Ilê Alaketu Asé Opon Odé Akueran

Ilê Alaketu Asé Opon Odé Akueran Novo Endereço. Estrada da Caputera s/n Bairro dos Morros Votorantim. Chácara Recanto do Caçador

Entra no Jardim Maria Luiza, chegando em frente a lixeira comunitária, vira a direita, segue reto e sobe a segunda a esquerda.

11/07/2023
08/07/2023

O Axêxê – A cerimônia

Aqui descrevemos um “esboço” para esclarecer os principais rituais realizados no Axexê, que pode variar conforme os fundamentos de cada casa, ou nação. Porém, mesmo variando de nação, esse ritual, é o que mais se assemelha entre si, contudo, cada nação terá seus princípios e valores que serão exaltados durante o axexê. Por isso, deve-se sempre seguir aquilo que nos foi passado pelos nossos Babalorixás ou Iyálòrìsàs. Mas basicamente este ritual resume-se no texto a seguir.

Axexê

Começamos por etapas a falar desta cerimônia:

1 – Fase preparatória

Desde que o falecimento de um Adosù do “terreiro” é conhecido, procede-se a levantar um pequeno recinto provisório, coberto de folhas de palmeira, junto ao Ilé-Igbó-Ikú, ou o chamado Balé. Que é uma casa de culto aos ancestrais daquela comunidade, que f**a afastada das demais.

A iyalasé, secundada por outra sacerdotisa, procede ao ritual dos “assentos” individual pertencentes ao falecido (a) , assim como todos seus objetos sagrados e tudo é depositado no chão, no recinto provisório, distantes dos Ile Òrìsàs. As quartinhas (Do defunto)que continham água, são esvaziadas e emborcadas.

2 – O Axexê _ Os cinco primeiros dias:

O ritual do axexê dura de acordo com o grau hierárquico que o Adosù possuía. Ou seja, pode durar Um (1), três (3) ou sete (7) dias. Dependendo de quanto tempo de iniciação o APARAKÁ (defunto) possuía. No caso de um sacerdote ou sacerdotisa, dura sete dias, repetindo-se no 1° mês, no 3° e 6° mês; No 1°, 3° e 7° ano, que é o tempo que o Egun leva, para desprender-se totalmente de suas raízes no Ayê.

Durante os primeiros cinco dias (5), o ritual procede seguindo exatamente esta sequência:

A – Todos os membros do Egbé, rigorosamente vestidos de branco, reúnem-se, no barracão, ao pôr-do-sol, para celebrar o ipade, tal qual descreveremos. No início, o espírito do morto é evocado junto com Esú e todas as entidades.

B – Terminado de cantar o Ipade o egbé (axé) coloca-se em volta da cuia vazia, que ocupa o centro da sala, deixando sempre uma passagem de saída para o exterior. Neste momento, um dos sacerdotes, encarregados do ritual que se vai desenrolar, no Ilé-Ikú e no recinto exterior onde estão os pertences do falecido, traz uma vela, colocando-a ao lado da cuia e ascende.

C - Todos os que estão presentes, enrolam suas cabeças com torços brancos e com um Ojá branco cobrindo-lhes cuidadosamente o corpo. No momento em que se ascende a vela, supõe que o espírito do morto se encontre na sala representado pela cuia. Um longo rito vai desenrolar-se, começando pela Iyálòrìsà responsável, ou pela Iyá Kèkèrè , seguido em ordem Hierárquica por cada uma das sacerdotisas de graus mais elevados, e finalmente por um grupo de dois a dois, de cada uma das noviças. Cada uma saúda o exterior, a cuia, os presentes, e dança na volta da cuia, passando por seu corpo e cabeça, uma moeda, delegando sua própria pessoa ao morto, com cantigas apropriadas ao mesmo tempo despede-se do morto. A primeira cantiga reverenciada pela Iyálòrìsà, é uma reverência a todos os axexê que, como dissemos, são os primeiros ancestrais da criação, o começo e a origem do universo, de uma linguagem, uma linhagem, de uma família, de um terreiro. A venerável morta, a adosu, que merece essa cerimônia e seu objeto, converter-se-á também num axexê.

