Monsenhor Tihamer Toth

Monsenhor Tihamer Toth Tihamer Toth foi um autor católico de grande destaque. Fez uso excelente dos dons especiais que rec

Para guardar, contudo, a fidelidade conjugal não basta uma atitude negativa, não basta evitar tudo o que a dificultaria....
23/12/2022

Para guardar, contudo, a fidelidade conjugal não basta uma atitude negativa, não basta evitar tudo o que a dificultaria. É preciso adotar uma atitude positiva: é preciso fazer tudo o que facilita a fidelidade.
Há alguns anos, o Santo Padre Pio XI introduziu na côrte pontifícia uma nova e interessante série de audiências: a audiência dos recém-casados. Por mais fatigado que estivesse o Soberano Pontífice, recebia sempre os recém-casados; recebia-os até em Castel Gandolfo, onde ia repousar algumas semanas, durante o mais forte calor de Roma.
Desde o fim de julho de 1932, dezenas e dezenas de milhares de jovens casados vieram de todas as partes do mundo, pedir ao chefe da cristandade a bênção para sua união. Estou plenamente convicto de que se para esses jovens casais o problema da fidelidade conjugal não é um problema impossível, não o será para quem sabe empregar com alma fervorosa os meios que nos oferece a nossa santa religião, tais como a prece, a confissão, a comunhão, e em primeiro lugar uma severa disciplina sobre si mesmo.
Sim, domínio de si. Não se tem o direito de recuar diante desta palavra. Pois não se pode dissimular que a observância da fidelidade conjugal exige um grande império sobre si mesmo.
De fato, ela exige lealdade. Exige honestidade. É uma luta e uma renúncia às quais ninguém pode subtrair-se. Com que direito se foge à luta, e ao sacrifício exigido para conservar a fidelidade conjugal? Sim, para poder sempre e em todas as circunstâncias conservá-la, é preciso domínio de si, espírito de renúncia e muitas vezes, também, sacrifícios.
"Mas é precisamente o impossível, objetar-se-á talvez. Eu não me casei para observar a continência, e apanhar assim uma doença nervosa".
De fato, não vos casastes para observar a continência. Um dos fins do casamento é permitir, dentro dos limites legítimos, a vida sexual, enobrecendo-a e a santif**ado. Mas se alguém, por um motivo qualquer, como a doença de sua esposa, temor de novos filhos, não pode exercer os direitos do casamento, é obrigado a aceitar a continência. É a única maneira cristã de agir, e não a fuga covarde para o lodaçal sedutor e perigoso da infidelidade conjugal.
"Mas eu não quero f**ar doente por causa da continência!..."
Será que acreditais sempre nas palavras terrivelmente arcaicas com as quais pessoas sem consciência ou superficiais dificultam a observação do sexto mandamento? quereis dizer que não sois um homem?
Pois ser um homem signif**a poder dominar a voz do instinto.
Ser um homem signif**a poder sujeitar com mão forte os desejos sensuais.
Acreditai-me, ou antes experimental a força sublime que habita na alma humana, e vereis como se pode com ela acalmar o oceano tempestuoso das paixões, e vereis que tudo quanto se conta sobre os perigos da continência nada mais é que palavras supérfluas. Experimentai praticar a continência, e vereis que mesmo a natureza mais fogosa pode obedecer às leis divinas, com o socorro da graça de Deus.
O apóstolo São Paulo pronunciou uma frase, cuja verdade se realça de um modo especial pela situação desordenada da família atual. "Se viverdes segundo a carne morrereis" (Rom 8, 13). Notamos, com espanto, como estas palavras se aplicam à família moderna. O homem experimentou suprimir as leis divinas eternas, mas presentemente ele é obrigado a reconhecer, alarmado, que esta vida conjugal, organizada segundo a carne, conduz irremediavelmente à ruína.
É o que muito bem compreendeu o grande Miguel Ângelo pintando para a Capela Sixtina a criação da primeira mulher. Contemplai neste quadro como Eva, no instante em que ela tem consciência de si mesma, estende as mãos para Deus. Sente ela instintivamente que estará perdida, irremediavelmente perdida, se as relações naturais entre o homem e a mulher não forem reguladas pelas leis divinas, e colocadas sob sua proteção.
A única forma de casamento, digna do homem, é a união entre um homem e uma mulher, contraída por toda a vida, até o túmulo, e esta união tem por consequência a fidelidade conjugal. Penélope, aquela nobre mulher do paganismo antigo, pressentia-o já. Mas só o cristão pode compreender perfeitamente esta fidelidade conjugal, constante e absoluta, porque sabe que pelo batismo tornou-se ele membro do corpo mistico de Cristo, e que o amor puramente natural de ambos os esposos cristãos transforma-se pelo sacramento do matrimônio em amor sobrenatural de união com Cristo.
Enquanto duas criaturas humanas se amam por uma atração puramente natural, não se pode crer nem em sua sinceridade, nem em sua duração. Quando porém, dois seres se encontram no amor, como membros do corpo místico de Cristo, então não se tem a recear o desvio de seu amor; nem um dos esposos "adorará" o outro, nem exigirá atos vergonhosos e culpáveis, e nem se tornará brutal. Tal fidelidade e tal amor serão verdadeiramente constantes, e sobreviverão às vicissitudes da existência.
E este amor é a base sólida, o maior apoio, e a mais forte garantia da fidelidade conjugal. Porque o amor mais nobre e mais puro desaparece quando é simplesmente humano; não desaparece, porém, o amor do qual Deus é a base, a força e o traço de união.

