04/07/2019
Ngola A Kiluanji Inene (o Grande Ngola)
1 Donde Vem o Nome "Angola"?
1. Os N'Golas
O nome "Angola" tem raíz no termo "Ngola" que era título de um dos potentados Ambundos que existia no Antigo Reino do Ndongo, entre o Anzele, Ambaca e Pungo Andongo (nas actuais províncias do Bengo, Kwanza Norte, Kwanza Sul e Malange) no tempo do início da expansão da influência dos portugueses sobre o Antigo Reino de Ndongo, na segunda metade do Século XVI.
Ngola A Kiluanje (1515-56) foi o lider do potentado mais destacado do Antigo Reino do Ndongo, sendo conhecido por Ngola A Kiluanje Inene (o Grande Ngola). Ngola A Kiluanje Inene fundou uma dinastia do que mais tarde se havia de vir a conhecer como o Reino de Angola, que entao compreendia, entre outros, os distritos da Ilamba, do Lumbo, do Hari, da Quissama, do Haku e do Musseke. Inicialmente o Ndongo era um chefado vassalo do Antigo Reino do Congo ate Ngola A Kiluange Inene se declarar independente. Outros reis do Antigo Reino do Ndongo independente foram o Rei Ndambi A Ngola (1556–c.1562), o Rei Ngola Kiluanje kia Ndambi (c. 1562-c. 1575), o Rei NjingaNgola Kilombo kia Kasenda (c. 1575–1592), o Rei Mbandi Ngola Kiluanje (1592-1617), o Rei Ngola Nzinga Mbandi (1617-1624), e a Rainha Nzinga Mbande (Ana de Sousa) que reinou de 1624 a 1626. Em 1626 os Portugueses conquistaram o Reino de Angola, passando este a ser vassalo de Portugal. Durante este periodo foram reis do Ndongo Dom Hari A Kiluanje que governou em 1626, e o Rei Ngola Hari, que governou de 1627 a 1657.
O termo "Ngola" tem por sua vez raíz no termo "Ngolo", o que em quimbundo (língua do povo Ambundo) significa "força", de acordo com o "Ensaio de Diccionário Kinbundu-Portuguez", preparado por Joaquim Dias Cordeiro da Matta, impresso na Typographia e Stereotypia Moderna da Casa Editora António Maria Pereira, e publicado em Lisboa no ano de 1893. O mesmo termo em quicongo (lingua do povo Bakongo) significa "rigor, força, fortaleza, ou robustez". Os Portugueses depreenderam assim que o Ngola era aquele que tinha força, aquele que era poderoso.
Apesar de inicialmente o nome e título de Ngola se aplicar sómente aos potentados e região ao longo do curso superior dos rios Lucala e Cuanza, o uso do termo passou a aplicar-se a outras regiões e chefes vizinhos que viriam formar eventualmente o núcleo do domínio português na região. Aos chefes Ngola os Portugueses chamavam-nos "Ngola" e à região chamavam as "Terras do Ngola".
Desde então, as terras vizinhas ao longo dos rios Lucala e Cuanza, sob a tutela dos Ngola e mais tarde conquistadas pelos Portugueses, passaram a ser chamadas e reconhecidas nos mapas e documentos oficiais da época como "Terras do Ngola", depois como "Terras d'Angola", e desde então a colónia portuguesa passou a chamar-se simplesmente "Angola".
Da mesma forma, e conforme Ferreira Diniz (Populações Indígenas de Angola, Imprensa da Universidade, Coimbra, 1918), o nome Ngola acabou por aplicar-se também a alguns grupos do povo Ambundo que ocupavam o mesmo território, incluindo os Ambaquistas, Golungos, Cabires e Dondos, que habitavam a região entre os rios Cuanza, Lifune e Zenza, e que se estendia até aos rios Cuiji (afluente do Cuango) e Gola Luige (afluente do Lucala).
2. Paulo Dias de Novais e o Reyno de Angola
Paulo Dias de Novais passou cinco anos de cativeiro na corte do legendário Rei de Ndongo Ngola A Kiluanji Inene, entre 1560 e 1565, após os quais foi libertado com o auxílio "de uma princesa filha daquele rei" sob a promessa de ir a Portugal arranjar socorro militar contra a campanha iniciada por Kiloango-Kiacongo, um poderoso rival de Ngola A Kiluanji Inene. Paulo Dias de Novais saíu de Lisboa em 23 de Outubro de 1574 e chegou à Ilha das Cabras (Ilha de Luanda) a 20 de Fevereiro de 1575, onde existiam cerca de sete povoados e onde encontrou sete barcos e cerca de 40 portugueses ricos do negócio negreiro, que se haviam refugiado dos Jagas e se encontravam lá vivendo; Os Portugueses já deviam de habitar na Ilha das Cabras já há alguns anos, pois nesta também encontrou uma igreja e um cura.