A Iyalasé saúda (primeira cantiga) :

1 - Axexê, axexê o !

Axexê mo juba, axexê, axexê o!

2 - Axexê o ku agbá o!

Axexê, axexê o!

3 - Axexê, érù ku àgbá o!

Axexê, axexê o!

Tradução:

1 Axexê, axexê oh! Axexê; axexê eu lhes apresento meus humildes
Respeitos, oh!

2 Axexê oh! Axexê; Axexê eu venero e saúdo os mais antigos, oh!
Axexê oh! Axexê.

3 Axexê, a escrava (o) saúda os mais antigos, oh! Axexê,oh! Axexê!

Segunda cantiga:

Bibi Bibi ló bi wá, Odè Arolè ló .

Tradução: Nascimento do nascimento que nos trouxe Odé Arolé, (Oxossi) nos trouxe ao mundo.

Saudamos particularmente Oxossi, neste momento, pois este é o ancestre mítico fundador do Ajejé (vigília do caçador), como já foi mencionado anteriormente, e, consequentemente, fundador do axexê dos filhos do “terreiro”.

Todos os presentes são obrigados a despedir-se do morto e delegar-se dele por meio das moedas que depositam na Cuia-Emissária.

D – Quando todos os presentes prestaram suas homenagens e despediram-se do morto, formam uma roda em torno do egbé e os parentes do morto (irmãos de santo) entoam, entre outras, a cantiga:

Ò tó Rù egbé ma sokún Omo ò tó
Rù egbé ma sokúm Omo egum ko gbe eyin o!
Ekikan ejare àgbà Orixá gbe ni másè ekikan esin enia niyi r’òrun

Tradução:

Ele alcançou o tempo (de converter-se) no érù egbé (o carrego que representa o egbé).
Não chore,filho. Oficiante do rito, não chore!

Alcançou o tempo (de converter-se) no carrego (no representante) do egbé.
Não chore, filho. Que egum nos proteja a todos!

Proclamai o que é justo. Que àgbà Orixá nos proteja a todos!
Proclamai (que) foi enterrado um dos seus, que foi para o Orun.

(isto quer dizer, falai alto, com justa razão, porque enterraram alguém venerável, que foi para o orun).

A roda se desfaz e cada um volta para seu lugar.

E – Algumas adosù (adoxus) trazem comidas especialmente preparadas para essas ocasiões e depositam ao lado da cuia, junto com um obi.

F – Os sacerdotes vêm e levantam ritualmente a cuia com as moedas, apagam a vela e transportam tudo, também o obi e as comidas, para o recinto exterior, onde tudo é colocado junto com os objetos que pertencem ao morto.

G - Os membros do egbé na sala descobrem suas cabeças e amarram o pano branco por de baixo dos braços e formam uma segunda roda, saudando e homenageando os orixás. Acaba essa parte da cerimônia, eles se cobrem novamente e cantam uma única cantiga de adeus ao morto.

3 – Axexê – Sexto e sétimo dia:

O ritual do sexto e sétimo dia é o ponto culminante do ciclo. No crepúsculo, canta-se o Padê e continuam-se como nos dias precedentes até a fase. Seguem-se os seguintes ritos:

**Sexto dia:

A – Ao pé das comidas, do obi e da cuia, colocam-se os bichos que serão oferecidos de acordo com o axé do morto.

B – Um sacerdote vem do exterior e coloca no punho esquerdo, de todos os assistentes, pequenas tiras de mariwó. É isso que os identif**a como filhos do terreiro e os protege. (podem ser colocados ,para substituição do mariwó, “contra-eguns” feito de palha da costa).

C – Os membros do egbé retomam seus lugares e esperam, em silêncio absoluto, o termino do rito que se desenrola no Ilê-Ibó-Ikú.

