28/09/2023
A visão do inferno de Irmã Maria Serafina Micheli
Irmã Maria Serafina Micheli também ficou conhecida por alegar ter tido uma visão do inferno na qual Martinho Lutero encontrava-se no fundo de um abismo de fogo sendo torturado por demônios.
No dia 10 de novembro de 1883 a Irmã Maria Serafina Micheli estava de passagem por Eisleben, mesmo local e dia de nascimento de Lutero. Alheia ao tumulto que tomava a cidade por ocasião da comemoração dos 400 anos do nascimento de Lutero, Serafina procurava uma igreja para rezar. Depois de empreender sua busca naquela noite escura deparou-se com uma igreja, porém suas portas estavam fechadas, foi então que Serafina teria ajoelhado-se na escadaria para fazer suas orações sem perceber que tratava-se de uma igreja protestante. Ao rezar, seu Anjo da Guarda teria aparecido e dito: Levanta-te, pois esta é uma igreja protestante. Mas eu quero fazer-te ver o local onde Martinho Lutero foi condenado e a pena que sofreu em castigo do seu orgulho.[3]
Ditas estas palavras, Serafina relatou ter visto um tenebroso abismo de fogo, no qual inúmeras almas eram terrivelmente atormentadas. Segundo Serafina, havia um homem posicionado no fundo deste precipício: Martinho Lutero. De acordo com Serafina, ele estava cercado por demônios que o obrigavam a manter-se de joelhos. Empunhando martelos, os demônios tentavam fincar um grande prego em sua cabeça. Ao contemplar tão terrível cenário, a Irmã pensou: se o povo em festa visse esta cena dramática, certamente não tributariam honra, recordações, comemorações e festejos para um tal personagem. De acordo com Don Marcello Stanzione, ao relatar tal visão às suas irmãs, passou a recomendar que vivessem em resignação e humildade, pois teve a percepção de que Martinho Lutero fora punido na danação do inferno por ter cometido o primeiro pecado capital: o orgulho.
Este pecado, segundo a visão de Serafina, o teria conduzido à rebelião contra a Igreja Católica Romana e por consequência ao inferno. A mensagem que Serafina passou a propagar após sua visão era a de que vivêssemos na humildade, que aceitássemos não sermos considerados, valorizados e estimados pelos nossos semelhantes, que não nos queixássemos se acaso fôssemos desprezados ou preteridos por pessoas que pensamos ser menos dignas que nós, que não julgássemos os outros, pois se julgamos, nem sequer somos cristãos.[4]