Igreja católica de Kusatsu/minakuti

Igreja católica de Kusatsu/minakuti Sejam bem vindos,missas em português todos os segundos e terceiros domingo do mês as 14:00 horas

Lembrancinha para os pais 🙏🏼
17/08/2026

Lembrancinha para os pais 🙏🏼

16/08/2026

O dia mais feliz na vida da Virgem Maria

“Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra”: na obediência da fé começou a bem-aventurança de Maria. Também nossa verdadeira felicidade começa no “sim” a Deus. Peçamos a Nossa Senhora que nos ensine essa mesma entrega, pois sem confiança e dependência de Deus não podemos ser verdadeiramente felizes.

A Igreja celebra neste domingo a Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria, que, terminados os seus dias na terra, subiu de corpo e alma ao Céu, onde vive gloriosa com seu Filho, Jesus. O lugar da glória em que Nossa Senhora está sentada — para usar a linguagem da Escritura — é muito superior ao de todos os santos e anjos juntos. Sim, ela está abaixo de Jesus, mas acima de todos os demais bem-aventurados.

No Céu, os santos e os anjos contemplam como Maria é singularíssima, unida desde sempre a Cristo por um mistério que, em teologia, chama-se união hipostática. Eles veem a glória de Deus, na qual consiste a bem-aventurança essencial de todos, mas gozam ainda de uma felicidade adicional: contemplar a glória da Santíssima Virgem.

Esse mistério, que para nós é motivo de festa uma vez por ano, é motivo de alegria permanente no Céu. Os santos e os anjos exultam e exultarão por toda a eternidade pela bem-aventurança de nossa Mãe Santíssima. Celebrar a Assunção de Nossa Senhora é celebrar o dia mais feliz de toda a sua existência, quando ela finalmente alcançou tudo aquilo que desejava. Sua felicidade tornou-se plena, assim como plena era ela da graça divina.

No Evangelho de hoje, Maria exulta de alegria no hino do Magnificat: “A minha alma engrandece o Senhor, e exulta o meu espírito em Deus, meu Salvador.” Contudo, o que ela proclamava na casa de Isabel era ainda a profecia de uma felicidade que alcançaria plenamente somente no dia da Assunção. Por isso, entre todas as festas marianas, esta é a que celebramos com maior júbilo, pois foi o dia mais feliz de nossa Mãe. E que filho não se alegraria ao contemplar a felicidade perfeitíssima de sua mãe?

Para celebrar esse mistério de modo concreto, é preciso meditar sobre a verdadeira natureza da felicidade. Em que sentido Nossa Senhora foi e continua sendo plenamente feliz?

Tudo o que existe foi criado com uma finalidade. As coisas realizam-se quando atingem o fim para o qual foram feitas. O olho existe para ver; o ouvido, para ouvir; a mão, para tocar, segurar, criar, acariciar. Cada realidade possui uma finalidade objetiva.

Mas qual é a finalidade do nosso coração, isto é, da nossa alma? Seria justamente o ser humano a única criatura sem um fim determinado? Eis um dos grandes dramas do nosso tempo. Muitos acreditam que a felicidade consiste simplesmente em cada pessoa escolher livremente aquilo que julga capaz de realizá-la.

Entretanto, isso não corresponde à realidade. O estômago foi feito para digerir alimentos; o intestino, para absorver nutrientes. O corpo possui necessidades objetivas. Não somos nós que decidimos arbitrariamente quais vitaminas são necessárias para permanecermos saudáveis.

Da mesma forma, mascar chiclete pode ser agradável, mas não alimenta. Nenhum pai responsável deixaria um filho escolher sozinho toda a sua alimentação, pois logo surgiriam doenças e carências nutricionais. A realidade impõe exigências objetivas.

Assim também acontece com a alma. Existem bens capazes de alimentá-la e conduzi-la à verdadeira felicidade, e não depende de nossa vontade decidir quais sejam esses bens.

Santo Agostinho exprime essa verdade logo no início das Confissões: “Senhor, fizeste-nos para Vós, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousa em Vós.” Nossa felicidade encontra-se somente em Deus, e isso vale para todo ser humano.

Tudo o mais pode proporcionar alegrias passageiras, mas jamais uma felicidade plena e duradoura. Muitos procuram essa felicidade no dinheiro, no sucesso ou nos prazeres deste mundo. A própria história da humanidade demonstra, porém, que nenhum desses caminhos consegue satisfazer definitivamente o coração humano.

