05/02/2026
O uso de guias, elekes e idés começa como identificação de um povo, de uma aldeia e da classe social, sendo costume em toda África. Servos e condenados não usavam elekes nem idés. As cores e os enfeites marcavam pertencimento, território e posição, assim como os Aberes, cortes rituais feitos na pele como forma de cura e marcas tribais. Esses símbolos não eram adornos, eram sinais de poder e reconhecimento social.
As guias eram feitas de coral, resinas naturais como o âmbar ou metais como a amatita, variando conforme status, função e região. Idés, elekes e aberes sempre identificaram aldeia, classe e status, sendo também símbolos de poder, conforme os Odus Ogbe Kana, Agba Ojuani Meji, Ogbe Fun e Ogbe Sa.
Na diáspora, o uso das guias continuou apontando território. Populações ribeirinhas utilizavam materiais do mar, enquanto povos do interior usavam principalmente minerais. No Novo Mundo, essa prática mantém seus fundamentos e assume também o significado de proteção espiritual. As guias eram exibidas com orgulho, e quem não possuía esses sinais era menos considerado, inclusive após ser vendido.
Colares e pulseiras finas eram destinados às classes mais baixas, hoje ocupando o lugar dos aprendizes. Os colares de maço sempre foram usados por classes mais altas e sacerdotes. No Kari Oxa Lukumí Caribenho, existem o Inhafa e o Inha Orixá, fundamento do Odu Ogbe Yonu (Ogbe Ogunda). Esse colar só pode ser usado por Babalawos, pois passa por cerimônias de Egun a Ifá. O uso sem o devido cargo configura profanação religiosa e o impacto no mundo espiritual é direto.
Quem usa o que não lhe pertence se apresenta como o que não é, chama cobranças que não pode sustentar e cria desequilíbrio entre cargo, destino e axé.
Guia não é estética.
É identificação e responsabilidade espiritual.
Crédito
Luiz Henrique