Paróquias de Abrantes

Paróquias de Abrantes Paróquias de S. Vicente Mártir e de S. João Baptista, Abrantes; Capelanias de Chainça, Abrançalha, Nª Sª da Luz Sentieiras, Barreiras do Tejo

12/03/2025
12/03/2025
Peregrinação- Os caminhos e os passos da nossa Vi(r)agem -Peregrinar é ... ousar sair de si mesmoOusámos sair. Saímos. E...
12/03/2025

Peregrinação
- Os caminhos e os passos da nossa Vi(r)agem -

Peregrinar é ... ousar sair de si mesmo
Ousámos sair. Saímos. Estamos em peregrinação. Estamos em vi(r)agem. Mais do que apenas sair porta fora, tomar um itinerário traçado e percebido num mapa, estamos a sair. Saímos da monotonia do nosso dia a dia sempre igual, saímos da nossa vontade de não sermos incomodados e de não nos incomodarmos, saímos com o objectivo de chegar a um qualquer local, saímos com um projecto (uma meta, uma realização) como objectivo. E sair é ousar cruzar novos caminhos, os caminhos que nos conduzem até ao objectivo, mas também os caminhos do nosso próprio ser e existir, os caminhos da nossa fé e da nossa relação com Deus e os outros. É uma ousadia, mas a nossa vida faz-se, nas suas diversas dimensões, destas ousadias.
Saímos da casa onde vivemos todos os dias, todas as horas para ver, reflectir, rezar e agir. Saímos de casa e estamos a sair de nós. Sentimos a vontade da partida, prevemos as possíveis dificuldades do percurso, pensamos nas adversidades que se irão interpor, percebemos a riqueza da experiência, vivemos já o fascínio da caminhada feita de paisagens novas, experiências novas e irredutíveis, e, na motivação da esperança, antecipamos a alegria da chegada. E lá onde chegarmos está a nossa nova partida. Sempre. Chegar para partir. Partir porque já se chegou. Todos os dias, todas as vidas, se fazem de partidas, caminhadas e chegadas. E muitas vezes, se não quase sempre, por novos e insuspeitados caminhos.
É assim a peregrinação. E, sobretudo, a peregrinação da fé e da vida. Quem não sentiu já a alegria profunda de, depois de 10, 20, 50, 100, 150 Kms de caminhada com as suas inerentes dificuldades, vislumbrar ainda ao longe o local para onde se dirige ? Quem não sentiu já a comoção de, após dias ou horas de caminhada, perceber no horizonte a torre da Igreja para onde se dirige. É como quem diz “aqui estou, Senhor!”. São experiências de fragilidade, mas também de confiança, de profunda alegria, de memória da vida, de esperança e de verdade e capacidade.

A peregrinação na vida do homem
Peregrinar, caminhar, pertence à nossa condição humana. Gostamos ou não de descrever a nossa vida como uma caminhada ? Desde o nascer até ao morrer é esta a nossa condição, somos caminhantes.
E, de facto, por pouco que nos detenhamos a observar o que se passa à nossa volta, percebemos que tudo o que existe sobre a face da Terra está “a caminho”, tudo está em mudança.
O caminho, em sentido figurado, significa a vida humana. A nossa vida humana é uma caminhada, uma peregrinação, uma vi(r)agem que tem o seu início no nascimento e o fim visível no morrer. Ao olharmos para nós próprios lembramos isto mesmo: estamos de passagem. E durante este caminho, esta passagem, vamos fazendo diversas e múltiplas experiências: trabalhamos e descansamos, amamos e sofremos, divertimo-nos ... e, mais importante, vamos procurando dar sentido a tudo isso. É que não basta só viver. É preciso tentar perceber a razão e o sentido de todo esse viver, encontrar uma meta para onde se dirigir.