Beleza sem virtude é flor sem perfume.- Tihamer Toth 🌾
23/09/2021

Beleza sem virtude é flor sem perfume.

- Tihamer Toth 🌾

O papado tem servido de farol paraapontar o caminho, e por onde quer que passe a barca dePedro, no seu sulco brotam as b...
21/03/2021

O papado tem servido de farol para
apontar o caminho, e por onde quer que passe a barca de
Pedro, no seu sulco brotam as bênçãos. E a observação
colhida em dezenove séculos fortalece ainda mais essa ver­dade. Roma é ao mesmo tempo o ponto de partida e o
centro da fé cristã e da civilização cristã. Quantas vezes
tem-se renovado na história dos papas o episódio que S.
Pedro viveu quando saltou da barca de João e começou a afundar em meio às ondas com grande pavor seu! Quem
conhece a história, sabe que há épocas de real consterna­ção. Assim, vemos que, no tempo do arianismo, só o
papa defendeu a fé na divindade de Cristo, poucos cristãos permaneceram fiéis, e por assim dizer, o mundo inteiro se tornou ar**no. Vemos a perseguição pérfida de
Juliano, o Apóstata, os cismas, as revoluções, o despotismo de Napoleão... Mas, tantas vezes quantas, aparen­temente, os vagalhões ameaçaram o papa, renovou-se ain­da sempre, finalmente, o milagre de S. Pedro a ponto
de afundar: “ Logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o e
lhe disse: Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (S.
Mt., XIV, 31).
Si o ensinamento de Nosso Senhor Jesús-Cristo tem permanecido intacto no curso de dezenove séculos, é, em
primeiro lugar, mérito dos papas. Si o penoso trabalho dos missionários tem ganho para Cristo continentes inteiros, é mérito do papa. “ Si a propagação do cristianismo
é um mérito — escreve o protestante Herder (Ideen zur Philosophie der Geschichte, II, 350) — então os papas
têm nele grande parte” . Si a Europa não se tornou presa
fácil dos Hunos, dos Sarracenos, dos Tártaros e dos Turcos, foi em primerio lugar mérito dos papas.
Mas aqui se apresenta ao espírito uma idéia
curiosa: Si atualmente Cristo voltasse à terra e fosse ao
mergulhasse os olhos, que vêem tudo, na vida dos 262
Vaticano... Ah! sim. Que acharia? Que faria? Si
papas, não acharia também neles falhas, manchas? Naqueles que, embora revestidos do poder supremo da Igreja,
foram contudo homens?
Sim, acharia.
Porventura o seu divino olhar não se abaixaria tristemente sobre um ou outro? ou não se inflamaria de
cólera ?
Sim, inflamar-se-ia de cólera.
Mas contudo... Mesmo aplicando aos 262 papas o
julgamento mais severo, a quantos poderíamos exprobrar o esquecimento dos seus deveres, o mundanismo ou
falhas morais? A seis ou sete no máximo. Os outros foram todos homens eminentes, caracteres imponentes, muitos foram mártires e foram canonizados. Si o divino olhar
de Nosso Senhor descesse, pois, sobre eles, e si seus olhos,
que tudo vêem, escrutassem as leis da evolução da História, e as fraquezas da natureza humana, de maneira tão penetrante como jamais nem historiador nem psicólogo puderam faze-lo; e si Ele visse então o grãozinho de mostarda, que Ele semeara, transformado, mesmo sob o simples ponto de vista natural, na árvore imensa da Igreja,
de folhas e de flores magníf**as; e si Ele fizesse de novo ao Papa Pio XII a mesma pergunta que a S. Pedro: Por
quem me têm os homens?" Pio XII lançar-se-Lhe-ia aos
joelhos, e, adorando-o, repetir-Lhe-ia as palavras imortais:
“ Sois o Cristo, o Filho do Deus vivo”. E ’ absolutamente
certo, meus irmãos, que Nosso Senhor não acharia nada
que criticar nem que censurar ao papado atual, mas repe­tiria as palavras benditas: “ Feliz és tu, Pedro, porque minha Igreja repousa solidamente em t i . . ."
Eis aí o primeiro mérito histórico do papa: é sobre
ele que repousa a Igreja de Cristo.

