16/02/2026
Eṣú
Quarta-feira, dia 10 de setembro de 2025, às 12:30.
Eu já sentia antes mesmo de entender.
Era no compasso do peito que ele anunciava sua chegada,
no arrepio súbito que corria pela espinha,
na chama invisível que transformava meu sangue em dendê
derramado na encruzilhada da vida.
Se há aláfia, é porque ele permitiu.
Se há caminho aberto, foi ele quem sorriu primeiro.
Exu é dono do movimento que me atravessa,
senhor da palavra dita e da que ainda será.
Minha fé não é estática —
ela caminha, tropeça, aprende e se levanta,
porque ele ensina que viver é atravessar portas
e compreender que nenhuma se abre
sem sua anuência.
Cruzá-lo não é descuido,
é reconhecer a força que habita o risco,
o riso que mora no mistério.
Homem com alma de menino travesso,
olhar atento, passo ligeiro,
guardião dos destinos e vigia do ori.
Exu Odara é quem dança na encruzilhada
e transforma o caos em direção.
É ele quem guarda, protege e orienta,
o maior sentinela do meu caminho.
E assim compreendo:
onde há pulsar, há Exu.
Onde há escolha, há sua presença.
E onde há fé,
há movimento.