Se ainda nos custa perceber isso pela experiência ou pela razão, acolhamos ao menos o ensinamento da Revelação, da Igreja e dos santos. Todos testemunham unanimemente que a felicidade deste mundo é limitada e imperfeita. Fomos criados para um Bem infinitamente maior: o próprio Deus.

Seria uma enorme imprudência desperdiçar a única vida que possuímos tentando descobrir, por experiência própria, se existe felicidade longe de Deus. Muitos já percorreram esse caminho antes de nós e testemunham que ele conduz ap***s ao vazio.

Por isso, escutemos aqueles que foram mais santos e mais sábios. Eles nos ensinam que o nosso verdadeiro tesouro está no Céu. Como dizia Santa Teresa d'Ávila, nascemos para Deus. Somente Ele é a nossa bem-aventurança.

Qualquer felicidade experimentada nesta terra só é verdadeira na medida em que prepara e conduz à felicidade perfeita da visão de Deus.

Basta olhar ao nosso redor para perceber o drama de tantos homens e mulheres que adoecem tentando construir um paraíso terreno. Quem pretende fazer deste mundo o paraíso acaba transformando-o em inferno. Surgem acusações mútuas, frustrações e divisões, porque todos esperam encontrar nas criaturas aquilo que somente Deus pode oferecer.

Vivemos, assim, culpando uns aos outros pela própria infelicidade: o marido culpa a esposa, o empregado culpa o patrão, o governante culpa a oposição, e a oposição culpa o governo. O resultado é uma humanidade inquieta, que se destrói mutuamente procurando uma felicidade onde ela simplesmente não existe.

Entretanto, recebemos uma maravilhosa Boa-nova. Deus é infinitamente feliz. O Pai, o Filho e o Espírito Santo vivem na plenitude da felicidade. E Deus não quis guardar essa felicidade ap***s para Si. Em seu amor, veio ao nosso encontro em Jesus Cristo para tornar-nos participantes da sua própria vida.

Nossa Senhora foi a primeira a acolher esse dom ao responder: “Eis aqui a serva do Senhor.”

Também nós podemos acolher essa felicidade. O primeiro passo é exatamente o mesmo dado por Maria: a fé. Quando o Anjo lhe anunciou o mistério da Encarnação, ela acreditou. Por isso Isabel proclama no Evangelho: “Bem-aventurada aquela que creu.”

Não somos capazes de alcançar sozinhos a felicidade. Foi a própria felicidade que veio ao nosso encontro. A fé é a porta pela qual ela entra em nossa vida. Por isso, a primeira bem-aventurança do Evangelho é precisamente a bem-aventurança da fé.

Maria tornou-se bem-aventurada porque acreditou. Sua fé foi maior do que a de Abraão e de todos os santos. Ela permanece para nós o modelo perfeito da fé pela qual começa a verdadeira felicidade.

Entretanto, a felicidade iniciada pela fé ainda não era definitiva. Enquanto peregrinava neste mundo, Maria caminhava na fé, mas ainda não contemplava Deus face a face.

A Carta aos Hebreus ensina que a fé já nos faz possuir antecipadamente os bens futuros. Nossa Senhora iniciou esse caminho pela fé e o concluiu gloriosamente na Assunção, quando passou da fé à visão beatífica.

O que significa, afinal, ser feliz? É possuir o bem. E a felicidade perfeita consiste em possuir o Sumo Bem, que é Deus, para sempre.

Maria, elevada em corpo e alma ao Céu, contempla eternamente a glória divina. Nela cumprem-se plenamente as palavras do Cântico dos Cânticos: “Eu sou do meu amado e o meu amado é meu.” Sua felicidade consiste nessa posse recíproca: pertencer totalmente a Deus e possuir plenamente Aquele que é o Bem infinito.

Enquanto celebramos a vitória de nossa Mãe Santíssima, comecemos também nós a preparar nossa própria bem-aventurança, seguindo o mesmo caminho que ela percorreu: o caminho da fé.

Nenhum olho jamais viu, nenhum ouvido jamais ouviu, nenhum coração pressentiu o que Deus preparou para aqueles que o amam. Tenhamos fé. Existe uma felicidade eterna preparada para nós no Céu.