Monsenhor Tihamer Toth

Templo de Deus. Certamente já ouviste o nome de um dos mais célebres pintores do mundo - Leonardo Da Vinci. Por certo já...
26/07/2020

Templo de Deus.

Certamente já ouviste o nome de um dos mais célebres pintores do mundo - Leonardo Da Vinci. Por certo já viste a reprodução de um dos seus quadros mais famosos - "A última ceia". Mas provàvelmente, não ouviste falar da ocorrência espantosa que se deu com relação a essa pintura. O artista preocupava-se em achar um modêlo para pintar o sublime semblante de Nosso Senhor, quando, com ingente alegria, notou em certa igreja, entre os cantores, um mancebo de inigualável formosura. Pedro Bandinelli - era êste o nome do jovem - aceitou alegremente a proposta de servir de modêlo para o rosto de Cristo. Semanas, meses, eram já decorridos, quando Leonardo percorria as ruas inquieto e de mau humor, porque não encontrava tipo conveniente para pintar a cara de Judas. Procurava uma pessoa em cujo rosto se pudesse ler a pravidade do coração daquele discípulo traidor, até que, afinal, achou um efebo prematuramente envelhecido, cuja fisionomia lhe revelava a perversidade da alma. Quando êsse moço ficou diante do quadro inacabado de "A ultima ceia", para se iniciar a pintura do rosto de Judas, pôs-se a chôrar com tôda a dor de sua alma: era Pedro Bandinelli. Entregara-se a uma vida de libertinagem, e, após dois anos, o seu semblante, que se assemelhava ao de Cristo, dera luar aos traços de Judas, Se se tratasse ap***s dessa mudança física, ainda bem; mas a de sua alma!...
Bem diz a paremia alemã: "O prazer e a alegria morrem depressa".
Ah! se as tumbas silenciosas dos cemitérios pudessem falar! Essas lousas mudas, debaixo das quais o pecado da impureza encerrou precocemente tantas vidas novas, que prometiam tão belas esperanças!...
Fecha um instante êste livro, meu filho, e pensa, rezando, nas palavras eternamente verdadeiras da Sagrada Escritura: "Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é santo, e é isso mesmo que vós próprios sois" (1.ª Corintios, III,17).