A Peregrinação na História da Salvação
A Sagrada Escritura refere-se muitas e muitas vezes a caminhadas, a peregrinações. São caminhadas que levam homens a lugares santos, são caminhadas que levam o homem a experimentar-se a si mesmo para compreender a sua missão no meio de toda a humanidade. Sobressaem na Bíblia, pelo seu simbolismo religioso, as peregrinações dos patriarcas Abraão, Isaac e Jacob a Siquém (Gen 12, 6-7; 33, 18-20), a Bethel ( Gen 28, 10-22; 35, 1-15) e a Mambré (Gen 13, 18; 18, 1-15) onde Deus Se lhes manifestou e Se comprometeu a dar-lhes a Terra prometida.
É nesse sentido também que o Monte Sinai, o Monte da revelação de Deus a Moisés, tem uma lugar especial na memória do Povo de Deus. Nesse contexto a travessia do deserto teve para o Povo o sentido de uma longa caminhada (e porque não peregrinação ?) até alcançar a promessa de Deus. E Deus, através da Arca e do Tabernáculo (Num 10, 33-36; 2 Sam 7, 6), símbolos da sua presença, acompanhou sempre este povo caminhante.
E Jerusalém, mais tarde, a sede da Arca e do Templo, tornou-se a meta de tantas e tantas caminhadas. É a Casa de Deus e, por isso, caminhar até Jerusalém é caminhar até Deus, é encontrar-se com Ele. Três vezes por ano, os homens deviam peregrinar até Jerusalém por ocasião das Festas dos Ázimos (Páscoa), da Festa das Semanas (Pentecostes) e da Festa das Tendas ou Tabernáculos (colheitas).
E o próprio Jesus, submetendo-Se também voluntariamente à Lei, foi peregrino. Com Maria e José, e depois na sua vida pública, Jesus peregrina até Jerusalém (Jo 11, 55-56). O Evangelista Lucas, aliás, apresenta a acção salvífica de Jesus como uma peregrinação cuja meta é Jerusalém. Para Jerusalém tudo converge durante a vida de Jesus e até à sua morte. E de Jerusalém tudo dimana após a ressurreição de Jesus e na consequente missão da Igreja nascente (Lc 9, 51 – 19, 45 e Act 2, 5).

A Peregrinação na vida da Igreja
A vida e a história da Igreja constituem o diário vivo de uma peregrinação que ainda não acabou nem acabará nunca. É esse o ritmo e dinamismo da vida de Jesus e é esse o ritmo e dinamismo da vida dos cristãos. Jesus peregrinou por este mundo para o Pai. Os cristãos seguem-n’O na peregrinação e, como exercício espiritual, realizam peregrinações, caminhadas que lhes representam essa mesma caminhada de toda a vida para Deus e a eternidade ( Cf. Manuel CLEMENTE, A fé do povo (Lisboa: Paulus, 2002) 35.
) .
Nos primeiros três séculos de vida da Igreja, a peregrinação não tinha grande relevo até pelo facto de a Igreja se quer distanciar de práticas religiosas usadas por outros grupos como o judaísmo ou mesmo o paganismo.
É, contudo, nesses mesmos séculos que se lançam as bases de muitas e importantes peregrinações cristãs. Nesse sentido, o culto dos mártires – aqueles que deram a vida por Cristo – determinará uma grande influxo na espiritualidade da peregrinação.
Com destino a Roma ou à Terra Santa, ou ainda em direcção a novos ou velhos santuários consagrados a Nossa Senhora e aos santos, muitas peregrinações se realizaram e dinamizaram.
Essas peregrinações encontraram depois um grande desenvolvimento na época da paz constantiniana e à medida que se forma identificando os locais de martírios ou se forma encontrando as relíquias dos santos.
Na maioria dos lugares santos construiram-se basílicas, igrejas ou mesmo simples ermidas.
A Idade Média será a época das grandes peregrinações. Roma (túmulos de Pedro e de Paulo), Jerusalém ( os lugares santos), Santiago de Compostela ( a partir do séc. IX), Tours (S. Martinho), Cantuária (S. Tomás Becket), o Monte Gargano (Puglia), S. Michele della Chiusa (Piemonte), Mont Saint-Michel (Normandia), Rocamadour e Loreto são dos locais mais peregrinados.
Com a modernidade as peregrinações decrescem um pouco na medida em que a espiritualidade se vai centrar sobre o sujeito e, nesse sentido, se começa a falar de peregrinações espirituais, ou seja, caminhadas interiores ou peregrinações simbólicas.
O séc. XIX e XX vêem, depois, regressar com grande dinamismo, embora com outra fisionomia, as peregrinações: Aparecida, Assis, Caacupé, Chartres, Coromoto, Czestokowa, Fátima, Guadalupe, Loreto, Lourdes, Montevergine, Montserrat, Pádua, etc (Cf. CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS, Directório sobre a piedade popular e a Liturgia, 284 ss. ) .