Ó Mãe bendita, vós que neste dia alcançastes, em corpo e alma, a felicidade perfeita e eterna do Céu, olhai compassiva para os vossos filhos que ainda peregrinam nesta terra. Alcançai-nos uma fé cada vez mais firme, uma esperança inabalável e uma caridade ardente, para que um dia contemplemos a Deus convosco e pertençamos para sempre Àquele que deseja dar-se inteiramente a nós. Amém.

Nota
São chamados na Escritura de felizes ou bem-aventurados (gr. μακάριοι; lat. beati) aqueles que recebem de Deus algum benefício especial ou uma graça inteiramente gratuita, sobretudo quando essa graça está ordenada à vida eterna.
Deus abençoe você!

16/08/2026

Homenagem aos pais 🙏🏼

Benção dos pais 🙏🏼
16/08/2026

Benção dos pais 🙏🏼

03/08/2026

Onde está a nossa confiança?

Quando sentiu o vento, Pedro ficou com medo e começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”

Meditação

No Evangelho de hoje, São Pedro caminha sobre as águas, começa a afundar, pede socorro a Jesus e ouve do Senhor esta repreensão: “Homem de pouca fé, por que duvidaste?” É sobre esse episódio que somos convidados a meditar.

Não há motivo para duvidar da historicidade desse acontecimento. Somente São Mateus relata a caminhada de Pedro sobre as águas, mas isso, longe de enfraquecer sua credibilidade, torna-a ainda mais significativa. O mesmo evangelista que apresenta Pedro como a pedra sobre a qual Cristo edificaria a sua Igreja não teria motivo algum para inventar um episódio que expusesse sua fraqueza.

São Mateus costuma retratar São Pedro de forma muito honrosa: é ele quem registra com riqueza de detalhes a profissão de fé do Apóstolo e a promessa do primado petrino. Justamente por isso, o relato de seu fracasso só pode ser entendido como o testemunho sincero de um fato que realmente aconteceu.

Mas, se esse acontecimento foi histórico, por que Jesus permitiu que acontecesse? Porque todos os gestos de Cristo possuem uma finalidade salvífica. Nada do que Ele fez foi sem propósito. Cada acontecimento do Evangelho continua falando a nós hoje e foi realizado tendo em vista também a nossa conversão.

Quando Jesus caminhou sobre as águas, aproximou-se da barca durante a madrugada e permitiu que Pedro passasse por essa prova, Ele já pensava em cada um de nós. Sua vida inteira foi vivida por amor a nós e para a nossa salvação.

Por isso, ao lermos essa passagem, devemos fazê-lo com a consciência de que também estávamos presentes no Coração de Cristo. Tudo aquilo aconteceu para iluminar a nossa própria caminhada de fé.

O Evangelho começa mostrando Jesus subindo sozinho ao monte para rezar, enquanto envia os discípulos para atravessar o lago. Essa imagem nos leva a uma pergunta importante: por que o Senhor permite que atravessemos mares tão agitados ao longo da vida?

À primeira vista, poderíamos imaginar que Jesus nos deixou sozinhos diante das tempestades da história, das crises da Igreja e das dificuldades pessoais. No entanto, essa impressão não corresponde à realidade.

Se Cristo permite as provações, é porque é infinitamente bom. Deus jamais permitiria um mal se dele não pudesse tirar um bem ainda maior. Essa certeza deve sustentar nossa esperança em todos os momentos difíceis.

As tempestades que hoje atingem a Igreja, os ventos contrários que experimentamos em nossa vida espiritual e as inúmeras provações do mundo não são sinais do abandono de Deus. São realidades permitidas por Aquele que continua conduzindo tudo com sabedoria e amor.

Enquanto os discípulos enfrentam o vento e as ondas, Jesus vem ao encontro deles caminhando sobre as águas. O problema não é sua ausência, mas a dificuldade dos discípulos em reconhecê-lo. Eles imaginam estar vendo um fantasma.

Também nós, muitas vezes, interpretamos equivocadamente a ação de Deus. Em vez de reconhecer sua Providência, deixamo-nos dominar pelo medo e pela impressão de abandono.

Jesus, porém, dirige-lhes uma palavra que deveria bastar para restaurar toda confiança: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo.”

Essa mesma palavra continua sendo dirigida a cada um de nós. Quando a vida parece ameaçar naufragar, quando os ventos sopram contra a barca da Igreja ou contra a nossa própria existência, Cristo continua dizendo: “Sou eu. Não tenhais medo.”