04/07/2020

Não duvido que tenhas mais de um vez ouvido a frase que nos vem da antiguidade: “Mens Sana in corpore sano”. Quisera fazer-te notar a este respeito que, não somente o corpo são e bem adestrado é precioso auxiliar que nos ajuda a bem cumprir nossa missão neste mundo, mas também que a alma jovem dispõe-se com maior facilidade a se transformar num caráter e a permanecer firme num corpo bem aguerrido, bem exercitado, bem destro, do que num montão de carne gorda, mole e preguiçosa. Faz exercício de ginástica e de trabalho físico todos os dias, mormente nos anos de adolescência, a partir dos 13 ou 14 anos; é ainda um bom meio para conseguir assegurar a pureza de alma. O jovem que cuida todos os dias de fadigar não somente o espírito, mas também o corpo, estará muito menos exposto às tentações do que o moço ocioso e indolente. O corpo amimado, afagado e farto de gulodices embriaga-se com a sua importância: nada mais natural. Quer ser o senhor, quer reinar, torna-se exigente e, golpe sobre golpe, envia o assalto e artilharia das tentações sensuais contra a pobre alma.

O corpo é inimigo em nossa própria casa: sempre pronto ao mal, cheio de displicência pelo bem. Contudo, se tomares cuidado de bem exercitar, de disciplinar, de domar em todos os sentidos esse lobo esfaimado _ numa palavra, se o obrigares a fazer um bom exercício de ginástica todos os dias, _ verás que ele desiste de suas pretensões impudentes.

Ensina-nos a história que as nações sadias e fortes sempre ligaram importância especial ao adestramento físico dos seus cidadãos. Onde quer que a têmpera viril deu lugar à moleza efeminada, arrastou sempre após si a decadência, _ a decadência da saúde como a da cultura.

Mas que é precisamente o adestramento viril?

É essa capacidade do corpo que permite suportar, sem dano para a saúde, impressões, estímulos e golpes muito fortes, e sobretudo postos. Essa qualidade evidencia-se sobretudo em face das mudanças de tempo e de temperatura. O homem de saúde perfeita pode sair dum quarto quente para o ar frio sem se resfriar. Suporta sem dano o vento, o nevoeiro, a umidade, assim como o sol de verão. Seus vasos sanguíneos contraem-se e se dilatam conforme a necessidade, levam mais ou menos sangue às diversas partes do corpo e, desse modo, permitem que se conserve sempre o calor natural do organismo. O calor natural do corpo jovem e bem adestrado preserva melhor do resfriado, do que um agasalho.

Um homem bem exercitado sabe também curtir melhor a fome, a sede e a fadiga. O jovem exercitado sabe sorrir apesar duma dor de dentes desagradável, não se deixa abater pela fadiga ou por uma leve indisposição. Não conhece o medo, não é guloso, não faz de preguiçoso na cama de manhã, sabe sempre conservar o corpo sob o domínio da alma. (...)

Livro: O môço educado ou A boa educação.
Autor: Dom Tihamer Toth

Sem a vontade, não há pecado.São talvez os teus pensamentos que surgem de improviso e os teus desejos incômodos que te d...
03/07/2020

Sem a vontade, não há pecado.

São talvez os teus pensamentos que surgem de improviso e os teus desejos incômodos que te darão mais inquietação, pois não somos senhores dêles. Mas eu quero precisamente tranquilizar-te neste ponto, a fim e te preservar de agitações supérfluas. A inclinação para o mal, que no homem existe, não é em si mesma pecado. Está na alçada da tua vontade: se por ela te deixas dominar, tornar-se-á paixão.
Sòmente somos responsáveis pelos nossos pensamentos, desde o momento em que êles são perfeitamente consentidos por nós. Sem a consciência dêles, não.
Ainda assim, em teu período de crescimento, verif**arás muitas vêzes que, de repente, - durante o estudo, brincando, lendo, rezando, - surgirão em teu espírito pensamentos que se referem ao pecado, e tua consciência, delicada, inquirirá, com desassossêgo, se êles não feriram a pureza da tua alma. F**a tranquilo. Uma vez que não tenhas voluntàriamente pensado nisso, não és responsável. Não podemos impedir que os pardais adejem ao redor da nossa cabeça, mas, sim, que construam seu ninho em cima de nossa cabeça. Sòmente agora, nesse instante, é que podes ser forte; imediatamente, sem esperar um segundo, f**a senhor dos teus pensamentos e expulsa da cabeça os hóspedes indesejáveis. Livro: O Brilho da Mocidade.

