoril não parece, assim, constituir um ato isolado, mas integrar uma prática devocional privada mantida em diferentes residências.
A partir de Madrid, Batlló colaborou ainda como correspondente de La Vanguardia e manteve ligações à associação Amics de Gaudí, participando na preservação da memória do arquiteto profundamente associado à história da sua família.

O registo português de 1946 levanta novas questões sobre a presença de Felip Batlló i Godó em Portugal. Identif**ado como residente em Lagos, requereu licença para um oratório privado numa residência no Estoril, o que poderá indicar a utilização de mais de uma casa no país, embora se desconheça ainda a natureza dessa ligação. Não existem indícios de exílio político, pois Batlló ocupava então posições de destaque no regime franquista. A sua permanência deverá antes enquadrar-se nas relações entre as elites económicas, políticas e católicas da Espanha de Franco e do Portugal do Estado Novo. O documento adquire particular interesse por testemunhar a presença em Portugal de um membro de uma das mais influentes famílias da burguesia industrial catalã, ligada à Casa Batlló, a Gaudí e ao jornal La Vanguardia. Apesar das lacunas documentais, este registo constitui um dado inédito e abre novas perspetivas para o estudo das relações luso-catalãs no pós-guerra.

CÂMARA MUNICIPAL DE ALMADA OU DE ALMADA-CAPARICA?Porque talvez o problema não seja criar um novo concelho, mas aprender ...
23/07/2026

CÂMARA MUNICIPAL DE ALMADA OU DE ALMADA-CAPARICA?
Porque talvez o problema não seja criar um novo concelho, mas aprender a governar melhor o atual.

https://almadense.sapo.pt
23 de Julho de 2026

Muito para além da polémica sobre a autonomia municipal da cidade da Costa da Caparica, este artigo revisita a evolução histórica do território e propõe uma reflexão sobre uma questão mais ampla: estará o concelho de Almada organizado para responder à realidade do século XXI?

Alguns dos temas abordados:
- Durante séculos, «Caparica» identif**ava essencialmente o território centrado no Monte de Caparica. A atual Costa da Caparica era então apenas um pequeno núcleo piscatório.
- Em determinados momentos, a população da freguesia de Caparica chegou mesmo a superar a da própria sede do concelho.
- É legítima a perceção, amplamente partilhada por muitos habitantes, de que o território da antiga Caparica nem sempre recebeu a mesma atenção política e administrativa que a cidade de Almada.
- Talvez a verdadeira questão não seja criar um novo concelho, mas sim encontrar uma nova forma de governar o atual.

Leia aqui o artigo completo.
https://almadense.sapo.pt/opiniao/camara-municipal-de-almada-ou-de-almada-caparica/

É legítima a perceção, amplamente partilhada por muitos habitantes, de que o território da antiga Caparica nem sempre recebeu a mesma atenção política e administrativa que a cidade de Almada.

AS ORIGENS DA QUINTA DO HILÁRIO EM SETÚBALA atual Quinta do Hilário, situada na antiga Estrada da Algodeia, entre Setúba...
11/07/2026

AS ORIGENS DA QUINTA DO HILÁRIO EM SETÚBAL

A atual Quinta do Hilário, situada na antiga Estrada da Algodeia, entre Setúbal e o lugar da Fonte da Talha, junto da entrada do termo de Palmela, parece ter adquirido a sua designação apenas no final do século XVIII, em consequência da ligação à figura de José Hilário Henriques Cabral, um abastado negociante e proprietário setubalense.

As referências mais antigas conservadas demonstram, contudo, que a propriedade existia muito antes de receber esse nome. A documentação notarial revela que esta área integrava um conjunto de quintas agrícolas situadas no limite entre os termos de Setúbal e Palmela, destacando-se as propriedades de Miraventos, Vale de Grou e Fonte da Talha, que aparecem frequentemente associadas entre si.