O sentido e a espiritualidade da Peregrinação
A peregrinação foi sempre um momento significativo na vida dos crentes. É como que uma oração em acto contínuo. Pés a caminho, metas definidas, metas físicas em consonância com metas interiores de conversão fazem da peregrinação um momento de comunhão com Deus e com toda a Igreja. Quando peregrinamos queremos chegar ao santuário que é a meta da peregrinação, mas também queremos uma maior identificação cristã na santidade de vida. Quem peregrina não faz apenas um conjunto de kilómetros, mas é chamado sim a fazer uma mudança de vida. Caminha-se desafiado por esse ideal. E ideal não quer dizer abstracto ou não alcançável. Ideal quer dizer que tem a força suficiente para nos mover de onde estamos até às atitudes e comportamentos que nos identificam com os locais aonde queremos chegar. Por isso o caminho com os pés é uma parábola do caminho interior com a vida e as atitudes.
Há, por isso várias dimensões, que a Igreja reconhece e vive nas peregrinações:
- A dimensão escatológica (caminhamos para o céu): A peregrinação é uma parábola da nossa caminhada para a identificação com o Reino de Deus revelado em Jesus Cristo. O cristão é, por excelência, homem a caminho, alguém que se movimenta: entre a obscuridade e a luz, entre o exílio e a libertação, entre o sofrimento e a alegria. O êxodo do Povo de Deus mostra isso mesmo: a vida faz-se sempre de saídas (de certas e determinadas prisões) – caminhadas (por desertos, momentos de luz e de tristeza) – entradas (na Terra da Promessa, na felicidade) que são novas partidas.
- Dimensão penitencial: A peregrinação configura-se com um caminho de conversão. A caminhar para um santuário faz-se melhor a consciencialização do pecado pessoal e da necessidade da conversão, bem como dos caminhos do arrependimento. Pela experiência do jejum, da oração e da penitência, o peregrino avança e caminha no percurso da perfeição cristã, esforçando-se por uma maior vivência da sua vocação cristã à santidade.
- Dimensão festiva: Em cada peregrinação dimensão penitencial coexiste com a dimensão festiva. É a alegria do encontro da paz interior, da serenidade, mas, sobretudo, a profunda alegria do encontro da Casa do Senhor, essa experiência de acolhimento em Deus.
- Dimensão cultual: Cada peregrinação é, essencialmente, um acto de culto, uma acto de oração, de celebração da penitência, de encontro com Deus. No local rumo ao qual se peregrinou, o peregrino cumpre os votos ou promessa, pede perdão, reza em acção de graças ou em louvor, suplica graças.
- Dimensão apostólica: Quando cada peregrino faz a experiência da proximidade de Deus ou da aproximação progressiva do seu Reino, não consegue calar a experiência que é peregrinar, mudar, converter. E aqui a memória do que Deus concede torna-se em ousadia de vida nova concretizada em valores novos. O que se vive anuncia-se.
- Dimensão de comunhão: Qualquer peregrinação é uma experiência de comunhão. É comunhão com todos os que caminham, mesmo que não o façam connosco, no mesmo trajecto, ao mesmo tempo, ou com o mesmo passo. É comunhão com todos os inquietos da vida, com todos os que procuram sentido mais pleno para as suas existências diárias, com todos os que percebem Deus e o seu Reino como o grande desafio que é possível concretizar e fazer realidade. Quando caminhamos em conjunto, o caminho ganha outro sentido e torna-se mais leve a dificuldade de caminhar (ibid.) .