A lei da gravidade. Há uma lei de física, segundo a qual um corpo que cai não se precipita para a Terra com velocidade i...
03/07/2020

A lei da gravidade.

Há uma lei de física, segundo a qual um corpo que cai não se precipita para a Terra com velocidade igual, mas é com velocidade acelerada de segundo em segundo que êle cai no fundo a que o atrai uma fôrça misteriosa.
A lei da gravidade não existe só para a natureza material, mas também para a vida da alma. No fundo de cada alma estão ocultas espantosas fôrças demoníacas que, quando, para nossa desgraça, se tornam senhoras, arrastam a alma, com fôrça cada vez mais irresistível para as profundezas do pecado. Uma só leviandade, a primeira queda - e a lei da gravidade começa a realizar-se.
Por tôda a parte onde o pecado da impureza passa com os seus terríveis companheiros, seca-lhe o solo sob os pés, as cabeças que até então se mantinham bem eretas se inclinam, os dorsos altaneiros se abatem, as rosas da face empalidecem, o caráter se debilita. Não há mais senão uma folhagem sêca, onde deveriam estar flores, sorridentes; não há mais senão pó, onde elas deveriam desabrochar no frescor.
Meu filho, cães famélicos, chacais sanguissedentos, estão ocultos no fundo da natureza humana decaída. Não dês de comer a êsses chacais - êles têm sêde de sangue, do teu sangue quente e fresco. Não tires a corrente a esses cães uivadores, por que êles te morderiam e enodoariam a pureza de tua alma.
"Qualquer pecado que o homem comete", escreve S. Paulo "é pecado fora do corpo; mas aquêle que se entrega à impureza peca contra seu próprio corpo". (I.ª Corintios, VI, 18). Livro: O Brilho Da Mocidade

Tremenda responsabilidade.  Se ao menos só perdesses a ti!... Porém, da mesma forma que um só prazer proibido basta para...
26/06/2020

Tremenda responsabilidade.

Se ao menos só perdesses a ti!... Porém, da mesma forma que um só prazer proibido basta para que o bacilo dessa terrível moléstia se introduza em ti, assim também milhares de perigos ameaça, igualmente as pessoas da tua roda, em quanto êles, os inocentes, recebem de ti os germes dessa moléstia contagiosa. Pondo a tua mão contaminada na maçaneta duma porta, ou, talvez, apertando a mão do teu melhor amigo: pondo o teu lápis no bôlso e emprestando-o a outrem depois; se antes tocou um sifilítico a tua colher, o teu copo, a tua escova de dentes, a tua toalha de mãos, tudo isso pode transmitir a doença. Perpètuamente és um perigo temível para o teu próximo inocente, com o qual a tua existência te põe em relações.
A um colegial de quinze anos a sífilis perfurou o véu palatino e roeu as carnes entre a cavidade bucal e o nariz. Entretanto, o inditoso era puro, mas, sòmente, durante as férias, bebera num copo de que se haviam servido uns pedreiros que estavam acometidos do funesto mal.
Se ainda houvesse em ti sombra de honestidade, deverias repelir tua mãe e gritar-lhe:"Mamãe, afasta-te e não me beijes, pois tenho o inferno dentro de mim". Se assim não fizeres, tôdas as vêzes que entras em casa, e tua mãe, feliz, te aperta ao seio, beijando-a lhe transmites o bacilo dessa vergonhosa moléstia. E o que torna a coisa ainda mais perigosa é que, no início, a moléstia passa despercebida; não se sente nenhuma dor, muitas vêzes só por acaso se percebe que alguma coisa não está direita. Sentes a responsabilidade que te pesa sôbre a alma? Ah! maldita seja a primeira noite do pecado!

Teus pobres filhos!