Entretanto, Pedro deseja uma confirmação extraordinária. Em vez de confiar simplesmente na Palavra de Jesus, pede um sinal: “Se és tu, manda-me ir ao teu encontro caminhando sobre as águas.”

Percebe-se aí uma sutil fraqueza de sua fé. Jesus já havia dito claramente quem era, mas Pedro ainda buscava uma prova extraordinária para confirmar aquilo que deveria simplesmente acreditar.

Enquanto mantém os olhos fixos em Cristo, consegue caminhar sobre as águas. Mas, ao perceber a força do vento, começa a afundar.

Também nós corremos esse risco quando depositamos nossa confiança mais nos milagres, nos sinais extraordinários ou nas circunstâncias favoráveis do que na Palavra do Senhor.

A verdadeira fé não depende de prodígios. Ela permanece firme mesmo quando o vento continua soprando e as ondas parecem ameaçar a embarcação. A segurança do cristão repousa na fidelidade de Cristo, e não na ausência de dificuldades.

É essa fé que sustenta a Igreja. Ela permanece firme não porque as tempestades desapareçam, mas porque foi edificada sobre a confiança em Cristo, que prometeu que as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela.

Muitas vezes tudo parece indicar o contrário. Parece que Jesus está distante. Parece que a Igreja vacila. Parece que fomos abandonados. Contudo, tudo isso pertence ap***s ao plano das aparências.

A realidade mais profunda é que Cristo continua cuidando de nós como da pupila de seus olhos. Nenhum detalhe de nossa vida escapa ao seu amor providente.

E, se a vida não corresponde aos nossos projetos, talvez não seja a Providência divina que precise mudar, mas os nossos sonhos. Somos chamados a aprender os sonhos de Deus e a confiar que seus caminhos, ainda quando nos pareçam incompreensíveis, são sempre infinitamente melhores do que os nossos.

A vontade de Deus não precisa ser corrigida nem aperfeiçoada. Ela é expressão perfeita de sua bondade e de seu amor por cada um de nós.

Peçamos, portanto, ao Senhor e à intercessão de São Pedro a graça de uma fé maior. Que deixemos de acreditar ap***s naquilo que sentimos e passemos a confiar verdadeiramente na Palavra de Cristo, sem nos deixarmos dominar pelos medos, pelas aparências ou pelos fantasmas que tantas vezes perturbam o nosso coração.

Ouçamos novamente a voz do Senhor: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo.”
Deus abençoe você!

02/08/2026

As quatro notas do verdadeiro amor

Mais do que meros afetos, Deus tem para conosco um amor efetivo, que quer e opera a nossa salvação. Conheça nesta pregação, a partir do exemplo de Nosso Senhor, as quatro qualidades necessárias para que também o nosso amor seja eficaz.

Meditação. — O Evangelho deste domingo nos apresenta o famoso episódio da multiplicação dos pães. Das três versões desse milagre narradas pelos Evangelhos Sinóticos, a de São Mateus corresponde, segundo São Tomás de Aquino, à mesma narrada por São João. Isso significa que o acontecimento ocorreu poucos dias antes da celebração da Páscoa e, portanto, aproximadamente um ano antes da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Temos, assim, a oportunidade de contemplar o amor de Jesus, do qual, como recorda São Paulo, “nem a morte, nem a vida” poderá separar-nos (Rm 8,38).

O amor de Deus é, antes de tudo, um amor efetivo, porque realiza concretamente o bem daquele que é amado. Esse amor possui quatro características fundamentais: é extático, unitivo, dedicado e elevante.

O amor é, antes de tudo, extático, isto é, faz a pessoa sair de si mesma para voltar-se ao outro. Quem ama esquece-se de si para atender às necessidades da pessoa amada, como uma mãe que, mesmo cansada, prontamente acode ao choro do filho. De maneira infinitamente mais sublime, Deus, por assim dizer, saiu de si ao encarnar-se para vir ao encontro da humanidade.

Recordemos as palavras de Santo Irineu de Lião, citadas pelo Catecismo da Igreja Católica: “O Verbo de Deus habitou no homem e fez-se Filho do Homem, para acostumar o homem a apreender Deus e Deus a habitar no homem, segundo o beneplácito do Pai” (CIC 53).