Uma das primeiras referências conhecidas remonta a 31 de maio de 1683, quando Pedro Henriques de Miranda vendeu uma quinta em Miraventos, no termo de Palmela, ao capitão D. Lourenço Vanichelli, cavaleiro professo da Ordem de Cristo e oficial da guarnição de Setúbal. A descrição dos confrontos permite localizar a propriedade entre a estrada para as Marinhas, o caminho para Palmela e a vizinha Quinta de Vale de Grou, demonstrando que este conjunto fundiário já se encontrava perfeitamente estruturado no século XVII. A denominada "Quinta de Vanicelos", identif**ada nas notas como vizinha da futura Quinta do Hilário, poderá corresponder a uma das propriedades que delimitavam a área posteriormente ocupada por esta.

Em 26 de outubro de 1724 encontra-se igualmente documentado o arrendamento da Quinta de Miraventos, pertencente a João Nunes Barreto, a Luís Gomes, morador no termo de Palmela, comprovando a continuidade da exploração agrícola daquela propriedade ao longo da primeira metade do século XVIII.

A partir da década de 1770 surge em destaque José Hilário Henriques Cabral, figura ligada ao comércio marítimo e aos contratos régios. Em 9 de novembro de 1777, aparece como arrematante, juntamente com sócios de Lisboa, do contrato do Real da Água da comarca de Setúbal, um importante monopólio fiscal da época. As referências do Correio Mercantil e Económico de Portugal registam ainda a chegada ao porto de Setúbal, em 1794, de embarcações consignadas ao próprio José Hilário Henriques Cabral, testemunhando a sua intensa atividade comercial.

Foi precisamente neste período que consolidou o seu património fundiário na periferia de Setúbal. Em 2 de setembro de 1780, Fernando Barreto Peixoto aforou-lhe a Quinta de Vale de Grou, no termo de Palmela. Poucos anos depois, em 25 de agosto de 1791, João de Mesquita Pimentel e Pavia aforou-lhe, em três vidas, a Quinta de Miraventos. Estes dois aforamentos, conhecidos através dos manuscritos da família Mesquita Pimentel, revelam que José Hilário passou a controlar duas das principais propriedades confinantes daquela zona rural. Paralelamente, um documento da Ordem de Santiago, datável entre 1780 e 1790, menciona expressamente a "Quinta da Fonte da Talha, de José Hilário", distinguindo-a das propriedades pertencentes à Ordem. Esta referência constitui, até ao momento, o mais antigo testemunho conhecido da ligação de José Hilário Henriques Cabral à propriedade que viria a ser conhecida pelo seu nome.

A projeção de José Hilário Henriques Cabral não se limitava, contudo, às atividades comerciais e agrícolas. Segundo Laurinda Abreu, exerceu por diversas vezes o cargo de vereador da Câmara Municipal de Setúbal entre 1802 e 1830, evidenciando o prestígio social e político que alcançou na cidade.

Tudo indica, por conseguinte, que a atual Quinta do Hilário terá resultado da concentração, nas mãos de José Hilário Henriques Cabral, de diversas propriedades rurais existentes entre Miraventos, Vale de Grou e Fonte da Talha, acabando a quinta principal por ser identif**ada pelo apelido do seu possuidor, designação que perdurou até aos nossos dias.

O edifício atualmente existente é descrito como uma casa senhorial de origem setecentista, de um só piso elevado e planta alongada, com fachada simétrica, escadaria monumental, jardim clássico de buxo, pequena capela e uma sala decorada com pintura mural do final do século XIX. A propriedade foi adquirida em 1949 por António Júdice Bustorff Silva, mantendo ainda hoje grande parte das características arquitetónicas que testemunham a sua evolução histórica.

https://osetubalense.com/local/setubal/quinta-do-hilario-procura-novo-dono-por-42-me-e-abre-portas-a-projetos-de-turismo/

EL CARMEN (1920)Publico aqui um texto sobre a Ermida de El Carmen, na Serra da Arrábida, entre Sesimbra e Azeitão, com p...
01/07/2026

EL CARMEN (1920)

Publico aqui um texto sobre a Ermida de El Carmen, na Serra da Arrábida, entre Sesimbra e Azeitão, com pormenores muito pitorescos, publicado por José Vidal há mais de um século nas páginas do jornal O Azeitonense.