D – Nesse meio tempo, os sacerdotes preparam o chamado final do morto. Trazem tudo, “assentos”, objetos pertencentes ao morto, cuia, obi, comidas, e animais para o Ilê-Ibó-Iku.
Traçam, no solo de barro, um pequeno círculo com areia, e por cima um círculo com as três cores símbolos, é um Ojúbo provisório, em que se invocará o morto.

No meio dele, parte-se o obi, e com seus seguimentos, consulta-se o oráculo sobre a destinação de cada objeto pertencente ao morto, bem como seus assentos. Se tratando de uma sacerdotisa de grau elevado, ou até mesmo o Babalorixá do terreiro, às vezes acontece que o assento de seu orixá permaneça no terreiro para ser adorado, com a condição de que o morto, consultado, esteja de acordo.

O resto ,que o morto não deixa para ninguém, é posto em volta do círculo assim como as três vasilhas novas de barro, que descreveremos como o “assento do egum da adusù”. Se essa adosù que partiu tiver um grau elevado, ou se for o caso de ser o dirigente do terreiro, essas três vasilhas serão separadas para proceder, mais tarde, a seu “assentamento” junto ao Ilê-Ibó-Iku. Caso contrário, que é a maioria, as três vasilhas são colocadas envolta do circulo-ojubò. O sacerdote, que “preside” a cerimônia, invoca o morto, batendo três vezes no solo com um Isán novo, preparado com uma grossa tala de palmeira. Invoca-se para que ele venha apanhar seu “carrego”, para que leve e se separe para sempre do Igbé e do terreiro.

Insiste-se, e na terceira vez, o morto responde e simultaneamente tudo é quebrado e destruído, quebrado com Isán, rasgado vestimentas e colares. Os animais são imolados e colocados por cima dos objetos quebrados, onde se coloca parte das moedas que se esparramaram ao quebrar a cuia e os mariwôs que foram retirados dos punhos irão junto com os despojos do morto. Coloca-se por cima um punhado da terra com a areia e as três substâncias cores recolhidas oportunamente. Um grande carrego é preparado: É o erú e os sacerdotes levarão, no dia seguinte, a perigosa carga, especif**ado pelo oráculo para que Exú e Elerú disponham dele.

O egbé forma uma roda, cantam para os orixás, um xirê, onde NÃO SE CANTA PRA XANGÔ (ESTE ORIXÁ SÓ PODE SER LOUVADO APÓS O CARREGO, NO SÉTIMO DIA), e no final cantam mais duas “rezas” despedindo-se do morto, e ao final entoam:

Iku o! Iku o gbe ló o gbe, Didi k” o ju eKu o! Òdigbõse o!

Tradução: Oh! Morte, morte o levou consigo, ele partiu! Levantem-se! Dancem! Nós o saudamos, Adeus!

**Sétimo dia:

A - No sétimo dia, é o dia do arremate, pela manhã é posta uma mesa, no centro do barracão, onde todos os participantes vão compartilhar as refeições com o falecido. É colocado um alguidar e louças para o morto, à cabeceira da mesa, seu lugar destaque, onde lhe é servido as refeições. Embaixo da mesa, também f**am vasilhas e alguidares, para despejo do que “sobra” das refeições, que posteriormente farão parte do “carrego”. É servido ao morto e aos demais participantes o café da manhã e o almoço, depois que termina o almoço junta-se tudo o que sobrou e coloca-se no carrego, que está no Ilê-ibo-Iku,.

Ao entardecer, canta-se novamente o Padê de despedida enquanto os sacerdotes arrematam, (fecham) o carrego.

B – Um sacerdote previne o egbé que, após o Padê, em silêncio, esperava na sala. Todos levantan-se para a saída do Erù-Ikù, cobrindo-lhes o corpo novamente com o Ojá branco.

C – Todos os participantes esperam em silêncio o regresso dos sacerdotes que, ao chegarem, irão, em primeiro lugar, prestar contas de sua missão no Ilê-Ibó-Iku. Em seguida, virão à sala para comunicar o feliz término da missão.

