19/05/2026
QUANDO BARÁ ENGANOU IKU
No Batuque do Rio Grande do Sul e da Bacia da Prata, os antigos deixaram-nos uma regra sagrada; "Bará é atendido primeiro". Sempre se diz, mas raramente se aprofunda no verdadeiro porquê.
O segredo milenar está em um Itan muito antigo que nos mostra como Bará conseguiu enganar a morte.
Conta a história que Iku (a Morte) andava solto pelo mundo, tirando vidas antes que os Ayànm ọ́s (destinos) terminassem, sem nenhum controle. Então, Olodumaré enviou seu mensageiro para resolver o problema. Mas Bará, o Orixá da decepção, usou suas artimanhas para o impedir.
Desafiou-o para um duelo de refeições; sentar e comer até que um de nós não pudesse mais. Iku, confiante, começou a devorar prato após prato e encheu logo. Bará, mostrando seu caráter enganoso, cada vez que o outro se distraía, jogava a comida debaixo da mesa dissimuladamente. No final, Iku estava totalmente derrotado, enquanto o deus do engano continuava intacto e com força total.
Ao ser vencido pela picardia do Orixá das chaves, Iku não teve outra escolha senão fazer um acordo com ele. Para deixar os seres humanos em paz, Bará exigiu a condição de Iku e pediu a Olodumaré que, em troca de tal feito, ele deveria ter o direito de comer primeiro e receber suas oferendas antes de qualquer outro Orixá.
Por isso os velhos tinham tanta razão. Quando atendemos e saudamos primeiro Bará antes de qualquer Orixá, ele lembra Iku seu pacto e trava a passagem para a negatividade e o resto de Ajoguns. Ao cumprir este fundamento, garantimos que a harmonia reine no Ilé e que a balança jogue a nosso favor.
Primeiro Bará, sempre. Para que os caminhos se abram e a vida não pare antes do tempo.
Alupo Bará!
Emiliano d'Ode