O amor de Deus é também unitivo, pois Ele deseja unir-se a nós. No Evangelho de São Lucas, Jesus manifesta esse desejo ao dizer: desiderio desideravi, “ardentemente desejei” celebrar a Páscoa com seus discípulos (Lc 22,15). O Senhor procura a mais perfeita das uniões: a comunhão dos corações.

Em termos filosóficos, essa união consiste em querer as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas (idem velle, idem nolle). Quando duas pessoas possuem uma mesma inteligência iluminada pela verdade e uma mesma vontade orientada para o bem, estabelece-se entre elas uma amizade profunda.

Num mundo tão marcado pela sensualidade, costuma-se pensar que a união mais profunda entre duas pessoas seja a união sexual. Entretanto, essa união, por si só, não basta e facilmente se desgasta. Casais que partilham um ideal mais elevado, como a educação dos filhos ou a busca da santidade, experimentam uma comunhão muito mais profunda, porque suas inteligências e vontades caminham na mesma direção.

Também Deus deseja ser nosso amigo. Por isso, revela-se a nós por meio da Sagrada Escritura, dos milagres, dos ensinamentos e de toda a economia da salvação. Cristo desperta em nosso coração o desejo de procurá-lo, deixando nele verdadeiras “feridas de amor”.

Na aridez da oração, devemos reconhecer esse deserto onde Cristo parece ocultar-se. Perseverando na busca, com a inteligência iluminada pela fé e a vontade fortalecida pela graça, encontraremos uma união cada vez mais profunda com Ele.

Essa união manifesta-se admiravelmente na comunidade cristã de Jerusalém, da qual os Atos dos Apóstolos afirmam: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” (At 4,32). Unidos pelo Espírito Santo, todos passaram a viver da mesma fé, do mesmo amor e da mesma esperança.

O amor divino é igualmente dedicado. Cada membro daquela comunidade colocava-se a serviço das necessidades dos irmãos. Assim também Cristo dedicou-se inteiramente a nós, entregando sua própria vida para tornar-nos filhos de Deus e conduzir-nos à salvação.

Por fim, o amor de Deus é elevante, porque nos transforma interiormente e nos torna participantes da natureza divina. É um amor que nos eleva acima de nossa condição, fazendo-nos experimentar, já nesta vida, um antegozo da felicidade do Céu.

Essas quatro características do amor divino devem permanecer gravadas em nosso coração. À luz delas, façamos frequentemente nosso exame de consciência, perguntando-nos se estamos realmente amando como Cristo nos amou e permitindo que a caridade de Cristo (caritas Christi urget nos) nos impulsione a buscar, acima de tudo, a salvação eterna de nossos irmãos.

Oração. — Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação e conservando-a renovada. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
Deus abençoe você!

24/07/2026

A parábola do semeador e a nossa vida interior

O Evangelho segundo São Mateus, condensando de forma admirável os três anos de ministério público de Nosso Senhor, tem sempre algo a nos ensinar sobre a caminhada de fé que todos devemos percorrer. Na leitura de hoje, é na conhecida parábola do semeador que Cristo irá nos explicar quais etapas temos de superar até nos tornarm...

Jesus, que ontem falava às multidões incrédulas sob o véu das parábolas, dirige-se hoje aberta e claramente aos discípulos fiéis e explica-lhes o sentido da parábola do semeador (cf. Mc 4, 1-20; Lc 8, 4-15). Os vários tipos de terreno em que pode cair a semente da palavra do Reino correspondem às diversas etapas por que temos de passar em nossa caminhada espiritual. O que recebe a semente à beira do caminho assemelha-se à alma que, embora tenha ouvido a palavra, não quis meditá-la, que crê sem ter vida de oração. É por isto que o Maligno, simbolizado pelos pássaros e aves do céu (cf. Mt 13, 4; Mc 4, 4; Lc 8, 5), vem e arranca sem dificuldade o que nela foi semeado. O terreno pedregoso representa os que, tendo acolhido com alegria a palavra ouvida, buscam a Cristo na intimidade da oração; mas, por não terem raízes, isto é, por não terem verdadeira perseverança, deixam-se levar pelos ventos de um entusiasmo passageiro e, inconstantes, sucumbem na primeira provação. Neles, a semente chega a brotar; logo, porém, que o sol nasce, queima-se e morre. "O terreno que recebeu a semente entre os espinhos", diz o Senhor, "representa aquele que ouviu bem a palavra" e, já um pouco provado na vida interior, ainda tem de lutar contra os espinhos das distrações e dos cuidados mundanos, que tornam infrutíferos os nossos momentos de oração. A estes, é necessário a lembrança da constante presença de Cristo, nosso único amor, nossa única luz, abismo de virtudes e desejo das colinas eternas. Se perseverarem, tomada de assalto a vida espiritual, tornar-se-ão terra boa, em que a palavra é semeada e produz fruto: "cem por um, sessenta por um, trinta por um", conforme as disposições de cada alma e o beneplácito de Deus. Roguemos, pois, a Nosso Senhor que nos dê hoje, pelas mãos de Maria SS., constância na vida interior e a graça de crescermos cada dia mais na fé, na esperança e na caridade.
Deus abençoe você!