D – Depois de despachado o “carrego”, cantam-se duas cantigas do axexê (para EXú e para Oyá) e, após, para os orixás (xirê), inclusive para XANGÔ (celebrando a vida), onde é “permitido” a “manifestação” dos orixás que pertencem ao axexê, principalmente no caso de ser o Axexê do Babalorixá ou Iyalorixá do terreiro.

E - Após o “Xirê”, empreende-se uma limpeza ritual do terreiro, com folhas e amacis especiais, afim de “VARRER” os passos do morto do terreiro. Todos os Ilês-Orixás, deverão, ser “sacudidos”, bem como todas as quartinhas despachadas. Ser for o axexê do fundador do terreiro, tudo deve ser lavado para retirada da “mão” ou axé;

F - O axé do Adoxu passou a integrar o Axé do terreiro, se a pessoa falecida for a Iyalaxé, deverá proceder, neste dia, a “retirada de mão” de todos os objetos, todos os Borís (cabeças), pela Iyalaxé substituta ( Iyá Kekerê). Durante este rito, ela pousará sua mão sobre o Orí de cada um dos membros do egbé, transferindo-lhes seu próprio Axé.

G – Após o sacudimento e retirada de mão, se for o caso, o terreiro permanecerá fechado ao público por um período pré-determinado pelo jogo, e, se for a morte do Babalorixá ou Iyalorixá, f**a fechado para o público por um ano, porém as atividades internas continuam normalmente, respeitando algumas restrições de acordo com os “fundamento do terreiro” e da nação de origem ao qual o egbé pertence.

Uma cantiga entoada na terra Yoruba diz:

Ìyá Mi, axexê! Bà Mí, Axexê!

Olorùn um mi axexê o o! Ki ntoo bò Orìsà à é.

Tradução: Minha Mãe é minha origem! Meu Pai é Minha Origem!
Ólorùn é minha origem!
Consequentemente, adorarei minhas origens antes de qualquer outro orixá.

E no terreiro evoca-se: Gbogbo axexê tinu ara.

Tradução: Todos (conjunto dos) axexê no interior do nosso corpo...(do terreiro).

A direita da foto,no centro do igbé, é possível ver o Sirrum
e ao seu lado os Zerim, os instrumentos que dão ritmo ao Axexê.

Observação importante!

Se o grau da adosù o permite, e se o oráculo consultado o confirmar uma vez preparado o carrego, o ibo (lugar de adoração) desta será preparado com três vasilhas novas de barro, no sexto dia de axexê.

Um àpèré especialmente preparado com uma combinação de folhas apropriadas, é diretamente colocado sobre a terra no Ilê-Ibo-Iku, no lugar em que será implantado o “assento” formado com os três recipientes; coloca-se junto uma quartinha nova com água e cobre-se tudo com um pano branco. Cumprindo um ano de falecimento, uma oferenda especial é feita e a sacerdotisa (ou o sacerdote), passará a fazer parte dos mortos e ancestrais venerados no Ilê-Ibo-Iku, o axexê protetores do terreiro.

Curiosidades importantes

A – O ritmo do axexê:

O ritmo do axexê é percutido, geralmente, por instrumentos que substituem os atabaques, Sirrum e o Zerim ( que também dão nome à própria cerimônia).

O Sirrum é uma metade de cabaça emborcada em um alguidar, onde se encontra uma mescla de líquidos (água com folhas especiais). O Zerim, é um pote grande de barro, com certas substâncias dentro, que é percutido com um abano (leque de palha) dobrado em dois (por isso os Iyawôs não podem refrescar-se com abanos de palha).

Quando se trata de um adosù importante, com “cargo”, ou do próprio Babalorixá, o axexê é tocado com atabaques com o couro ligeiramente afrouxados, para serem, depois, despachados junto com o carrego.