Vale a pena ler ….

El Carmen
A Serra da Arrábida tão elogiada por poetas e prosadores, que nada exageraram exaltando as suas belezas naturais, de Maio a Outubro é cotidianamente visitada por admiradores de sítios pitorescos.
Os visitantes que vão de Azeitão pelo caminho dos «Casaes da Serra» avistam, um pouco além desses casais a meio duma encosta sobranceira ao «Valle da Victoria», uma ermida com sua torre sineira e uma vasta casa anexa.
Aquela antiga edif**ação, ali só no meio da aspereza da serra, vista cá de longe, da estrada, apresenta um aspecto mui gostoso de contemplar.

Quem ali passa pela primeira vez certamente pergunta ao burrisneiro que o acompanha que edif**ação é aquela, e ele responde-lhe: «é Alcarme». Burro e almocreve continuam a andar e o forasteiro f**a sem saber nada!
Pois vale a pena fazer uma visita demorada àquele pitoresco sítio, um dos mais aprazíveis da Serra d'Arrábida.
Ao fundo dum vasto terreiro em anfiteatro, amparado por grossa e alta parede em forma de semicírculo, está um terraço voltado a poente tendo em cada um dos seus extremos uma escada que lhe dá acesso.

Defronte da parte convexa do semicírculo está um alpendre com três entradas formadas por três arcos, dois laterais, e um maior na frente. Ao fundo f**a a porta da capela. É uma ermida de tamanho regular, muito clara, com púlpito e balaustrada de madeira, sob o arco cruzeiro, que é de mármore daqueles sítios, tendo as armas dos duques de Aveiro.
No lugar onde termina no terraço a escada do lado do sul f**a o sopé da torre sineira, que é quadrada, terminando em cúpula de abóbada tendo somente um sino.

Ao lado direito do alpendre, e a seguir ao arco lateral desse lado, f**a uma porta que dá acesso a um estreito corredor ao ar livre. À direita de quem entra f**am três portas que dão serventia a outros tantos pequenos compartimentos; o último dos quais, ao fundo, é a sacristia. Ali um arco de alvenaria, ornamentado na parte superior com azulejos policromos representando uma custódia, serve de fundo e comunica com uma espécie de minúsculo claustro cercado por umas ruínas que indicam terem sido as casas edif**adas por uma Irmandade de Setúbal.

À esquerda de quem entra no dito corredor, e correndo ao longo dele até à tal espécie de claustro, está uma espaçosa casa com bastantes janelas umas voltadas a sul e outras olhando a poente. Estas alumiam uma vasta sala, e aquellas vários quartos. A entrada para estes aposentos, que formam um primeiro andar, f**a dentro do corredor. O rez-do-chão consta duma ampla cavalariça com duas magníf**as manjedouras feitas de cantaria tendo cada uma 19m,20 de comprimento. Um amplo portão encostado à escadaria do lado norte do terraço dá acesso à cavalariça.

Estas edif**ações foram mandadas fazer por uma Duquesa de Aveiro, de nacionalidade hespanhola, D. Magdalena Giron, filha dos Duques de Ossuna. A capela conserva ainda o nome hespanhol que lhe deu a fundadora votando-a a N. S. d'El-Carmen (sic).
Os Duques de Aveiro, possuidores daqueles terrenos, consoante a moda da época, faziam vistosas e demoradas caçadas. Ao longo das vastas manjedouras comiam muitos cavalos.
A grande comitiva de dia espalhava-se pela Serra caçando, e à noite vinha pousar na vasta e confortável residência. Ao romper da manhã os ecos da montanha levavam de quebrada em quebrada o alegre repicar do sino. Todos se erguiam cedo, damas e cavaleiros, indo ouvir a missa, e após o almoço todos voltavam às lides venatórias.

