10/04/2017
O MAR MORTO – 8ª POSTAGEM DA SERIE “NOSSA PEREGRINAÇÃO À TERRA SANTA”.
A EXUBERÂNCIA DO MAR MORTO E A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA.
O Mar Morto é fantástico. A paisagem sem igual, pelo menos diferente do que nós ocidentais já tenhamos visto, é certamente um dos pontos marcante de uma peregrinação a Terra Santa.
Apesar do nome, o mar morto não é mar e nem está morto. Trata-se, na verdade, de um lago formado por uma água muito salgada, sendo, por isso, chamado também de lago Asfaltite. Recebeu esse nome em função da afirmação de que, nesse local, não é possível haver vida. No entanto, sabe-se que há sim ao menos uma forma de vida habitando essas águas, a bactéria Haloarcula marismortui.
O índice de salinidade do mar morto é um dos maiores do planeta. Para se ter uma ideia, a média da quantidade de sal nos oceanos é de 35g para cada litro d’água, enquanto no Mar Morto a média é de 300g! Por causa disso, além de dificultar a proliferação de formas de vida macroscópicas, o mar morto é denso o suficiente para impedir que um corpo afunde nele, sendo possível boiar facilmente em suas águas.
Os turistas adoram flutuar nas águas do Mar Morto, que possui alguns efeitos medicinais sobre a pele, inclusive os componentes do nosso grupo fizeram isso infelizmente pelo meu estado de saúde e de minha esposa não nos foi possível, mas aproveitamos para fotografar.
O Mar Morto está localizado entre os territórios de Israel, Palestina e Jordânia, sendo alimentado, principalmente, pelo rio Jordão. Sua área é de 1020 km², antigamente tinha 82 km de extensão, lamentavelmente hoje não há mais do que 50 km e a largura que era 18 km, também reduziu consideravelmente. A elevada salinidade de suas águas deve-se a condições químicas e geográf**as. Sua localização é em uma área com clima bastante seco (semiárido ao norte e desértico ao sul), fazendo com que as águas evaporem muito rapidamente, conservando os minerais que nelas se encontravam. Outro fator é a elevada profundidade – cerca de 400m abaixo do nível do mar, a depressão mais profunda do planeta –, o que favorece o escoamento de sedimentos e minerais (entre eles os elementos químicos responsáveis por “salgar” o lago).
Ao visitar aquela região não podemos esquecer o contexto histórico: Logo ao norte do Mar Morto está Jericó. Em algum lugar, talvez na costa do sudeste, estariam as cidades mencionadas no Livro do Gênesis, que disse terem sido destruídas na época de Abraão: Sodoma e Gomorra (Gênesis 18) e os outras três “Cidades da planície” – Admá , Zeboim e Zoar (Deuteronômio 29:23). Zoar escapou da destruição, quando Ló, sobrinho de Abraão escapou para Zoar a partir de Sodoma (Gênesis 19:21-22). Antes da destruição, o Mar Morto era um vale cheio de poços de betume naturais, que era chamado de o vale de Sidim. Se diz que o rei Davi se escondeu de Saul em Ein Gedi nas proximidades.Em Ezequiel 47.8-9 há uma profecia específ**a que diz que o mar vai “.. ser curado e feito fresco”, tornando-se um lago normal, capaz de suportar a vida marinha. Uma profecia semelhante é indicada em Zacarias 14:8, que diz que “águas vivas sairão de Jerusalém, metade delas para o mar oriental (provavelmente o Mar Morto) e metade para o mar ocidental (do Mediterrâneo)”
INFELIZMENTE O MAR MORTO ESTÁ LITERALMENTE MORRENDO!