A Peregrinação e a vida
Então a peregrinação recorda a nossa condição de peregrinos nesta terra a caminho da eternidade. E esta caminhada reproduz a nossa condição real – andamos à procura. A nossa existência é um caminho. Do nascimento até à morte cada um vive na condição peculiar de homem a caminho. O peregrino, caminhante nesta terra, assume a perspectiva da provisoriedade e da fragilidade da sua vida. Tudo, ou muita coisa, vai ficando para trás – somos peregrinos de nós mesmos e da Casa do Pai. Não podemos realizar uma peregrinação, longa ou breve, atafulhados de coisas e coisas. Temos de ser livres e partir numa dinâmica de libertação. Tudo passa, só Deus permanece, porque só Deus basta, como diz Sta. Teresa de Jesus. Estar a caminho leva-nos a olhar para horizontes mais largos e dá-nos, em cada passo, a simplicidade e a confiança de quem se sabe amado.
Como é humana, esta vitória cansativa sobre a distância espacial, esta aspiração, esta tensão para um fim a atingir, que não se alimenta apenas com uma alegria terrestre, mas é também aproximação de Deus! Resquícios do Antigo Testamento, quando Jahwé residia no Templo ? Mas os Judeus nãoi ignoravam que “ os céus não O podem conter, e ainda menos a casa que construiu” (1 Reis 8, 27). Jesus, que falou da ruína do Templo e, sobretudo, da adoração em espírito e verdade, não se sentiu dispensado, quer em criança quer já adulto, de ir repetidamente em peregrinação ao Templo e de cantar os salmos de ascensão a Jerusalém. Os santuários católicos têm a graça de deixar partir cada um com a certeza de que esta mesma graça não está ligada a um lugar. Anulam-se depois de se imporem. Foi-nos benéfica a vinda de Jesus para o meio de nós, e foi-nos igualmente benéfico que tivesse voltado para o Pai; sem o que o Espírito Santo não teria vindo ( Hans Urs Von BALTHASAR, Catholique (Paris : Arthème Fayard, 1976) 114, op. cit. in Manuel CLEMENTE, A fé do povo (Lisboa: Paulus, 2002) 36.
) .
Fazer vi(r)agem, fazer peregrinação, é pois um processo constitutivo da nossa identidade. Estamos, permanentemente a caminho. É isto que nós somos. Estamos à procura. Vivendo, amando, querendo, reflectindo, descobrimos os outros, descobrimos as estradas da vi(r)agem, e sentimos a transcendência do Mistério que nos habita e impulsiona: Deus. Viajar faz-nos criar cumplicidade: cumplicidade uns com os outros porque temos de nos ajudar mutuamente a chegar ao fim, e cumplicidade entre os lugares de onde partimos e os lugares aonde queremos chegar e aonde vamos chegando. Esta é a cumplicidade do caminho. Desta cumplicidade se faz o nosso caminho. Dentro e fora de nós. Com Deus. Com os outros. Connosco próprios.

As Tentações do Caminhante – uma parábola da vida
Diz uma história que podemos assumir como parábola da nossa vida que um velho caminheiro, de rosto já enrugado, experimentado nos caminhos da vida, com muitos quilómetros (interiores e exteriores) percorridos, partilhava, num serão à antiga, com o seu neto, um jovem cheio de vigor e entusiasmo, a sua visão e sabedoria acumulada sobre o “caminho” e as “tentações do caminhante”, a saber:
1. A tentação de caminhar sem bússola, sem saber onde se quer chegar, sem porquê, para quê ou para quem.
2. A tentação de querer chegar à meta sem ter percorrido todo o caminho, de querer a vitória sem o esforço, a felicidade sem a fidelidade diária a cada passo.
3. A tentação de fazer o caminho que todos fazem, abdicando do sentido crítico ou da própria vontade / liberdade.
4. A tentação de fazer o caminho completamente sozinho, apoiado na arrogância das próprias forças, sem aceitar a ajuda dos outros a fazer o próprio caminho.
5. A tentação de preferir os atalhos para evitar confrontos ou de fazer o percurso mais difícil ou ainda a tentação de escolher o caminho da fama sem glória.
6. A tentação de fazer o caminho carregando com a mochila com todas as “seguranças” habituais.
7. A tentação de não aceitar as leis do caminho: caminhar passo a passo, aceitar as bolhas, o suor, as quedas, dar sentido às dificuldades, fazer das adversidades oportunidades.
8. A tentação de ficar parado a meio do caminho, de o abandonar quando surgem algumas dificuldades ou de o fazer à custa dos outros.
9. A tentação de pensar que se pode fazer o caminho sem erros, desvios, sem becos sem saída.
10. A tentação de pensar que o caminho se faz sozinho, ou que Deus não se faz companheiro de caminho. A tentação de querer que Deus faça o caminho por nós ( Carlos CARNEIRO, As tentações do caminhante in Mensageiro. ) .