Com a confiscação dos bens dos Duques de Aveiro aquela parte do antigo "Promontório Barbárico" passou para o Infantado e actualmente pertence à casa Palmella.
Desappareceram os Aveiros, acabaram as caçadas fidalgas, mas a capella e os seus anexos lá f**aram e lá estão suficientemente conservados.

Nos fins do século XVIII e princípios do passado viveu ali um ermitão a quem o povo d'estes sítios chamava: “O monge de El-Carmen".
Esse homem, que era um excêntrico, inculcava-se profeta e ainda hoje certos velhos e velhas das aldeias occidentaes de Azeitão citam várias profecias do dito monge dizendo com certa ênfase que aconteceu justamente o que elle disse.
O panorama que se desfruta do terraço, ou das janelas da casa adjacente à capela, é encantador.

Voltando-se o visitante para poente vê à sua esquerda uma porção de terreno menos acidentado a que dão o nome de "Valle da Victoria" porque, segundo diz a tradição, foi ali que Affonso Henriques desbaratou os mouros tomando em seguida Cezimbra. Ao sul, limitando o horizonte, f**am as escarpas da Serra do Risco.
Na sua frente, lá muito em baixo, avista o majestoso palácio de Calhariz e o lindo pinhal manso que lhe f**a próximo. Um pouco além, aqui e ali, alvejam casaes e lá muito longe ergue-se o roqueiro Castello que ficou pertencendo ao primeiro rei portuguez após o combate no "Valle da Victoria".

Começando a inclinar os olhos para o lado direito avista Sant'Anna e Sampaio; depois as dunas de Albufeira e o mar! Continuando com a vista a procurar o rumo do norte descobre primeiro toda a Serra de Cintra e depois Lisboa, o Tejo e algumas povoações da margem esquerda d'esse rio. Os olhares vêm subindo do Tejo para o ponto de partida e encontram vastos campos arborizados, as ruínas do antigo Castello de Coina ao pé da nova casaria de Casal do Bispo, e um pouco a poente a aldeia da Portela. Que lindo panorama! Observado de manhã cedo, estando a atmosfera bem límpida, deleita e encanta o espírito!

Os habitantes dos "Casaes da Serra" e das "Pedreiras" faziam anualmente duas festividades na capela de El-Carmen, uma em quinta-feira de Ascensão, outra em Julho. A primeira acabou, mas a segunda ainda se effectua. Consta de missa cantada, sermão e arraial. As raparigas e os moços d'aquelles sítios dançam animadamente ao som de flauta ou de guitarra.
À sombra d'esses ulmeiros seculares que f**am junto ao terraço, do lado do sul, e sob a copada ramaria de antiquíssimos pinheiros mansos dispersos por ali ao lado norte do mesmo terraço, ranchos alegres comem e bebem. A pastoril gaita de foles, tendo por acompanhamento o monótono rufar d'um tambor, entoam modinhas populares, e os sons mais ou menos desafinados do bucólico instrumento enchem de alegria aquella gente rude e simples.

Em tempos muito antigos um círio de Setúbal ia a El-Carmen, e na parede de uma casa ao pé da capela havia uma pedra com a seguinte inscrição: "Estas casas mandou fazer a Irmandade de Setubal e se acabou a obra no anno de 1511" (sic).

Em 24 de Setembro de 1834 saíram os frades do convento da Arrábida. A maior parte d'elles ficou em Azeitão.
Como nessa época havia muitos padres os bons arrábidos pregavam sermões por preços ínfimos.
Não posso precisar o ano, mas talvez por mil oito centos e quarenta e tantos para uma das annuaes festas em El-Carmen foi ajustado um sermão por doze vinténs. Não se julgue que isto é falso; é um facto haver naquelles tempos padres que pregavam sermões por aquelle irrisório preço.
O bom arrábido, conhecido pelo nome do cargo que exerceu no convento — «padre comissário» — não perdeu tempo a estudar o assumpto sobre o que devia fallar; fiou-se na sua eloquência. Porém quando chegou ao púlpito não sabia o que havia de dizer e exclamou: «perdi a musa!»
Um dos ouvintes, um carvoeiro da Serra chamado Manuel Joaquim Tabaqueiro, respondeu: «Enquanto o senhor padre vai à procura da musa, vou eu beber dois quartilhos!...»

