12/07/2026
Como acolhemos o Evangelho
“A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta” (Mt 13, 23)
Queridos irmão e irmãs, neste 15º domingo do tempo comum a liturgia da Missa nos apresenta a Parábola do Semeador.
Esta é a primeira das parábolas conhecidas como "parábolas do Reino". O que é o Reino de Deus? O "Reino de Deus" — conceito central na pregação de Jesus — significa nada menos do que aquilo que Deus preparou para cada pessoa (embora isso não signifique que todos o alcancem). Segundo Jesus, é algo que começa já nesta vida ("O Reino de Deus está no meio de vós", Lc 17,21). Jesus é Deus encarnado, que veio precisamente para nos trazer essa realidade — identificada com a graça santificante — que Ele conquistou para nós e nos concedeu por meio de Sua Palavra e de Sua Paixão. Essa graça santificante é como uma semente que produz dois frutos: 1) nesta vida, o fruto da santidade e da filiação divina; 2) na vida futura, como continuação dessa obra já iniciada, ela nos concederá a alegria sem fim.
Essa realidade era um conceito difícil de compreender para os judeus que seguiam Jesus; por isso, o Senhor — grande mestre e educador — recorreu a uma comparação, ou parábola, que ilustrava especificamente a maneira como nossos corações recebem o Evangelho da graça que Ele pregava. Aqueles homens e mulheres, pessoas práticas oriundas de uma terra agrária como a Palestina daquela época, podiam compreender prontamente esse mistério apresentado por meio da figura familiar do semeador.
O semeador lança a semente, e alguns grãos caem à beira do caminho — pois, naquela época, o campo não era separado da estrada nem por muros nem por cercas vivas — e assim tornam-se alimento para as aves. Na Palestina, especialmente nas encostas onde cada palmo de terra é aproveitado, o solo fértil é frequentemente cercado por rochas; o semeador evita essas áreas rochosas, mas, inevitavelmente, algumas sementes caem onde a rocha está coberta ap***s por uma fina camada de terra. Ali, o grão brota rapidamente, mas é com a mesma rapidez ressecado pelo sol. Há também espinhos, e parte das sementes cai entre eles, acabando logo sufocada. Finalmente, grande parte cai em solo fértil, produzindo trinta vezes mais — ou, de fato, como diz o Senhor, às vezes cinquenta ou cem vezes mais.
Contudo, por trás dessa analogia — bem conhecida e facilmente compreendida por seus ouvintes —, Jesus pretendia apontar para uma outra realidade. Jesus Cristo é um grande psicólogo — na verdade, o maior dos psicólogos —, pois somente Ele conhece o homem não ap***s pelo que se revela externamente, mas por conhecer o que reside em seu interior. Como o Evangelho frequentemente registra, Ele sabia o que seus inimigos pensavam e o que havia no coração de seus discípulos. E esse grande psicólogo — esse profundo conhecedor do coração humano — classificou as pessoas em quatro grupos, com base na atitude delas diante do evento mais transcendente na vida de qualquer pessoa: a revelação divina.
De fato, para cada pessoa — para cada um de nós — chega, ou talvez venha a chegar, um momento em nossas vidas em que vemos essa realidade da Revelação irromper sobre nós. Ou seja, se a nossa vida é verdadeiramente racional e responsável, é impossível não colocarmos a questão essencial sobre o centro da nossa fé: o Evangelho. Chamamo-nos cristãos porque cremos em Cristo segundo o que o Evangelho nos diz a Seu respeito e segundo o que Ele mesmo nos disse no Evangelho. Assim, o Evangelho é, ao mesmo tempo:
1) uma mensagem de alegria e esperança, pois Deus nos redimiu do pecado, concedeu-nos o dom de Seu Filho Unigênito — que morreu por nós na Cruz e venceu o diabo e a morte por meio de Sua Ressurreição;
2) mas é também uma exigência, um chamado a um modo de vida que imita Cristo; e, para nós, isso significa conversão constante. Todos sabemos que conhecer o Evangelho sem colocá-lo em prática de nada nos serve, e que praticá-lo sem renunciar a muitas coisas — sem assumir a luta contra o pecado — é impossível. Portanto, diante dessa realidade da qual não há como escapar, qual é — ou qual deve ser — a nossa resposta?
Jesus diz que quatro respostas diferentes são possíveis, representando (caracterizando) as quatro categorias de pessoas:
1) O homem que se recusa a ouvir ou permanece indiferente: "sempre que alguém ouve a palavra do Reino e não a compreende, o Maligno vem e rouba o que foi semeado em seu coração; esta é a semente semeada à beira do caminho". É um homem que foi despojado: o segredo de sua felicidade lhe foi roubado — ou melhor, ele permitiu que lho roubassem. Esse homem representa todos aqueles que vivem no pecado sem o desejo de abandoná-lo. Ele conhece a verdade; sabe o que Cristo ensina e o que o Evangelho e a Igreja dizem a respeito do pecado, do adultério, do matrimônio, do trabalho cristão, da necessidade dos sacramentos, da educação dos filhos, da castidade, e assim por diante. Contudo, prefere permanecer nesse modo de vida pecaminoso. Nele, a graça não consegue criar raízes — nem sequer a menor raiz.
2) A pessoa inconstante: "Aquela que foi semeada em solo rochoso é a pessoa que ouve a palavra e imediatamente a recebe com alegria, mas não tem raiz em si mesma e é inconstante; de modo que, assim que surge a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, ela se escandaliza." Essa é a pessoa que começa a viver o Evangelho — uma vida verdadeiramente cristã, uma vida de sacramentos e formação espiritual — com alegria, mas que abandona tudo ao perceber que isso implicará momentos difíceis. Quantas vezes nós mesmos começamos algo, ap***s para deixá-lo inacabado no meio do caminho! Sabemos que uma pessoa que atravessa um rio a nado inevitavelmente se cansará; no entanto, também sabemos que ela não deve ceder a esse cansaço, caso contrário, se afogaria. Contudo, embora jamais faríamos tal coisa em nossa vida física, fazemos exatamente isso em nossa vida moral ou espiritual: abandonamos tudo diante da primeira provação, do primeiro sinal de cansaço ou da primeira tribulação.
3) O homem sufocado pelo mundo: "Aquela que foi semeada entre os espinhos é a pessoa que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo sufocam a palavra". Este é o homem que não vive no pecado, mas enche o coração com as preocupações do mundo — vida social, trabalho, política e até mesmo família, estudos, carreira, férias, amizades, dinheiro e assim por diante. Seu coração está verdadeiramente pré-ocupado com essas coisas — isto é, ocupado com elas de antemão —, não deixando espaço para o Evangelho, a Igreja, a Missa dominical, Cristo ou a confissão dos pecados. Tudo o que ele sabe sobre o amor de Deus — e que talvez desejasse cultivar — é gradualmente sufocado e acaba morrendo.
4) Por fim, há o homem que abre o coração à Palavra de Cristo; ela penetra em sua alma como uma semente e ali produz o fruto da santidade — da imitação de Cristo e de Deus.
Somos um desses homens; contudo, temos sempre — sempre — a possibilidade de nos tornarmos aquele quarto homem. O objetivo do sacrifício de Cristo é que abramos o coração à sua Palavra vivificante e acolhamos a salvação e a alegria que a sua Encarnação trouxe ao mundo.
Que Maria Santíssima — o solo mais fértil onde a Palavra de Deus frutificou — nos conceda a graça de acolher Jesus em nossos corações com generosidade. Assim seja.
Deus abençoe você!