17/07/2026

Ele veio para nos restaurar

“Ele não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega, até que faça triunfar o direito.”

No Evangelho de hoje, vemos uma citação do Profeta Isaías aplicada a Jesus. É interessante notar que o Evangelho de São Mateus, segundo a tradição, foi escrito para cristãos oriundos do judaísmo, pessoas que receberam uma preparação espiritual por meio da Lei e dos Profetas.

Durante todo o Antigo Testamento, Deus preparou a vinda de seu Filho. A Lei e os Profetas falavam de Cristo. Por isso, São Mateus faz numerosas referências às Escrituras antigas, demonstrando que Jesus é verdadeiramente o Messias esperado por Israel.

A citação presente no Evangelho de hoje, porém, não trata diretamente do Messias enquanto rei ou libertador, mas de uma figura misteriosa descrita por Isaías: o Servo sofredor. Diz o profeta: “Eis o meu servo que escolhi; o meu amado, no qual está meu agrado” (Is 42,1).

Essas palavras recordam imediatamente a manifestação do Pai no Batismo de Jesus: “Este é o meu Filho muito amado, no qual coloquei toda a minha afeição” (Mt 3,17). Também o Espírito Santo é mencionado por Isaías: “Farei repousar sobre ele o meu espírito, e ele anunciará às nações o direito” (Is 42,1).

No início do Evangelho de São Mateus, Jesus ordena aos Apóstolos: “Não ireis aos pagãos; ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10,5-6). Contudo, o mesmo Evangelho mostra que essa missão inicial aos judeus estava destinada a expandir-se para todas as nações.

Para nós, isso é motivo de grande consolação. Não pertencemos ao povo judeu segundo a carne; somos as nações gentias às quais também foi anunciada a salvação. Desde o Antigo Testamento, Deus já pensava em nossa conversão e preparava a vinda de seu Filho para nos alcançar com sua graça.

Mas Cristo não veio para destruir ou condenar. Diz o profeta: “Ele não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá sua voz nas praças” (Is 42,2). Antes de tudo, Ele deseja falar ao coração humano, atraindo-o com mansidão e verdade.

Continua Isaías: “Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega” (Is 42,3). Isso significa que Cristo não despreza a fragilidade humana. Pelo contrário, aproveita o pouco bem que ainda existe em nós para restaurar-nos e conduzir-nos à perfeição.

Por isso, não devemos desanimar. Ainda que sejamos fracos, ainda que a chama da fé pareça pequena e vacilante, Nosso Senhor não veio para extingui-la, mas para fazê-la crescer. Ele não veio para quebrar o caniço rachado, mas para curá-lo; não veio para apagar o pavio fumegante, mas para transformá-lo numa chama viva de amor e santidade.
Deus abençoe você!

14/07/2026

“Ai de ti!”

A ira e a misericórdia são as duas formas em que se expressa o único e infinito amor de Deus. Ele, que por pura bondade premia os justos com a alegria eterna do Céu, castiga também os maus com as p***s intermináveis do Inferno.