Há poucos dias fui rever El-Carmen. Vivi no passado o pouco tempo que ali estive. O sol encaminhava-se para o ocaso; uma fresca brisa vinda do Oceano carregada de humidade encinzeirava a atmosfera; o socego era absoluto. N’uma espécie de visão contemplei o garboso séquito dos Aveiros e todo o seu trem de caça; ouvi o celebre monge recitando profecias; escutei os sermões dos padres arrábidos; contemplei a cara alvar d'aquelle frade que perdeu «a musa»; ouvi a gaita de foles!...

El-Carmen é um belo assumpto para um quadro feito por um pintor; ou para uma pintura feita por um litterato. Eu muito gostaria, porém, de ver n'uma tela todo aquelle conjunto que, sem dúvida, devia produzir um effeito encantador!
4 de Julho de 1920.
José Vidal.

FONTE:
José Vidal – El Carmen, in O Azeitonense, N 50_18 Jul 1920

NOTA:
O autor destas linhas chamava-se José Faustino Vidal, que assinava frequentemente José F. Vidal, colaborou regularmente no jornal O Azeitonense (1919–1920); era uma personalidade ligada à vida cultural e cívica de Azeitão, sendo referido entre os nomes propostos para uma futura Sociedade de Melhoramentos de Azeitão.

ERMIDA DO SENHOR JESUS DOS NAVEGANTES E NOSSA SENHORA DA CARIDADE (LAPA)Alguns dados documentais extraídos da Câmara Ecl...
27/06/2026

ERMIDA DO SENHOR JESUS DOS NAVEGANTES E NOSSA SENHORA DA CARIDADE (LAPA)

Alguns dados documentais extraídos da Câmara Eclesiástica de Lisboa e que ajudam a precisar a história desta ermida:

A autorização para a ereção da Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes e de Nossa Senhora da Caridade foi concedida em 1757, no sítio fronteiro ao palácio de D. Francisco Xavier Pedro de Sousa, “o Quelhas”, senhor da Quinta da Bela Vista.

A irmandade provinha da igreja das Religiosas da Esperança, arruinada pelo Terramoto de 1 de Novembro de 1755, onde possuía uma capela com as imagens do Senhor Jesus dos Navegantes e da Senhora da Caridade. Após a ruína, os irmãos ergueram primeiro uma ermida provisória de tabuado junto ao palácio do Quelhas, para serviço religioso da população que se acolhera nos campos daquela zona, tendo obtido então licença para esse fim, dada pelo Arcebispo de Lacedemónia.

Um parecer do prior de Santos, Gonçalo Nobre da Silveira, datado de 3 de Maio de 1757, confirma este contexto: a ermida provisória encontrava-se já a arruinar-se, e a construção em pedra e cal era justif**ada pela maior decência do culto e pela utilidade dos moradores do sítio, que assim poderiam ouvir missa com mais comodidade. O terreno para a sua edif**ação foi cedido pelas Freiras Trinas do Mocambo, grandes promotoras do loteamento inicial do Bairro da Lapa, a Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes, por escritura «Aforamento à Irmandade do Senhor Jesus dos Navegantes» de 24 de Março de 1757, conforme nos indica Sarmento de Matos.

A nova ermida foi autorizada por provisão de 21 de Maio de 1757 e benzida com licença para celebração de missas por comissão concedida ao pároco de Santos por Provisão de 29 de Outubro de 1757.

A sua implantação liga-se, portanto, à reconstrução religiosa e urbana pós-terramoto da zona da Bela Vista/Lapa, então ainda profundamente marcada pela Quinta do Quelhas e pelos terrenos próximos de Buenos Aires.