E se ousares, com semelhante moléstia, contrair matrimônio? O rubor não te sobe ao rosto ao pensares que, com essa funesta doença prendes a ti para sempre uma jovem inocente? Uma jovem que durante tôda a sua mocidade, sonhava com santo pudor no seu futuro cavalheiro, de alma branca, espôso ideal, caráter viril? E tu, ruína humana, preposto do inferno, prendes a ti para sempre pelo casamento essa ingênua donzela, contaminando-a com o vírus nefando, a ela, infeliz moça cuja alma pura merecia um jovem igualmente puro?
A vida apresenta-nos casos espantosos, Há donzelas de alma delicada que contraem, algumas semanas após o casamento, essa hedionda moléstia, arrastando o mais belo período da sua vida com a doença que apanharam junto ao espôso que anteriormente viveu no pecado.
E em breve terás filhos. Pobres criaturas inocentes, antes nunca tivessem nascido! No segundo ou terceiro mês da sua existência. já aparecem os sintomas da sífilis hereditária, e na maior parte morrem aos seis meses. Ou, então, se conseguem escapar da morte, as consequências moléstia manifestam-se mais tarde, entre os dez e os vinte anos. Serão magros, fracos, de olhos doentes, e os filhos dêles também recolherão essa tenebrosa herança, e a sangrenta maldição da tua vida pecaminosa pesará ainda sôbre teus netos.
Outra doença venérea, a blenorragia, entre outras consequências malditas, priva uma multidão de homens do maior tesouro: a vista. Se o bacilo dela, o gonococo, entra nos olhos, medonha inflamação se declara nêles, e logo depois o individuo f**a cego. No instituto dos cegos de Munique, 73,8% dos casos provêm de infecção blenorrágica. Conheço uma família em que o primeiro filho ficou cego logo após o nascimento. Quando o segundo filho nasceu, também ficou cego de um dia para o outro. O terceiro, igualmente. Os pais, desesperados, ignoravam a causa disso. Mas, quando o pai - que se havia esquecido dos seus pecados da mocidade - se lembrou de que tinha blenorragia, foi acometido de loucura, pois lhe acudiu ao pensamento que os seus pecados na mocidade privaram seus três filhos da claridade do Sol.
Vastas vêzes visitei o instituto dos cegos "José Nador", em Budapeste, na rua de Santo Estêvão, e cada vez que passeava pelo meio dos duzentos meninos sem vista que buscam às apalpadelas o seu caminho, com as pupilas queimadas e vazias, refletia, cheio de horror: Meu Deus! A maioria dêsses infelizes meninos não estariam cegos, se os pais tivessem levado uma vida pura durante a mocidade!
A multidão horrível dos habitantes dos asilos de alienados, de meninos idiotas, mirrados, aleijados, dá a triste certeza das devastações causadas pelos pecados duma juventude caída no antro do vício.
E tôda essa imensa miséria, essa penúria duma multidão de famílias, essa destruição da felicidade familiar, por causa talvez duma relação sexual proibida!
Meu filho, vale tal preço um prazer físico dum instante? Como tinha razão o orador DEMÓSTENES, quando respondeu destarte ao convite sedutor duma pr******ta: "Tanti poenitere non emo". Não compro o gôzo dum instante por um pesar tão grande".
É literalmente verdadeiro que os pecados do pai passam para os filhos até à terceira, e mesmo à quarta geração. Mas, em compensação, aquêle que conservou puro o seu sangue, aquêle que por uma vida casta antes do casamento evitou qualquer contágio, deixa só por isso aos filhos uma herança maior do que se lhes legasse milhares de contos: "Quando meu filho me olha com seus olhos claros" - escreve-me um pai de família - "quando se enche o meu coração de alegria à vista do seu corpo robusto e da sua agilidade! Quando se entornam sôbre mim a sua graça e o seu frescor infantis, então não lamento nem um instante o haver lutado durante anos, pois sei que não foi só para minha própria vantagem, mas também para a geração seguinte, que fiz o que era digno das minhas p***s e sacrifícios". Livro: O Brilho da Mocidade.

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