27/09/2026
A Irmandade Militar de Nossa Senhora da Conceição de Lamego admitiu novos membros em Solene Celebração mantendo uma tradição em prol do Culto à Virgem Santa Maria, Nossa Senhora da Conceição. As Damas de Nossa Senhora da Saúde de Évora estiveram presentes em Comunhão Espiritual.
Atentamente
As Damas de Nossa Senhora
Discurso por ocasião do Jantar de Admissão de novos Membros da IMNSC
Lamego, 26 de Setembro de 2026
Vossa Excelência Reverendíssima D. Sérgio Dinis, estamos particularmente gratos e honrados com a sua presença, que tanto significado tem para a nossa Irmandade, única com carisma Militar, em Portugal. Muito obrigado;
Excelentíssimo Senhor Almirante Silva Ribeiro, é sempre um privilégio contar com a sua presença nas nossas cerimónias. Bem-haja;
Excelentíssimo Senhor Almirante Macieira Fragoso, nosso caríssimo confrade e amigo;
Excelentíssimos Senhores Oficiais Generais;
Excelentíssimo Senhor Coronel Paulo Roxo, Digníssimo Comandante do CTOE, em representação de Sua Excelência o General Chefe do Estado-Maior do Exército; uma vez mais, muito obrigado pela inexcedível colaboração prestada, garantindo que as cerimónias de hoje decorressem com a dignidade e brilho adequados;
Excelentíssimo Senhor Coronel Fernando Rocha, Digníssimo Comandante da Base Aérea n.º 8, em representação de Sua Excelência o General Chefe do Estado-Maior da Força Aérea;
Excelentíssimo Senhor Coronel Pedro da Costa, em representação de Sua Excelência o General Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, bem-vindo;
Excelentíssimo Senhor Comandante Gonzalez dos Paços, Comandante da Zona Marítima do Norte, em representação de Sua Excelência o Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, caro camarada e amigo;
Excelentíssimo Senhor Provedor da Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto, Prof. Dr. D. Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, nosso confrade;
Excelentíssimo Senhor Eng. José Correia Alves, em representação da Ordem de Malta e também nosso confrade;
Excelentíssimo Senhor Dr. Álvaro Meneses, em representação da Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém, nosso confrade;
Caríssimas confreiras, caríssimos confrades, distintos convidados.
Agradeço a compreensão de todos pelo “aconchego” em que nos encontramos, como em gíria naval se diz, por esta formatura de Inverno. As circunstâncias assim o exigiram, pois, na data-limite prevista de resposta à presença neste jantar, tivemos que informar os quantitativos previstos, e ainda se inscreveram várias pessoas, após essa data. Ainda bem que o fizeram, sinal de dinamismo e vitalidade da nossa Irmandade, contudo, alerto para que, no futuro, se procure responder em tempo, para evitar estes constrangimentos.
Neste ano em que completamos 27, desde a refundação da Irmandade Militar de Nossa Senhora da Conceição, mantivemos os compromissos assumidos: apoio à formação de um sacerdote, donativo ao fundo diocesano, ajuda à assistência aos Peregrinos de Fátima, através dos Hospitalários da Ordem de Malta, entre outros.
Relevo a participação significativa dos nossos confrades de Lamego, em diversas celebrações e eventos, da Diocese e de outros locais, procurando responder sempre, positivamente, aos convites que nos foram dirigidos.
Dirijo-me, aos novos confrades e confreiras, a quem dou as boas-vindas e agradeço, pela iniciativa e generosidade em querer testemunhar, pública e conscientemente, a vossa devoção a Nossa Senhora e participar mais activamente no serviço ao próximo.
Sem desprimor dos restantes, que sei que entenderão, permitam-me só que mencione particularmente dois dos novos confrades:
O nosso Vigário-Geral das Forças Armadas e de Segurança, Rev. Pe., Diamantino Júlio Custódio Teixeira, que logo me lançou o desafio de trazermos mais Capelães Militares para o nosso seio, contamos consigo,
E a Jovem Madalena Ponte Raposo, filha e neta de nossos confrades, envergando hoje a insígnia da Senhora sua Avó. Sempre presente, nos nossos corações.
A todos exorto que façam ouvir a sua voz para novas iniciativas. Só assim a Irmandade poderá cumprir a sua missão e razão de existir – com o contributo de todos.
Se no ano passado abordei o tema da “casa comum”, respondendo ao apelo que Sua Santidade o Papa Francisco nos lançou de promover uma ecologia integral que respeite a interconexão entre os seres humanos e o meio ambiente, pareceu-me adequado falar este ano sobre a primeira Carta Encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas, “Sobre a salvaguarda da pessoa humana na Era da Inteligência Artificial” - Peço a Vossa Excelência Reverendíssima D. Sérgio, que perdoe este atrevimento, até porque, há bem pouco tempo esteve com Sua Santidade, em Roma, acompanhado de uma distinta representação da sua Diocese das Forças Armadas e de Segurança, estando aqui presentes alguns dos elementos dessa representação. – foi com enorme alegria que pude acompanhar a partilha do vosso testemunho, de tão abençoada jornada – esta curta reflexão será apenas uma nota de um leigo, nem poderia ser mais do que isso, face à profundidade do tema, escassez de tempo e fraca preparação do interlocutor.