Há ainda um dado relevante para a vida interna da ermida: em 19 de Maio de 1765, António Rodrigues de Almada e sua mulher, Ana Maria do Nascimento, instituíram uma capela e obrigação de missa quotidiana na congregação, aplicando para esse fim 1:833$271 réis. O documento refere que a obra da ermida e da casa do despacho estava então “quase concluída”, o que mostra que a construção e consolidação material do conjunto se prolongou para além da licença inicial de 1757.

Assim, os painéis exteriores das estações da Via Sacra não são apenas elementos decorativos: integram uma ermida nascida da deslocação devocional provocada pelo Terramoto, da persistência de uma irmandade popular e da recomposição religiosa do bairro da Lapa na segunda metade do século XVIII.

Um aspeto particularmente interessante é o papel desempenhado pelo mestre oleiro António Rodrigues de Almada, escrivão da Mesa do Terreiro e proprietário de uma olaria em Castelo Picão, no bairro do Mocambo. A escritura de 19 de Maio de 1765 revela que a Irmandade recorreu aos seus empréstimos para financiar a construção da nova ermida e da respetiva casa do despacho. O próprio documento declara que António Rodrigues de Almada havia adiantado, em diversas parcelas, 1:533$271 réis, quantia que permitiu levar a obra "quase concluída". Em vez de exigir o reembolso do capital, transformou essa dívida no património vinculado à instituição de uma capela, acrescentando ainda uma doação de 300$000 réis, perfazendo 1:833$271 réis, em troca da celebração perpétua de missas pela sua alma e da sua mulher, Ana Maria do Nascimento.

Este ato de mecenato religioso evidencia que a edif**ação da ermida não dependeu apenas da iniciativa da Irmandade, mas também do apoio decisivo de um mestre oleiro, cuja intervenção financeira foi determinante para a concretização do templo.

Não deixa, por isso, de ser sugestivo que a fachada da ermida conserve dois notáveis cruzeiros de azulejo, testemunhos de uma arte intimamente ligada ao universo profissional daquele que foi o seu principal financiador.

Rui Mesquita Mendes
27/06/2026

CALÇADA DO GARCIA (LISBOA)O topónimo Calçada do Garcia já existia no século XVIII e nenhuma relação tem com o cacilhense...
13/05/2026

CALÇADA DO GARCIA (LISBOA)

O topónimo Calçada do Garcia já existia no século XVIII e nenhuma relação tem com o cacilhense Elias Garcia, mas sim com Gaspar Garcia de Bivar.

Veja-se abaixo excerto de um processo do Desembargo do Paço de 1775.

Este teve licença municipal em 1734 para reparar e reedif**ar as suas casas situadas por detrás de S. Domingos no princípio da calçada do Colégio, nome original.

O FIGURISTA E ESCULTOR ANTÓNIO FERREIRA e a génese do culto de Nossa Senhora Mãe dos HomensO culto de Nossa Senhora Mãe ...
21/01/2026

O FIGURISTA E ESCULTOR ANTÓNIO FERREIRA e a génese do culto de Nossa Senhora Mãe dos Homens

O culto de Nossa Senhora Mãe dos Homens insere-se num momento particularmente fértil da religiosidade lisboeta da década de 1740, marcado pela promoção régia de devoções marianas, pela circulação de imagens em contexto urbano e pelo protagonismo missionário de frades franciscanos junto das populações.

Em 25 de Fevereiro de 1745, conforme documento que publicamos, o Arcebispo de Lacedemónia deu provisão ao Irmão Manuel do Menino Deus, Donato do Convento de São Francisco de Xabregas, para levar, em companhia de um irmão terceiro António Ferreira, uma imagem cópia da prodigiosa imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens, existente na sua capela do mesmo convento, que D. João V havia mandado fazer.

