14/11/2020
Shalom!
Em estudos das porções neste ano de 2020/5781 recomeçamos nas porções:
Beresh*t - Em um princípio 1.1 - 6.8.
Noach - Noé 6.9 - 11.32.
L**h L**ha - Saia 12.1 - 17.27.
Vaierá - E apareceu 18.1 - 22.24.
Neste sábado, estamos no estudo da porção Chaie, que significa, a vida de Sara.
Esta porção é interessantíssima, pois relata como é que as escrituras nos mostram a fundamental base de um relacionamento que não se abala..parece ser retrógrado para muitos, mas para aqueles que querem entender a mente do Criador, verão que o que protege um relacionamento, é ter um compromisso muito sério com seu cônjuge em submissão ao Eterno em pleno amor.
Assim, gostaria de compartilhar um escrito sobre esta porção do querido Professor Rabino Matheus Zandona Guimarães:
Chegamos à quinta Parashá de Beresh*t (Gênesis): “Chaiei Sara” (E viveu Sara). Ela corresponde ao texto de Gn 23:1 – 25:18 e recebe este nome pois relata a morte de Sara e o lamento de Abraão e seu filho Isaque. Vemos também o relato da compra da caverna de Machpela por parte de Abraão para sepultar Sara, a escolha de uma esposa para Isaque, a morte de Abraão e as gerações de Ismael. Porém, é interessante notar que o processo de escolha de uma esposa para Isaque contém uma das narrativas da Torá com maior quantidade de detalhes.
Logo após sepultar Sara, Abraão, já com 137 anos, dá início a um novo projeto: encontrar uma esposa para seu filho Isaque. O patriarca demonstra sua fé ao adquirir o campo e a caverna de Machpela, mesmo tendo recebido a promessa do Eterno que toda aquela região seria dele e de sua descendência (Gn 13:17). Agora, ele decide agir para que a outra promessa recebida, “sua descendência será como as estrelas dos céus” (Gn 15:5), se concretizasse. Ao longo da detalhada narrativa, um fato chama a atenção do leitor. Vejamos:
“Isaque conduziu-a até à tenda de Sara, mãe dele, e tomou a Rebeca, e esta lhe foi por mulher. Ele a amou; assim, foi Isaque consolado depois da morte de sua mãe.” (Gn 24:67)
Observemos a ordem dos fatos: 1° Isaque se casa com Rebeca. 2° Ele a amou. Essa ordem representa o inverso do que vemos atualmente, uma vez que as pessoas geralmente se casam com quem amam. Ou seja, primeiro vem o amor, a paixão, para então existir o compromisso e o casamento. Porém, a Torá nos relata que Isaque se casou com sua esposa e, só depois, se apaixonou por ela.
Muitos podem considerar essa atitude retrógrada e antiquada, esperado que Isaque tivesse primeiramente se apaixonado pela jovem para então ter se casado com ela. No entanto, as Escrituras nos mostram que o casamento é uma instituição que não pode se basear apenas no sentimento. Isaque não se casou com Rebeca porque ele a amava, mas ele veio a amá-la porque se casou com ela. O sentimento acompanha o compromisso, e não o contrário. Considerando a loucura do coração do homem e os altos e baixos inconstantes das nossas emoções, vemos que o exemplo das Escrituras faz sentido. O profeta Jeremias nos alerta: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17:9), e o Rei Salomão confirma: “O coração do homem traça o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos.” (Pv 16:9). Não nos casamos com alguém apenas porque amamos, mas amamos fielmente a pessoa com a qual escolhemos nos casar.
Casar-se por amor pode parecer a ordem natural, mas é na verdade uma receita para o fracasso! Quantos de nós já nos apaixonamos pela pessoa errada? Como filhos de Abraão e seguidores do Messias Yeshua, devemos amar e cuidar de nossas esposas como o Messias ama a Sua Noiva. Devemos expressar nosso amor ao nosso conjugue através do cuidado e da fidelidade. Lembre-se: compromisso é o principal fator de um casamento, e não apenas o amor. Não é à toa que, baseado na história de Isaque e Rebeca, há um ditado na tradição judaica que diz: “No mundo as pessoas se casam com quem amam. Nós, porém, amamos a pessoa com a qual nos casamos”. Esta é a receita para um casamento duradouro e feliz!
Matheus Zandona Guimarães - Ensinando de Sião - Minas Gerais.