B – Comidas do axexê:

Aqui serão descritas algumas comidas que fazem parte do ritual do axexê, porém, como já foi dito, cada casa segue seus ensinamentos (fundamentos). Essas comidas serão preparadas, em todos os dias da cerimônia, sendo depositadas ao lado da cuia-emissária, no egbé, e posteriormente transferidas para o Ilê-ibó-Iku.

1 – Furá - São bolinhos, ou bolas de: Arroz, farinha de mandioca, Inhame, farinha de milho e etc...

A - Furá de Farinha de mandioca: Num alguidar, coloca-se a farinha, depois água e modela os bolinhos arredondados, com as mãos, em números de 7, 14 ou 21, deposita-se num alguidar junto à cuia-emissária. Esta oferenda também serve para limpeza de corpo.

B – Furá de Inhame: O inhame deve ser bem cozido em água sem sal, depois pilado em pilão, ou com a ponta de um garfo, em seguida sovado para obter uma massa pastosa. Após, modelar os bolinhos arredondados com as mãos, depositado numa tigela de barro ou louça branca, colocado também junto à cuia-emissária,no egbé. Esta comida também pode ser oferecida à Oxaguian, Oxalufam, IYemanjá e, também, entra em vários rituais como o Borí, assentamento de cabeça, apanam, sassanha entre outros.

C – Furá de Dendê: Em um alguidar, coloca-se a farinha de milho, água e azeite de dendê; misture tudo até formar uma massa homogênea. Forme os bolinhos arredondados com as mãos. Esta comida é ofertada ao orixá Exú, no axexê; e também pode fazer parte do ritual de limpeza do corpo.

D – Bolinhos de Egum: Em um alguidar coloca-se a farinha de mandioca, água, cachaça; forme a massa e modele os bolinhos arredondados, acrescentando em cada um, um pedaço de carvão vegetal. Deposite num alguidar, coloque-o, também, ao lado da cuia-emissária. Esta comida pode ser preparada para limpeza do corpo, ofertada à egum.

Outras comidas ritualísticas também são preparadas, principalmente as dos orixás que possuem relação com o Axexê, como: Exú, Ogum, Oyá, Obaluaê, Obá, Oxumarê e Ewá. Porém estas são, geralmente, preparadas no “banquete do arremate”, o sétimo dia, o dia do carrego. Também, neste dia, são preparadas, ao Egum do adosù, as suas comidas prediletas, bem como tudo o que ele costumava comer e beber.

Nota final:

Meu conceito sobre o culto aos ancestrais

A importância do culto aos ancestrais, no meu ver, dá-se a partir da lembrança dos “parentes” vivos, da família do santo; assim sendo devidamente cultuados e reverenciados através do Axexê e, posteriormente (se permitido for), através do “assento do Ibó”. Eles, os ancestrais, passam a fazer parte do nosso presente, isso em quanto permanecerem vivos em nossas lembranças e corações, e não, apenas, na desesperada “luxúria” de cultuar os mortos, como tenho visto muito por aqui.

De nada adianta, no meu ponto-de-vista, adorar ou reverenciar a quem não se teve se quer um contato AFETIVO ou RITUALÍSTICO. Pelo que aprendi, com meu Babalorixá e, também, nessas pesquisas que tenho realizado, é que o “maior” AXÉ é o que nasce em nosso coração. É decepcionante ver que, a maioria dos “iniciados” ou adeptos ao Candomblé, especulam e cultuam, de forma errada e sem fundamento, o culto aos ancestrais; desejando esse “AXÉ” com o intuito de prejudicar alguém, o que foge totalmente aos princípios deste fundamento.

Portanto, a importância de se cultuar um Ibó de um ancestre que partiu para o Orùn, no Ilê-Ibo-Ikú, nada mais é que adorar e manter viva, entre os membros do egbé (sociedade, família de santo), à memória e os nossos respeitos. Essa prática também se faz importante para que possamos receber dos nossos ancestrais, as orientações necessárias para a continuidade das nossas “raízes”, do nosso egbé, para manter viva a nossa força.