Jesus mostra-nos hoje como se arriscam a perecer no fogo do Inferno os que rejeitam a Ele e a pregação dos Apóstolos. Lembremo-nos, antes de mais, que o contexto em que está inserido este Evangelho é o sermão com que Jesus dá aos discípulos, escolhidos há pouco, as instruções sobre como levar a Palavra ao restante de Israel. "Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida", recrimina Ele as cidades impenitentes, que, tendo visto uma multidão de prodígios e escutado as maravilhas da pregação evangélica, não quiseram converter-se. "Por isso te digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Sodoma do que para ti". E o diz Aquele que poucos versículos à frente irá declarar: "Eu sou manso e humilde de coração" (Mt 11, 29). Pois a ira de que o Senhor é aqui tomado contra os que O rejeitam nada mais é do que uma manifestação de sua entranhada misericórdia. É por amar-nos e querer-nos sentados à mesa do banquete celestial que Ele nos adverte: "Serás jogada no inferno!"; é por ter-nos tão presentes em seu Coração adorável e Sagrado que Ele não poupa palavras, duras mas verdadeiras, para espicaçar a nossa consciência e fazer-nos acordar para a dramática situação em que nos pomos ao desprezá-lO: "Acaso serás erguida até o céu? Não!" Como filhos bons e obedientes, ouçamos com temor as censuras justíssimas que hoje, por boca de seu Filho unigênito, nos dirige o Pai altíssimo, que premia os bons com a felicidade eterna do Céu e castiga os maus para sempre com as p***s intermináveis do Inferno. Não percamos tempo; convertamo-nos nesta hora de misericórdia, antes que chegue o momento da justiça. — Santa Maria, Mãe de Deus, Virgem clemente, rogai por nós!
Deus abençoe você!

12/07/2026

Como acolhemos o Evangelho

“A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta” (Mt 13, 23)

Queridos irmão e irmãs, neste 15º domingo do tempo comum a liturgia da Missa nos apresenta a Parábola do Semeador.

Esta é a primeira das parábolas conhecidas como "parábolas do Reino". O que é o Reino de Deus? O "Reino de Deus" — conceito central na pregação de Jesus — significa nada menos do que aquilo que Deus preparou para cada pessoa (embora isso não signifique que todos o alcancem). Segundo Jesus, é algo que começa já nesta vida ("O Reino de Deus está no meio de vós", Lc 17,21). Jesus é Deus encarnado, que veio precisamente para nos trazer essa realidade — identificada com a graça santificante — que Ele conquistou para nós e nos concedeu por meio de Sua Palavra e de Sua Paixão. Essa graça santificante é como uma semente que produz dois frutos: 1) nesta vida, o fruto da santidade e da filiação divina; 2) na vida futura, como continuação dessa obra já iniciada, ela nos concederá a alegria sem fim.

Essa realidade era um conceito difícil de compreender para os judeus que seguiam Jesus; por isso, o Senhor — grande mestre e educador — recorreu a uma comparação, ou parábola, que ilustrava especificamente a maneira como nossos corações recebem o Evangelho da graça que Ele pregava. Aqueles homens e mulheres, pessoas práticas oriundas de uma terra agrária como a Palestina daquela época, podiam compreender prontamente esse mistério apresentado por meio da figura familiar do semeador.

O semeador lança a semente, e alguns grãos caem à beira do caminho — pois, naquela época, o campo não era separado da estrada nem por muros nem por cercas vivas — e assim tornam-se alimento para as aves. Na Palestina, especialmente nas encostas onde cada palmo de terra é aproveitado, o solo fértil é frequentemente cercado por rochas; o semeador evita essas áreas rochosas, mas, inevitavelmente, algumas sementes caem onde a rocha está coberta ap***s por uma fina camada de terra. Ali, o grão brota rapidamente, mas é com a mesma rapidez ressecado pelo sol. Há também espinhos, e parte das sementes cai entre eles, acabando logo sufocada. Finalmente, grande parte cai em solo fértil, produzindo trinta vezes mais — ou, de fato, como diz o Senhor, às vezes cinquenta ou cem vezes mais.

Contudo, por trás dessa analogia — bem conhecida e facilmente compreendida por seus ouvintes —, Jesus pretendia apontar para uma outra realidade. Jesus Cristo é um grande psicólogo — na verdade, o maior dos psicólogos —, pois somente Ele conhece o homem não ap***s pelo que se revela externamente, mas por conhecer o que reside em seu interior. Como o Evangelho frequentemente registra, Ele sabia o que seus inimigos pensavam e o que havia no coração de seus discípulos. E esse grande psicólogo — esse profundo conhecedor do coração humano — classificou as pessoas em quatro grupos, com base na atitude delas diante do evento mais transcendente na vida de qualquer pessoa: a revelação divina.

