08/22/2022
“Quem estiver voluntária e conscientemente submisso à essência, ciência e potência de Deus e afirmar positivamente essa submissão, recebe Deus em si; seu ser é penetrado pelo ser divino. Mas essa penetração não é completa: é limitada pela capacidade de quem a recebe. Para que se realize a completa penetração do ser divino – e nisso consiste a perfeita união amorosa –, a alma deve estar desvencilhada de qualquer outro ser; deve estar vazia de todas as criaturas e até de si própria, como expõe João da Cruz com tanta insistência. O amor, em sua realização plena, consiste na união pela entrega livre e mútua; é essa a vida interna da Santíssima Trindade. Tanto o amor humano, desejoso, ansioso, (‘EROS’) como o amor a Deus, misericordiosamente voltado para as criaturas (‘CARITAS’), tendem a essa plenitude; onde esses dois amores se encontrarem poderá haver uma união progressiva à custa de sacrifícios e da remoção dos obstáculos. Como sabemos, isso se realiza ativa e passivamente pela noite escura”.
Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz). A Ciência da Cruz: estudo sobre São João da Cruz. Edições Loyola. 3° Ed., p. 147-148.