21/07/2026
Existe um tabu gigantesco quando o assunto é dinheiro dentro das religiões de terreiro. Por anos, romantizou-se a ideia de que o sagrado deve existir à margem da estrutura financeira, gerando uma cultura onde cobrar por uma contribuição mínima soa como um pecado absoluto para os desavisados.
Precisamos separar os fundamentos. O axé, a incorporação, o passe de Exu e a consulta do Preto Velho jamais terão preço. A ação espiritual é inegociável e é o pilar da Umbanda. Ninguém compra a cura ou a bênção de um ancestral.
Entretanto, a infraestrutura física que abriga essa caridade tem um custo material alto e mensal. O aluguel do galpão, a conta de luz, a água para lavar as quartinhas, os tecidos, a cera das velas e os elementos rituais possuem preço de mercado. E, infelizmente, eu vejo muitos frequentadores que pagam fortunas em terapias alternativas virarem o rosto quando o terreiro pede uma ajuda de custo para manter o barracão funcionando.
É uma vaidade perigosa exigir que o dirigente assuma sozinho os boletos de um espaço que cura dezenas ou centenas de pessoas. A manutenção da nossa casa sagrada é responsabilidade de toda a comunidade que dela se beneficia. Ancestral ensina sobre prosperidade e abundância, a miséria estrutural não é um preceito da nossa ancestralidade.
Assuma a sua parte. Quem verdadeiramente valoriza a raiz, ajuda a regá-la no mundo material.
Se você concorda que o nosso chão de terra merece estrutura e respeito, encaminhe este texto, no Direct, para os seus irmãos de santo e para a liderança do seu barracão.
Axé!!!