De fato, para cada pessoa — para cada um de nós — chega, ou talvez venha a chegar, um momento em nossas vidas em que vemos essa realidade da Revelação irromper sobre nós. Ou seja, se a nossa vida é verdadeiramente racional e responsável, é impossível não colocarmos a questão essencial sobre o centro da nossa fé: o Evangelho. Chamamo-nos cristãos porque cremos em Cristo segundo o que o Evangelho nos diz a Seu respeito e segundo o que Ele mesmo nos disse no Evangelho. Assim, o Evangelho é, ao mesmo tempo:

1) uma mensagem de alegria e esperança, pois Deus nos redimiu do pecado, concedeu-nos o dom de Seu Filho Unigênito — que morreu por nós na Cruz e venceu o diabo e a morte por meio de Sua Ressurreição;

2) mas é também uma exigência, um chamado a um modo de vida que imita Cristo; e, para nós, isso significa conversão constante. Todos sabemos que conhecer o Evangelho sem colocá-lo em prática de nada nos serve, e que praticá-lo sem renunciar a muitas coisas — sem assumir a luta contra o pecado — é impossível. Portanto, diante dessa realidade da qual não há como escapar, qual é — ou qual deve ser — a nossa resposta?

Jesus diz que quatro respostas diferentes são possíveis, representando (caracterizando) as quatro categorias de pessoas:

1) O homem que se recusa a ouvir ou permanece indiferente: "sempre que alguém ouve a palavra do Reino e não a compreende, o Maligno vem e rouba o que foi semeado em seu coração; esta é a semente semeada à beira do caminho". É um homem que foi despojado: o segredo de sua felicidade lhe foi roubado — ou melhor, ele permitiu que lho roubassem. Esse homem representa todos aqueles que vivem no pecado sem o desejo de abandoná-lo. Ele conhece a verdade; sabe o que Cristo ensina e o que o Evangelho e a Igreja dizem a respeito do pecado, do adultério, do matrimônio, do trabalho cristão, da necessidade dos sacramentos, da educação dos filhos, da castidade, e assim por diante. Contudo, prefere permanecer nesse modo de vida pecaminoso. Nele, a graça não consegue criar raízes — nem sequer a menor raiz.

2) A pessoa inconstante: "Aquela que foi semeada em solo rochoso é a pessoa que ouve a palavra e imediatamente a recebe com alegria, mas não tem raiz em si mesma e é inconstante; de modo que, assim que surge a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, ela se escandaliza." Essa é a pessoa que começa a viver o Evangelho — uma vida verdadeiramente cristã, uma vida de sacramentos e formação espiritual — com alegria, mas que abandona tudo ao perceber que isso implicará momentos difíceis. Quantas vezes nós mesmos começamos algo, ap***s para deixá-lo inacabado no meio do caminho! Sabemos que uma pessoa que atravessa um rio a nado inevitavelmente se cansará; no entanto, também sabemos que ela não deve ceder a esse cansaço, caso contrário, se afogaria. Contudo, embora jamais faríamos tal coisa em nossa vida física, fazemos exatamente isso em nossa vida moral ou espiritual: abandonamos tudo diante da primeira provação, do primeiro sinal de cansaço ou da primeira tribulação.

3) O homem sufocado pelo mundo: "Aquela que foi semeada entre os espinhos é a pessoa que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo sufocam a palavra". Este é o homem que não vive no pecado, mas enche o coração com as preocupações do mundo — vida social, trabalho, política e até mesmo família, estudos, carreira, férias, amizades, dinheiro e assim por diante. Seu coração está verdadeiramente pré-ocupado com essas coisas — isto é, ocupado com elas de antemão —, não deixando espaço para o Evangelho, a Igreja, a Missa dominical, Cristo ou a confissão dos pecados. Tudo o que ele sabe sobre o amor de Deus — e que talvez desejasse cultivar — é gradualmente sufocado e acaba morrendo.

4) Por fim, há o homem que abre o coração à Palavra de Cristo; ela penetra em sua alma como uma semente e ali produz o fruto da santidade — da imitação de Cristo e de Deus.

Somos um desses homens; contudo, temos sempre — sempre — a possibilidade de nos tornarmos aquele quarto homem. O objetivo do sacrifício de Cristo é que abramos o coração à sua Palavra vivificante e acolhamos a salvação e a alegria que a sua Encarnação trouxe ao mundo.

Que Maria Santíssima — o solo mais fértil onde a Palavra de Deus frutificou — nos conceda a graça de acolher Jesus em nossos corações com generosidade. Assim seja.
Deus abençoe você!

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