Mais de 300 anos antes de Cristo, o filósofo grego Aristóteles se espantou ao descobrir que nada afundava por lá. Até hoje o mundo inteiro quer boiar nas águas calmas e cristalinas que já foram cenário para muita história, Muita gente fina do passado e de agora foi se sujar na lama. Até mesmo Cleópatra, rainha do antigo Egito, foi conhecer o Mar Morto, pensando nos benefícios dos minerais para saúde dela. São concentrações altíssimas de magnésio, potássio, cálcio. Os tesouros que o Mar Morto vai pouco a pouco depositando nas margens.
Em uma das regiões mais secas do mundo, três países sedentos: Israel, Síria e Jordânia bebem grande parte da água que deveria repor a evaporação natural do Mar Morto. Desviam o Rio Jordão e outros afluentes, principalmente para irrigação. Retiram água do próprio Mar Morto para indústrias de fertilizantes e represam a água rara das chuvas para levar para as usinas. Mas a água que escorre pelos desertos depois das chuvas f**a tão salgada que precisa passar por um processo complicado de filtragem, dessalinização.
"A Jordânia é um dos países mais pobres em termos de água. Por isso, não desperdiçamos nada aqui", diz o gerente da usina, Ibrahim Ghandour, ele explica que a água que em qualquer outro país seria jogada fora é filtrada de novo e reaproveitada. O sistema de tubos inverte o processo natural e separa o sal da água. Ele diz que a água que eles usam iria toda para o Mar Morto, mas se defende: "As necessidades da população são maiores que as do Mar Morto".
E assim, para matar a sede alheia, o grande lago vai encolhendo, recebendo menos da metade do que precisaria para sobreviver, o Mar Morto tem baixado 1,1 metro por ano.
De uma hora para a outra, a consequência deste esvaziamento do Mar Morto foi surpreendente. Começaram a surgir por todos os lados buracos gigantescos. Uma triste consequência da ação do homem sobre a natureza. A ambientalista Gundi Shachal chegou lá há mais de 40 anos. Viu, pouco a pouco, a praia que ela frequentava ser tomada pelos abismos. Crateras gigantescas que simplesmente surgem em questão de segundos.
"Quando o nível do Mar Morto baixa, a água que vem das montanhas avança pelo subsolo e dissolve tudo o que encontra pela frente. Surgem grandes buracos no interior da terra. Até que, de repente, o chão desaba", conta a ambientalista.Surgem buracos enormes, às vezes com mais de 20 metros de profundidade. No fim das contas o que acontece é que os buracos vão se juntando e de novo forma-se um lago. Mas isso não é necessariamente uma boa notícia.
Depois de meio século matando o Mar Morto de sede, os governantes dos países da vizinhança finalmente acordaram. E o que parecia impossível aconteceu: eles concordaram. Israelenses, palestinos e jordanianos conseguiram fechar um acordo e vão usar a água do Mar Vermelho pra, ao mesmo tempo, matar a sede da população e salvar o mar morto. Pelo projeto aprovado em 1914, a água bombeada do Mar Vermelho vai ser levada a usinas de dessalinização na beira do Golfo de Aqaba e dali vai seguir em tubos, até uma central de distribuição.
Mas, os ambientalistas dizem que a conta não fecha. O Mar Morto precisa de 800 bilhões de litros de água por ano e, por enquanto, só vai receber 100 bilhões. "Eu acho que 100 bilhões de litros de água não vão salvar o mar morto. Vão diminuir a velocidade do esvaziamento do Mar Morto por dez centímetros por ano. Não vão parar o esvaziamento, não vão trazer o Mar Morto de volta de jeito nenhum", diz Gundi Shachal. Para que isso acontecesse, seria preciso revitalizar o Rio Jordão e os outros afluentes do Mar Morto. E as indústrias de fertilizantes teriam que tirar menos água de lá. Jordanianos, israelenses e palestinos sabem que ainda vão ter que concordar muitas outras vezes. Vão precisar de pelo menos US$ 10 bilhões adicionais pra trazer ainda mais água do Mar Vermelho pro quase Morto.
Acho que vale apena qualquer esforço do homem para tentar salvar o quase morto!