Sendo assim, pelo que compreendo, o axé, que é integrado através do Ibó de um ancestre, ou até mesmo através do Ilê-ibo-Iku, é o que irá manter em atividade a engrenagem complexa do sistema e, através do ritual, propulsionará as transformações sucessivas e o eterno renascimento. Ou seja, o culto aos ancestrais é o que garantirá, dentre os membros de um egbé, a continuidade da vida, tanto no Ayê (mundo material), quanto no Orùn (mundo ancestral).

Filho do vento

03/06/2023

"...Ele que não gosta muito de gente
Mas é incapaz de deixar o indigente morrer de fome
Se ele vê um necessitado, apreça em socorre-lo
Se ele vê um doente, apreça em ajudá-lo
O morto de fome não passa fome perto dele

Vive solitário na mata, vaga na noite feito um leopardo negro
Seu olhos são profundos que dá medo
Ele anda sempre espreitando sua presa
Homem misterioso que não teme a morte"

Okè Árò!
Odé Árò Lè!

Que Pai Odé abençoe nossas mesas com fartura e abundância e nos livre das armadilhas, da morte e dos que não apreciam o bem coletivo.

Crédito
Eduardo Vyllaronn

Este texto é de inteira responsabilidade de quem assina.

20/05/2023
20/05/2023

ÍTÃN*

*Oxóssi*

Está presente
A cigarra está cantando

Antigamente, os mais velhos orientavam que os filhos trocassem bênçãos quando ouvissem o canto da cigarra. Segundo eles, era Oxóssi quem estava ali.

Oxóssi estava caçando e se aproximava uma tempestade.
As cigarras, então, cantavam pra avisar a Oxóssi que se protegesse em algum lugar seguro e que aguardasse que elas cantassem de novo pra avisar que ele já poderia sair em segurança.
Oxóssi, por gratidão, disse que toda vez que as cigarras cantassem, Ele estaria presente.

"A cigarra está cantando".
O Grande Caçador, provedor, está presente.
Prenúncio de prosperidade,
de grande fartura de amor,
saúde, paz, proteção,
sabedoria, vida longa com felicidades diárias
OKÉ ARÓ
Texto: Egba Nigeriano
Postado:Grupo Candomblé na Íntegra

Este texto é de inteira responsabilidade de quem assina.

ITÃNOyá Onirá*Onirá é a divindade ligada à Oxum mais é conhecida no Brasil como uma qualidade de Oyá.Onirá é guerreira e...
10/05/2023

ITÃN

Oyá Onirá*

Onirá é a divindade ligada à Oxum mais é conhecida no Brasil como uma qualidade de Oyá.

Onirá é guerreira e ao mesmo tempo doce; muito amiga de Oxum e caminhando com Oyá, Onirá recebe suas oferendas nas Águas doces.

Essa ligação forte com Oxum, fez surgir a ideia de que Onirá ensinou Oxum a lutar e fez a força de Oxum Òpárá.

Onirá é uma Orixá “Independente”, ou seja, não é qualidade e sim uma divindade de características próprias, seria um lado doce de Oxum e a Força da morte de Oyá, dividindo com Oyá até a Soberania sobre os Eguns.

Conta-se uma lenda (itan) que existia nas terras de Irá, uma linda moça chamada Onira (Senhora de Irá), ela sempre comandava seu povo com sabedoria.

Mas, ela tinha um grande problema: adorava lutar e se sentia bem em matar seus inimigos.

Onira era descontrolada quando tinha em punho sua adaga de guerra.

Certo dia enlouqueceu de vez, chegou a um vilarejo e matou todos que alí encontrou.

Os sábios da cidade de Irá resolveram procurar Oxalá para que ele na condição de Rei, mandasse que Onira parasse de matar.

Onira recebeu o recado que Oxalá queria vê-la e foi até Ilê Ifé (palácio de Oxalá).

Chegando lá, Oxalá assustou-se, pois as roupas de Onira eram vermelhas, de tanto sangue de suas vítimas.