O caminho nosso de cada dia - reflectir as nossas caminhadas
Com os pés na estrada ou com o sentido na vida e atentos a opções, acasos, surpresas e ideais, todos caminhamos. Caminhamos na fé e caminhamos na vida. E uma e outra caminhada vão de mão dada e, se mutuamente se desafiam, também mutuamente se ajudam. Quem somos, de onde vimos e onde pretendemos chegar são questões próprias do caminhante da vida e da fé, questões próprias de quem tem ideal. Então, individualmente ou em grupo, podemos reflectir algumas questões:
- Qual é o ideal mais profundo da minha vida ? Onde pretendo chegar?
- Na vida e na fé sinto-me imobilizado ou em dinamismo permanente de renovação ?
- Caminho sempre sozinho ou sou capaz de caminhar em comunidade, nomeadamente a comunidade eclesial e paroquial ?
- Que “bagagens” preparo para as minhas caminhadas ?
- Quando foi a última vez que fiz uma peregrinação ? Como me preparei e como a vivi ? Transformou em alguma coisa a minha vida ?
- O que procuro quando peregrino ? Que diferença posso estabelecer entre um “caminhante” e um “turista” ?

Repetindo, peregrinar, caminhar, pertence à nossa condição humana. Gostamos ou não de descrever a nossa vida como uma caminhada ? Desde o nascer até ao morrer é esta a nossa condição, somos caminhantes.

P. Emanuel Matos Silva

Via Crucis '25 - Diocese PCBA Via Crucis '25 não é só uma caminhada. É uma Peregrinação com Jesus. É caminhar com os pés...
12/03/2025

Via Crucis '25 - Diocese PCB
A Via Crucis '25 não é só uma caminhada. É uma Peregrinação com Jesus. É caminhar com os pés, acompanhando outros amigos, mas é sobretudo caminhar com o coração unido a Jesus, acompanhando-O pela Via que o levou até ao Calvário, até dar a vida por mim, por ti.
Há uma data e um percurso para o teu Arciprestado mas, se não puderes nesse dia, escolhe outro.
Por favor, lê a pergunta e responde adequadamente pois precisamos de enviar os teus dados a uma Seguradora. Por favor preenche este formulário até dia 03 de março.
Por favor leva roupa e calçado adequado bem como alimentação necessária para todo o dia. Considera que temos de estar no local de partida às 9h30 e esperamos terminar entre as 16h00 e 17h00

A Via Crucis '25 não é só uma caminhada. É uma Peregrinação com Jesus. É caminhar com os pés, acompanhando outros amigos, mas é sobretudo caminhar com o coração unido a Jesus, acompanhando-O pela Via que o levou até ao Calvário, até dar a vida por mim, por ti. Há uma data e um percurs...

Quaresma 2025: quais são as datas a recordar?Os cristãos entram na Quaresma no dia 5 de março de 2025 na Quarta-feira de...
06/03/2025

Quaresma 2025: quais são as datas a recordar?

Os cristãos entram na Quaresma no dia 5 de março de 2025 na Quarta-feira de Cinzas. Os 40 dias que antecedem a Semana Santa e a Páscoa são para os crentes um tempo de conversão através da oração, penitência, jejum e esmola.

Por Marie-Liévine Michalik in La Vie,

Como todos os anos, os cristãos começam a Quaresma 40 dias antes da Páscoa (tecnicamente, 46 dias corridos, dos quais os domingos são removidos). Durante este importante tempo litúrgico, os fiéis são convidados a preparar o coração antes da ressurreição de Cristo, festa central para os cristãos. Para isso, a Igreja Católica propõe-se apoiar-se em três pilares: Oração, Jejum e ainda esmola. A cor litúrgica da Quaresma é púrpura. Este tempo marca também a última etapa para os catecúmenos que receberão o batismo na noite de Páscoa.
Porque dura a Quaresma 40 dias? Esta tradição remonta aos primeiros séculos e é inspirada por muitos episódios bíblicos. Noé, por exemplo, permanece 40 dias em sua arca enquanto o dilúvio cai sobre a terra; os hebreus vagaram por 40 anos no deserto antes de chegar à Terra Prometida; Moisés passou 40 dias na montanha antes de receber os dez Mandamentos.
Cristo, finalmente, vive 40 dias no deserto entre o seu batismo e o início da sua vida pública: 40 dias de provação, pois é lá que ele é tentado pelo diabo. Este número simboliza a experiência de longo prazo, o tempo para se recolher em si mesmo para melhor compreender, a passagem para uma nova etapa. A palavra "quaresma" também deriva diretamente desta duração simbólica, uma vez que vem do latim quadragesima que significa quadragésimo – também é por vezes referida como "quarentena", palavra que tem a sua origem na Quaresma.

