28/03/2026
REFLEXÃO DO DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO
O Senhor vem sem criar grandes expectativas, nem mesmo um espetáculo, um show. Sua entrada em Jerusalém é preparada pelo povo, que conhece seus milagres e deposita nele algum tipo de esperança.
Humilde, vem montado em um burrinho, símbolo daquele animal que levava sobre si o peso das viagens no primeiro século. Assim como o Cordeiro que entra em meio à festa, deverá morrer para que a casa esteja de mesa farta para celebrar a Páscoa.
Jesus não vem em um cavalo branco, como entravam os reis após grandes vitórias. Sua luta não é contra homens, sua guerra não é por territórios. É o pecado que Ele quer destruir, para conquistar, por amor, nossa mente, nosso coração e nossas forças.
Lembremo-nos: todos, com exceção de sua mãe, de João e de algumas mulheres, o abandonariam à sorte da cruz, como ouvimos no Evangelho...
Será que hoje vamos ao encontro do Senhor? Sem expectativas humanas, mas com o firme propósito de recebê-lo como nosso Rei e Senhor? Só os homens de boa vontade, que enxergaram o Menino Deus na manjedoura, conseguem compreender este momento em que, mais uma vez, apesar da exaltação exterior, Ele vem e assume nossa pequenez, na manjedoura ao nascer, na cruz ao morrer.
Um Cordeiro manso que segue para o abatedouro, não há quem o proteja. Será imolado como servo fiel do Pai. Por que será que os seguidores de ontem não continuaram até seu cortejo de morte? Por que não o protegeram?
Será que, depois dEle nos decepcionar em nossas expectativas, continuamos com o mesmo ânimo de chamá-lo de Rei? Será que, ao reconhecê-lo fragilizado na cruz, gritaremos “Hosana nas alturas”? Será que queremos continuar seus súditos ou seguidores quando parece que Ele é derrotado pela morte?
Olhemos para o nosso Rei! Onde está sua glória? Será que Ele se parece com um ídolo de nossos tempos? Teria a mesma quantidade de “likes” ou audiência que Virgínia ou qualquer outro influencer digital?
Pois, na cruz, nu e envergonhado, Ele reina. Mesmo sem roupas, veste um manto púrpura, não produzido por mãos humanas, mas tecido pelo seu próprio sangue derramado.
Domingo passado, o último da Quaresma, Cristo ressuscitava Lázaro dentre os mortos. Hoje, Ele se adianta em direção à morte. Ontem, arrancava de Lázaro as vendas que o prendiam; hoje, estende as mãos àqueles que querem amarrá-lo. Ontem, arrancava Lázaro das trevas; hoje, por todos os pecadores, mergulha na escuridão e nas sombras da morte.
E mesmo assim, a Igreja está em festa. Começa a festa das festas, porque ela recebe o seu Rei como esposo, porque o seu Rei permanece no meio dela. Amém!
Uma abençoada Semana Santa!