Ela ajoelhou-se e perguntou o que o grande Rei queria.

Oxalá mandou que trouxessem uma grande quantidade de Efun (seu pó branco sagrado).

Pegou seu pó e jogou sobre Onira, na mesma hora suas vestes de cor vermelha, tornaram-se rosa, por causa da mistura do pó branco com o sangue.

Então, Oxalá ordenou que Onira não mataria mais ninguém, e que ela jamais vestiria vermelho em publico, e que rosa seria sua cor daquele dia em diante, e como ela era uma moça tão quente, que fosse morar nas águas junto com Oxum.

E lhe disse: Onira minha filha, és uma moça tão bela, tão doce, por que matas?
Sinto-me bem quando tiro a vida de alguém, mais sei que isso não é certo.

Foi então que Oxalá teve uma idéia: Já que você gosta lidar com a vida e com a morte, você terá junto com Oyá o domínio sobre os Eguns.

Não tirarás mais a vida de ninguém, apenas irá conduzir os que já se foram.

Está certo Oxalá, seu desejo será realizado mas não tire de mim minha adaga.

Oxalá disse: Pode deixar, mais agora vá morar na cachoeira com Oxum.

Onira obedeceu a Oxalá, foi morar na cachoeira, chegando lá Oxum ria e debochava dela, mais resolveu ser sua amiga.

Porém, Onira muito mal humorada, não queria papo, até que um dia Onira adormeceu sobre uma pedra, olhando Oxum banhar-se e as águas da cachoeira subiram e Onira estava morrendo afogada, Oxum vendo o que estava acontecendo, mergulhou e foi salva-la, chegando lá Onira estava quase morta e Oxum resolveu fazer um feitiço e na mesma hora Onira reviveu e transformou-se em uma espécie de lava que correu rio a fora.

Onira transformou-se em um rio de fogo, Oxum pensou que Onira havia morrido, chorou por horas, sem saber o que diria a Oxalá, já que ele a incubiu de tomar conta da moça atrevida.

Foi então que surgiu uma borboleta linda, de cor salmão com tons alaranjados, que voava ao redor de Oxum.

Ela tentou pegar a borboleta que voou para dentro da floresta, Oxum seguiu a borboleta que parou em frente a uma árvore e tomou a forma da linda Onira.

Oxum não acreditava no que via, e Onira lhe disse: Por que choravas minha amiga, estou aqui viva, e graças a você!
Graças a mim porquê Onira?
Eu não fiz nada.
Na hora que eu estava morrendo você fez um feitiço e dividiu comigo todo seu encanto, agora sou uma NINFA (mulher encantada), assim como você tenho poderes de transformação.

Posso ser um RIO de FOGO nos meus momentos de ira, posso ser um BÚFALO quando eu quiser f**ar sozinha, e me transformar na mais bela BORBOLETA quando estiver feliz.

Onira foi até Oxalá lhe contar o que havia acontecido, ele ficou feliz mais sabia que toda esta mudança jamais acalmaria Onira, e que por dentro ela ainda seria aquela guerreira incansável.

Mandou então que ela fosse morar com Oyá e aprender a dominar os Eguns.

Depois, Onira mudou-se e foi viver com Oxosse e como ela foi criada por caçadores, sabia caçar como ninguém.

E Onira morou com quase todos os Orixás, aprendendo tudo que eles sabiam fazer.

Quando o culto aos Orixás veio para o Brasil, confundiram Onira com Oyá e por isso então ela passou a ser cultuada no Panteão das Oyás, tornando-se uma qualidade de Oyá.

Mas sabemos que Onira é um orixá assim como todos os outros.

Endereço

EStrada Da Caputera S/n Bairro Dos Morros. . . Chácara Recanto Do Caçador Entra No Jardim Maria Luiza, Chegando Em Frente A Lixeira Comunitária, Vira A Direita, Segue Reto E Sobe A Segunda A Esquerda
Votorantim, SP
18113-855

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