5 de março de 2025: Quarta-feira de Cinzas
O período quaresmal começa com a Quarta-feira de Cinzas. Este dia é marcado por uma missa durante a qual o sacerdote impõe cinzas na testa ou na palma das mãos, como sinal de penitência. O sacerdote diz então esta frase do Evangelho segundo São Marcos (1, 15): «Convertei-vos e acreditai no Evangelho», ou então: «Lembrai-vos de que sois pó e ao pó voltarás» (Génesis 3, 19).
As cinzas são um lembrete da fragilidade do ser humano, que só está passando na terra antes de sua própria ressurreição. "Com o sinal penitencial das cinzas na cabeça, iniciamos a peregrinação anual da Santa Quaresma com fé e esperança" O Papa Francisco disse em sua mensagem para a Quaresma de 2025.

25 de março: A Anunciação
Este dia comemora a aparição à Virgem Maria do Arcanjo Gabriel, que lhe anuncia que será a mãe de Jesus, o Filho de Deus e Salvador dos homens. Uma cena que se encontra no Evangelho segundo São Lucas (1, 26-38). Em si, a festa (católica) não está ligada à Quaresma, mas pela sua data fixa cai quase sempre durante este período. Agora, como é uma solenidade, está no calendário litúrgico equivalente a um domingo e, portanto, suspende o jejum da Quaresma...

13 de abril: Domingo de Ramos
Uma semana antes do Domingo de Páscoa, realiza-se a festa do Domingo de Ramos. A Igreja celebra a entrada triunfal de Jesus num b***o em Jerusalém. Narra-se então no Evangelho que os transeuntes aclamaram Jesus com a ajuda de «folhas cortadas dos campos» (Marcos 11, 8). É por isso que os cristãos agitam ramos, buxos ou, mais simplesmente, folhagens no início da celebração. Estes são abençoados e serão mantidos até o ano seguinte, quando serão queimados para formar as cinzas da Quarta-feira de Cinzas.

17 de abril: Quinta-feira Santa
A Quinta-feira Santa marca o fim da Quaresma e o início do Tríduo Pascal. Os cristãos comemoram neste dia a Ceia do Senhor, a última ceia de Jesus com os seus discípulos, durante a qual Ele lava os pés e depois partilha com eles o pão e o vinho, que se tornarão símbolos do cristianismo.
Durante a celebração, o padre lava os pés de alguns membros da plateia. Tradicionalmente, a missa da Quinta-feira Santa não tem fim, os fiéis são encorajados a permanecer para rezar e assistir após a transferência do Santíssimo Sacramento para o altar em memória da última noite de Jesus antes da crucificação, no dia seguinte. A partir desse momento, todas as cruzes foram veladas com um pano roxo. Algumas paróquias velam-nas já no terceiro ou quinto domingo da Quaresma.
Refira-se ainda que, desde 1969, a convite do Papa Paulo VI, a Quinta-feira Santa é também a festa dos sacerdotes. São convidados a renovar o seu compromisso ao serviço da Igreja Católica.

18 de abril: Sexta-feira Santa
Os cristãos recordam a morte de Cristo na cruz na Sexta-feira Santa, às 15h. Para protestantes e católicos, é um dia especial de jejum. Em memória do Calvário vivido por Jesus, a Igreja Católica propõe uma via-sacra e uma celebração. O Sábado Santo é um dia de silêncio e escuridão.

19 de abril: Vigília Pascal
A noite que antecede a Páscoa marca a Vigília Pascal, celebrada tanto por católicos como por protestantes. A noite caiu; os fiéis acendem um grande fogo, simbolizando a ressurreição de Cristo e o retorno da luz ao mundo. É tradicionalmente durante esta noite que os catecúmenos são batizados.

20 de abril: Domingo de Páscoa
Três dias após a crucificação de Jesus, os cristãos celebram a sua ressurreição no Domingo de Páscoa. Segundo os Evangelhos, aparece primeiro a Maria Madalena, depois aos discípulos. É a maior festa para os cristãos, o culminar da sua fé.