Paulo Dias de Novais manteve-se na Ilha de Luanda, onde recebeu uma embaixada do Rei Ngola Kiluanji Kiassamba a 29 de Junho de 1576, quando recebeu permissão deste para se mudar para terra firme, mais exactamente para o morro que chamou de São Paulo, onde fundou a povoação de São Paulo de Loanda, como porto negreiro e baluarte militar português próximo da foz do Rio Cuanza.
Era nas areias das praias da Ilha das Cabras, berço do povo Muxiluanda, que os oficiais do Manicongo (o Rei do Congo) recolhiam os Zimbos (nzimbos - conchas de búzios pequenos), que serviam de moeda corrente para transacções comerciais nas feiras muito activas nas feiras no interior das províncias do Antigo Reino do Congo.
Durante séculos, Luanda foi o porto negreiro mais importante da costa atlântica de África. Os escravos eram guardados em áreas cercadas (currais) situadas na área actual das Ingombotas, durante a espera de embarque para o Novo Mundo. O primeiro cemitério para os escravos foi situado na área imediatamente a montante (acima) das Ingombotas, onde as campas razas eram assinaladas com cruzes. Os corpos dos escravos que morriam nos currais durante esta espera de embarque para a Passagem do Meio, que podia demorar muitos meses, eram levados para a área do Maculusso (área das cruzes - de "cruces"/ ""klusses"), imediatamente a montante das Ingombotas, onde eram sepultados ou, em muitos casos, simplesmente deixados como alimento às hienas, leões e outros animais selvagens que por aí rondavam em procura de alimento.
No seu regresso às terras de Ngola A Kiluanji Inene, Paulo Dias de Novais vinha munido de uma Carta de Donataria conferida em 1571 por El-Rei D. Sebastião de Portugal, em que era reconhecido como "Governador e Capitão-Mor, conquistador e povoador do Reyno de Sebaste na Conquista da Etiópia ou Guiné Inferior.", sendo até essa data a região conhecida como "Terras do Sebaste", em honra de El-Rei D. Sebastião. A carta de doação era baseada no modelo das cartas de doação das capitanias brasileiras, que tinham sido usadas sem grande sucesso na colonização do Brasil, algumas décadas antes. A carta de donataria requeria a expansão do território para norte até às margens do Rio Dande (Bengo) e para sul e para o interior ao longo do curso do Rio Cuanza.
Este foi o primeiro documento oficial em que os Portugueses fazem referência e designam a região por Reyno de Angola, quando de facto tal termo se referisse mais a um conjunto de potentados locais e regionais e não a um só potentado em particular, relativamente independentes uns dos outros, mas todos sujeitos a certa forma de vassalagem para com os Portugueses. Só mais tarde é que Paulo Dias de Novais é oficialmente reconhecido pela primeira vez como Capitão-General e Governador do Reyno de Angola.
Em breve Paulo Dias de Novais rumou com destino às terras do Ndongo, em procura das legendárias minas de prata de Cambambe, ao longo do vale do Rio Quanza até à confluência do Rio Lucala, no lugar da Vila de Nossa Senhora da Vitória de Massangano, que viria a fundar em 1583. Paulo Dias de Novais faleceu a 9 de Maio de 1589 em Massangano, depois de ter vivido os últimos 14 anos da sua vida nas insalúbres terras de Angola, e foi sepultado em frente à Igreja de Nossa Senhora da Vitória, em Massangano, em túmulo de pedra, e as suas cinzas foram mais tarde transladadas para a Igreja dos Jesuítas em Luanda, pelo Governador Bento Banha Cardoso em 1609.
Agora isso é algo que eles mantêm segredo até os dia de hoje:
Espada do capitão Paulo Dias de Novais
Na localidade de Cabombo, onde vive o Rei Buba Nvula Dala Mana, um grupo de jornalistas que aí se deslocou teve a oportunidade de constatar alguns meios apreendidos em batalhas travadas no passado com o exército português.
A espada do capitão Paulo Dias de Novais, morto na batalha de Massangano em 1589, alguns artefactos como a bandeira, a coroa e algumas bijuterias da rainha Njinga Mbandi que, actualmente, são usados pelo rei Cabombo, continuam conservados.
Aos jornalistas, foi apresentada a guardiã do fogo, deixado pelo rei Ngola Kiluanji, que continua aceso até hoje. Explicações dadas no local indicam que caso se apague pode criar desgraças à população, daí a sua preservação.