Primeiro, gostaria de fazer um pequeno parêntesis: acredito muito na Divina Providência, que me parece particularmente notória na eleição de quem calça as sandálias de Pedro. O Santo Padre certo no devido tempo. Desde Leão XIII, no final do século XIX, a quem o actual Papa foi buscar o nome, lembrando a importância da sua Encíclica Rerum Novarum, na doutrina Social da Igreja, enfrentando os problemas consequentes da Revolução Industrial e defendendo os trabalhadores, com foco na justiça social, na protecção do trabalho e na defesa da dignidade da pessoa humana, com propostas concretas, estabelecendo uma natural analogia com a realidade resultante da revolução acelerada que a Inteligência Artificial está a provocar: nova revolução tecnológica, incerteza no futuro, perigo de desumanização, desigualdades crescentes…
A escolha da data de lançamento da Encíclica Magnifica Humanitas, coincidindo com o 135.º aniversário da Encíclica Rerum Novarum, foi providencial, reforçando a similitude na abordagem às realidades e desafios de ambos os tempos e adequando a Doutrina Social da Igreja à actualidade, respeitando os seus valores inalienáveis.
Saliento três preocupações e desafios centrais que nos são propostos pelo Santo Padre:
1, A salvaguarda da Condição Humana. A máquina poderá ser mais eficiente, mas nunca terá alma, nem discernimento ético. O progresso científico e a investigação académica não são moralmente neutros, o que implica que o desenvolvimento tecnológico só será legítimo se visar o desenvolvimento humano integral e respeitar os limites que nos tornam humanos.
2. A Ética da Responsabilidade e do Sentido Pastoral. A Encíclica apela à Igreja que actue como guardiã da Justiça Social e da Verdade, na era digital. Perante a ameaça dos monopólios tecnocráticos, muitas vezes transnacionais, e da desinformação automatizada, somos exortados a promover uma “ecologia da comunicação”. A vulnerabilidade humana nunca poderá ser um erro de programação, sujeita a ser eliminada pelo transumanismo, é nessa vulnerabilidade que se constitui o espaço de comunhão e onde se deve exercer a acção pastoral.
3. A Governação Global e a retirada da Automação dos Conflitos. Cada vez mais os cenários de conflitualidade são híbridos, pelo que se renova o apelo ecuménico para que a Inteligência Artificial seja desarmada. A Carta condena de forma veemente o emprego de armas autónomas letais. Como se poderá manter a noção de “guerra justa”, quando as decisões de vida ou morte são tomadas por algoritmos? Urge relançar uma diplomacia multilateral e consequente. A Encíclica convoca-nos a resgatar a consciência e a responsabilidade moral intransmissível do ser humano, nos teatros de operação. Como bem sintetizou D. Sérgio Dinis, aqui presente: “a autoridade é serviço e a força só é justa quando tem alma”.
Cinco propostas concretas nos são colocadas na Encíclica:
1. “Sobre o trabalho: a IA pode desqualificar os trabalhadores, o que já sucede em muitas áreas, submetê-los a vigilância automatizada, relegando-os para funções rígidas e repetitivas, pelo que, toda a introdução de automatização terá que ser acompanhada de escolhas verificáveis de protecção do emprego e de requalificação.
2. Sobre a Educação: lança um aviso contra a cultura do imediatismo que atrofia a atenção e propõe que nos eduquemos «ao jejum da IA» para proteger o pensamento crítico e a liberdade interior das novas gerações.
3. Sobre os menores: o Papa pede intervenções legislativas que fixem limites de idade no acesso aos dispositivos digitais e responsabilizem os fornecedores de serviços.
4. Sobre as finanças: denuncia que a renda do capital corre o risco de substituir o rendimento do trabalho.
5. Sobre as armas: reafirma o princípio de que a decisão letal não pode ser delegada em processos automatizados.”
Resumindo, enfrentamos um desafio de dimensões civilizacionais. Cabe a todos nós: Ciência, Tecnologia, Forças Armadas e Segurança, e à Igreja, cooperarem para rejeitar a soberba de uma nova Torre de Babel tecnológica e isolada, mas outrossim, edificar sob a égide do Bem comum, uma Nova Jerusalém, na verdadeira civilização do amor.
Deus guarde Vossas Excelências,
Lamego, 26 de Setembro de 2026
Pedro Gil Miranda de Castro
Capitão-de-Mar-e-Guerra