Acreditamos que este irmão terceiro é, com toda a probabilidade, o conhecido mestre escultor e figurista António Ferreira, «o Ferreirinha de Chelas», célebre pelos seus presépios, entre o quais o próprio Presépio da Madre de Deus *.

Assim, a ligação de António Ferreira ao culto de Nossa Senhora Mãe dos Homens, de que não é o autor, mas que ajudou a fixar iconograf**amente a invocação, revela-se decisiva na génese e na orientação artística deste culto que, segundo o testemunho fundamental de Fr. Jerónimo de Belém, no Pregador Mariano (1760), foi promovido pelo fervor religioso Frei João de Nossa Senhora, do Convento de Xabregas, também conhecido como João Redondo, o gordo e famoso poeta de Xabregas, missionário apostólico, que percorreu as ruas da capital com uma pequena imagem de Nossa Senhora, entre 1742 e 1753.
Frei João dirigiu-se, por volta de 1742, ao vale de Chelas, onde residia António Ferreira, «insigne figurista» que, em matéria de barro, «ninguém o excedeu». O encontro entre Frei João e o Ferreirinha não resultou numa encomenda direta da imagem principal do culto, pelo contrário, António Ferreira, depois de ouvir o projeto do frade — a criação de uma imagem de Nossa Senhora com o título de Mãe dos Homens, destinada a suscitar e difundir uma nova devoção pública — aconselhou-o a procurar um escultor de maior projeção, com experiência romana, então conhecido em Lisboa como «o Romano». Esse escultor era José de Almeida, discípulo de Carlo Monaldi, a quem viria a ser confiada a execução da imagem de grande vulto, em madeira de cedro, benzida solenemente na Igreja Patriarcal a 11 de Janeiro de 1744, com a presença de D. João V, sendo depois transferida para a capela mor do Convento de Santa Maria de Jesus de Xabregas, onde esteve até à sua transferência para o retábulo da Capela de Santo António, na mesma igreja, obra do mestre entalhador e arquitecto Santos Pacheco.

Paralelamente, a documentação inédita da Câmara Eclesiástica de Lisboa comprova que António Ferreira não se limitou a este papel inicial. Em 1745, surge como «irmão terceiro» que acompanha o Irmão Manuel do Menino Deus na circulação de uma imagem-cópia da Nossa Senhora Mãe dos Homens, autorizada a permanecer nas igrejas paroquiais durante a noite e a sair de dia em peditórios e actos de devoção (DOCUMENTO). Esta presença activa na difusão itinerante da imagem confirma a sua inserção prática no movimento devocional promovido por Frei João, não apenas como artista, mas também como agente da religiosidade popular.

Assim, a ligação de António Ferreira ao culto de Nossa Senhora Mãe dos Homens manifesta-se em três planos complementares: como mestre reconhecido da escultura em barro, cujo prestígio legitimou o projeto inicial; como mediador artístico que orientou a encomenda da imagem principal para um escultor de projeção régia; e como participante efetivo na propagação do culto através da circulação de imagens devocionais.

A sua figura emerge, deste modo, como uma peça discreta mas estrutural na construção de um dos mais signif**ativos cultos marianos da Lisboa setecentista, onde arte, devoção e espaço urbano se entrelaçaram de forma duradoura.