QUARESMA UMA PEREGRINAÇÃO INTERIOR NA ALEGRIA DO ENCONTROO caminho e a peregrinação são uma realidade muito humana, um s...
06/03/2025

QUARESMA UMA PEREGRINAÇÃO INTERIOR NA ALEGRIA DO ENCONTRO

O caminho e a peregrinação são uma realidade muito humana, um símbolo da vida, um símbolo bíblico muito forte. A nossa vida é um caminhar como peregrinos, juntos, em jeito sinodal, “lado a lado, sem pisar ou subjugar o outro, sem alimentar invejas ou hipocrisias, sem deixar que ninguém fique para trás ou se sinta excluído”, como afirma o Santo Padre na sua Mensagem para esta Quaresma. O povo de Deus sempre foi e é um povo peregrino. Caminhou pelo deserto durante quarenta anos para alcançar a Terra Prometida. Moisés, para se encontrar com Deus, teve de subir ao monte Sinai, onde permaneceu quarenta dias. Elias teve o seu encontro com Deus no monte Horeb, ao qual chegou depois de quarenta dias de peregrinação, despojado de tudo e perseguido. O próprio Jesus também se revelou como Caminho e os seus discípulos, o povo cristão, especialmente nos quarenta dias da Quaresma, também peregrina, recorda de forma mais forte que é verdadeiramente um povo a caminho, não de uma meta geográfica ou do alto de uma montanha qualquer, mas de Cristo, a verdadeira e nova terra prometida, o monte iluminado, a verdade e a vida que nos conduz em direção à liberdade. Caminhar para Jesus e com Jesus significa sintonizar, comungar e viver com Ele e como Ele. Significa ligar o GPS do coração, não tanto para alcançar Cristo, mas sim para nos deixarmos alcançar por Ele. Diz-nos São Paulo: “uma coisa eu faço: esquecendo-me daquilo que está para trás e lançando-me para o que vem à frente, corro em direção à meta, para o prémio a que Deus, lá do alto, nos chama em Cristo Jesus” (Fl 3,13-14). Deixarmo-nos alcançar por Cristo é abrirmo-nos a Ele, escutar a sua Palavra, permitir que Ele nos vá modelando à sua maneira, até que, caminhando cada dia com Ele, sintamos que Ele é o Senhor. A caminhada, a corrida, a pedalada é interior. É na intimidade de cada um de nós que se há de realizar a meta do encontro, da transformação, da plena liberdade, pois a esperança não engana e é fonte de renovação.