DOCUMENTO
Ex.celentissimo e R.everendissimo Senhor̄
Diz o Irmaõ Manoel de Menino Deus Donato do Serafico Patriarcha S. Francisco do Convento de Xabregas, que elle tem ordem do Em.inentíssimo e R.everendíssimo Senhor Cardeal Patriarcha para pedir esmolas para a Capella da Virgem Maria May dos Homens em todo este Patriarchado, e leva em sua Companhia o Irmaõ Treceiro Antonio Ferreira para o ajudar. E para se inflarem todos na devoçaõ da Virgem como Nossa May Leva tambem huma Imagem copia da prodigioza q̄ se venera no Real Convento de Xabregas que mandou fazer El Rey Noso Senhor; e para a mesma deuoçaõ se augmentar quer q̄ esta Imagem fique sempre dentro nas Igrejas, e para os Parochos o haverem assim por bem hé preciza Provizaõ de S. Ex.cia Ill.a pela qual conste a substancia de tudo isto.
P. a V. Ex.cia lhe mande passar Provizaõ só p.ª q̄ os Parochos recebaõ a Imagem da Senhora e de noite a deixem f**ar nas suas Igrejas e de dia saha a pedir pelas cazas que para isso tem já ordem de Sua Em.cia com tambem se a quizerem acompanhar nas suas Freguezias a Senhora lhe pagará essa deligencia.
E R. M.ce
Aos despachos de S. Ex.ca
Concedemos Licença para o q̄. se passe Provizaõ. Lx.a 22 de Feuereiro de 1745. A.rcebispo de L.acedemónia.
Ermitaõ
Passei Provizaõ em 25 de Fevereiro de 1745
(ANTT, Câmara Eclesiástica de Lisboa, mç. 1766)

Rui Manuel Mesquita Mendes
21/01/2026

* António Ferreira, conhecido também como “o Ferreirinha de Chelas”, foi um escultor e figurista activo em Lisboa no século XVIII, especializado em imaginária em barro (terracota), amplamente reconhecido como um dos mais notáveis mestres portugueses do género pastoril no século XVIII. Filho de Dionísio Ferreira, residiu no vale de Chelas, onde manteve oficina.
O nome “António Ferreira Soares” surge documentado num registo notarial de Julho de 1747, no qual se obriga à execução de uma obra de presépio para o Convento da Madre de Deus, o que nos leva a considerar que este corresponde aquele escultor de Chelas.
É referido por Cirilo Volkmar Machado como um artista de mérito excepcional na modelação em barro, sendo-lhe atribuídos os presépios da Cartuxa, da Madre de Deus, do Coração de Jesus e outras obras, por exemplo em espaços privados como a Quinta dos Embrechados, bem como figuras e composições de carácter pastoril. Joaquim Machado de Castro elogia igualmente a sua aptidão no género pastoril, destacando o presépio da Cartuxa pela qualidade da composição e execução.

Figuras:
Provisão para pedir esmolas para a imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens (1745) (Câmara Eclesiástica de Lisboa)
Estampa de Nossa Senhora Mãe de Deus num Livro de Notas de 1758 (9.º Cartório Notarial de Lisboa)

Bibliografia:
BELÉM, Fr. Jerónimo de – Pregador Mariano, instruindo na vida, e desenganando na morte, vida, e principaes acções do P. Fr. João de N. Senhora, chamado vulgarmente o Poeta, etc. Lisboa: Miguel Manescal da Costa, 1760.
BRANCO, Manoel Bernardes – Historia das ordens monasticas em Portugal, Vol. 3, 1888.
GUIMARÃES, Ribeiro - Summario de Varia História, Vol. 2, Rolland & Semiond, 1872.
MACHADO, Diogo Barbosa – Bibliotheca Lusitana historica, critica, e cronologica ... dos Authores Portuguezes, e das obras que compuseram, Tom. 4, 1759.
MENDES, Rui Manuel Mesquita – "Novos contributos para a história da escultura religiosa em Lisboa (séculos XVI, XVII e XVIII)", in Invenire: Revista de Bens Culturais da Igreja, Nº 14 (2017), pp. 6-22.
PEREIRA, Luiz Gonzaga - Monumentos Sacros de Lisboa em 1833, Lisboa: Oficinas Gráf**as da Biblioteca Nacional, 1927.
SALDANHA, Sandra Costa, "Santa Maria Mãe do Homens. Difusão do culto pela imagem: arte e iconografia", in Invenire: Revista de Bens Culturais da Igreja, n.º 3 (Jul.-Dez. 2011), pp. 11-16.
SEQUEIRA, Gustavo de Matos – Depois do terremoto; subsídios para a história dos bairros ocidentais de Lisboa, Vol. 2, 1916.

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