ALGUMAS PISTAS PARA O CAMINHO

A Quaresma é o tempo privilegiado para esta peregrinação interior em direção a Jesus, fonte da Esperança e da Misericórdia. É um caminhar tanto mais necessário quanto mais se vive à flor da pele e voltados para fora. Quem suporta hoje um silêncio prolongado, um dia sem televisão, sem telemóvel, sem redes sociais, sem internet? Atraídos por tantas solicitações e provocações, esquece-se o essencial e, não raro, têm-se como únicos centros de peregrinação as superfícies comerciais e afins, tantas vezes em busca do inútil ou supérfluo. As cinzas que nos são impostas sobre a cabeça, evocam que somos pó, pobres e frágeis, são um sinal da condição débil do homem, mas são também o sinal exterior de quem se arrepende dos seus pecados e decide fazer um caminho em direção ao Senhor. A Quaresma é o tempo oportuno para fazer este caminho, um tempo prático. Nesse sentido, aponto algumas pistas para que todos, de todas as idades e condições, possamos fazer uma verdadeira peregrinação quaresmal: entra em ti, cala-te, escuta, reza, crê, ama, adora e partilha.
ENTRA EM TI. Puxa tu mesmo a aldraba da tua porta, entra e chama, chama outra vez, mais outra, pois quem procuras está lá bem dentro de ti, interioriza o trajeto para dentro e não para fora de ti.
CALA. Manda calar os ventos, as tempestades, os sentidos, as loucas imaginações, as vãs curiosidades, as fortes emoções, as insatisfações ... O silêncio, dentro e fora de ti, é importante para esse encontro.
ESCUTA. Escutar não é fácil. Por isso falamos, falamos e até falamos o que não devíamos. Abre os ouvidos do coração. A verdadeira riqueza é a palavra, a de Deus e a dos irmãos. Guarda-a dentro de ti. Procura compor com ela a melodia harmónica do perdão, da reconciliação e da paz.
REZA. Com palavras e com silêncio, com gritos e com sussurros, com lágrimas e com danças, pede e agradece, levanta para Deus as tuas mãos e o teu coração. Mantém as lâmpadas da tua fé acesas, sempre.
CRÊ. Com uma fé mais confiante e mais alegre. Deus é alegria. Alegra-te com Ele. Ri com Ele. Deus é sorriso verdadeiro. Põe a tua vida nas suas mãos. Nessas mãos em que está tatuado o teu nome (cf. Is 49,16). Uma fé mais coerente e contagiosa. Deixa-te amar.
AMA. O amor é vida, mas tens de morrer primeiro ao conformismo, ao “sempre foi assim”, à intolerância, à indiferença… Pede a Jesus que te ajude a morrer, que te ajude a amar, que te ame para que tu possas amar com o seu Amor.
ADORA. A adoração é um hino de amor e de louvor. Na adoração deixamos de viver “só” para nós próprios e abrimo-nos ao Espírito que inspira e encoraja a nossa adoração: “A adoração é um contacto boca a boca, um beijo, um abraço, um resumo de amor” (Papa Bento XVI). O próprio Cristo sabe a direção do Espírito, faz-se em nós cântico de louvor e adoração. Cristo é Ressurreição.
PARTILHA. A esperança ajuda-nos a ler os acontecimentos da história e a comprometermo-nos com a justiça e a fraternidade. A escuta da Palavra, a oração, a vigilância e o jejum motivam à partilha. Partilhar é muito mais do que dar uma esmola, é opor-se ao egoísmo, é esvaziar o eu, é pensar nos outros. Juntamente com a oração e a conversão, a partilha é um dos pilares da Quaresma. Etchegaray escreveu um dia: “Partilhar é o gesto sem calculismo de duas mãos abertas que não sabem se dão ou se recebem” e “Não há verdadeira partilha senão na pobreza, como não há verdadeira riqueza senão na partilha”. A nossa partilha, ou renúncia quaresmal, em partes iguais, destinar-se-á à requalificação da igreja de Santo Inácio na paróquia de Samayanallur, da Diocese de Madurai, do Estado de Tâmil Nadu, na Índia, cujos jovens, com cinco sacerdotes, vieram à JMJLisboa 2023 e fizeram os dias de preparação entre nós. Entretanto, essa comunidade já foi visitada por um sacerdote da nossa Diocese a convite da Comissão Episcopal para a Juventude de Tâmil, na Índia. O Fundo Diocesano de Emergência Social, gerido pela Cáritas Diocesana, será o outro destinatário dessa partilha das nossas comunidades cristãs.

SAIR A SEMEAR FLORES DE ESPERANÇA

Cristo não disse “Eu sou o costume, mas sim, Eu sou a verdade” (Tertuliano). Cristo diz eu sou novidade. Eu sou a esperança que dirige o futuro. Cristo ressuscitado ilumina e tudo recria, sobretudo quantos se aproximam d’Ele e se deixam amar, se abrem ao seu dom que é a graça e o amor de Deus Pai. Em Cristo ressuscitado, a pessoa renova-se, o mundo recria-se. O cristão sonha, trabalha e semeia flores de esperança para que o mundo floresça e se pareça com o Reino de Deus. A Igreja da Páscoa em peregrinação jubilar tem de ser dinamizadora e transcendente, encarnando e atualizando a presença permanente de Cristo Ressuscitado que atua com a força do Espírito. Quando damos razões da nossa esperança e estimulamos um novo compromisso, Cristo continua a ressuscitar. Quando unimos as nossas mãos para prestar serviços de libertação, estamos a cantar a ressurreição, pois ela não é um acontecimento do passado. É uma promessa cumprida para nós, mas não cumprida plenamente em nós. Ela “contém uma força de vida que penetrou o mundo (...) uma força sem igual. (…) Cada dia, no mundo, renasce a beleza, que ressuscita transformada através dos dramas da história. (…) Esta é a força da ressurreição” (EG 276) que trespassa a nossa vida e a nossa história. “Não fiquemos à margem deste caminho da esperança viva” (EG 278).

Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 28-02-2025.

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2200-231

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