27/02/2020
SEGUNDA HORA
Das 6 às 7 da noite
Jesus separa-se de Sua santíssima Mãe e vai ao Cenáculo
Meu adorável Jesus, depois de ter participado das Tuas dores e das dores de Tua aflita Mãe, vejo que decides partir, ir para aonde a Vontade do Pai Te chama. O amor entre Filho e Mãe é tanto que vos torna inseparáveis; amor pelo qual Tu te abandonas ao coração da Mãe, e a Rainha e doce Mãe se coloca no Teu; de outro modo seria impossível separar-vos. Depois, abençoando-vos reciprocamente, Tu lhe dás o último beijo, para fortalecê-la nas dores amargas que está para suportar; lhe dás o último adeus e partes.
A palidez do Teu rosto, os Teus lábios trêmulos, a Tua voz sufocada, como se quisesses desatar em pranto ao dizer adeus, tudo me diz quanto a amas e como sofres ao deixá-la!
Mas para cumprir a Vontade do Pai, com os vossos corações unidos, vos submeteis a tudo, desejando reparar por aqueles que, para não renunciar às ternuras de parentes e amigos, aos vínculos e afetos, não se preocupam em cumprir a Santa Vontade de Deus, nem em corresponder ao estado de santidade a que Deus os chama. Quanta dor Te causam estas almas, ao afastarem do Seu Coração o amor que lhes queres dar, para contentarem-se do amor das criaturas!
Meu adorável Amor, enquanto reparo Contigo, permite-me que permaneça com a Tua Mãe para consolá-la e sustentá-la, enquanto partes; depois acelerarei o passo para ir ao Teu encontro. Mas é com suma dor que vejo que a minha angustiada Mãe treme, e a dor é tanta que, enquanto está prestes a dizer adeus ao Filho, a voz morre em seus lábios e ela não consegue articular uma só palavra; quase desfalece e no seu desfalecimento de amor diz: “Meu Filho, meu Filho, abençoo-Te! Que amarga separação, mais cruel que toda a morte!”. Mas a dor a impede de falar e a emudece!
Rainha desconsolada, deixa-me que te ampare, que enxugue as tuas lágrimas e que me compadeça diante da tua amarga dor! Minha mãe, não te deixarei sozinha; e tu, leva-me contigo, ensina-me neste período tão doloroso para ti e para Jesus, o que devo fazer, como hei de defendê-lo, repará-lo e consolá-lo, e se devo entregar a minha vida para salvaguardar a sua.
Não, não me afastarei debaixo de teu manto. Ao teu sinal, voarei até Jesus e Lhe apresentarei o teu amor, os teus afetos, os teus beijos juntamente com os meus, e os colocarei em cada ferida, em cada gota do Seu sangue, em cada sofrimento e insulto a fim de que, sentindo os beijos e o amor da Mãe, as Suas dores sejam aliviadas. Depois, voltarei para baixo do teu manto, levando- te os Seus beijos para confortar o teu coração trespassado. Minha Mãe, o meu coração bate forte, quero ir ao encontro de Jesus. E enquanto beijo as tuas mãos maternas, abençoa-me como abençoaste Jesus e permite que eu vá me encontrar com Ele.
Meu doce Jesus, o amor indica-me os Teus passos e alcanço-Te, enquanto percorres as ruas de Jerusalém juntamente com os Teus amados discípulos. Olho para Ti e vejo-Te ainda pálido. Ouço a Tua voz doce, sim, mas tão triste que despedaça o coração de Teus discípulos, que estão inquietos.
“É a última vez - dizes - que percorro estas ruas sozinho; amanhã irei percorrê-las atado, arrastado entre mil insultos”. E indicando os pontos onde serás mais desonrado e dilacerado, continuas a dizer: “A Minha vida aqui na terra está para terminar, assim como o sol está prestes a se pôr; amanhã a esta hora já não estarei vivo! Mas, como o sol, ressurgirei no terceiro dia!”
Quando dizes isto, os apóstolos se entristecem, se calam e não sabem o que responder. Mas Tu acrescentas: “Coragem, não vos desanimeis; Eu não vos abandono e estarei sempre convosco; porém, é necessário que Eu morra para o bem de todos vós.”
Ao dizeres isto, ficas comovido, mas com voz trêmula continuas a instruí-los. E antes de Te fechares no Cenáculo, contemplas o sol que se põe, como a Tua vida que está para terminar; ofereces os Teus passos por aqueles que se encontram no ocaso da própria vida e lhes dá a graça de fazer com que esta termine em Ti, reparando por aqueles que, apesar dos desgostos e desenganos da vida, obstinam-se em não se renderem a Ti.
Depois olhas de novo para Jerusalém, o centro dos Teus prodígios e das predileções do Teu Coração, e que, em retribuição, já Te está preparando a cruz, afiando os pregos para cometer o deicídio. E Tu estremeces, sentes o Teu Coração destroçado e choras a destruição de Jerusalém.
Assim, reparas por tantas almas a Ti consagradas, que com muito cuidado procuravas formar como prodígios do Teu amor, e elas, ingratas e não reconhecidas, fazem-Te padecer mais amarguras! Quero reparar Contigo para aliviar o tormento do Teu coração.
Mas vejo que ficas horrorizado ao ver Jerusalém e, afastando o olhar, entras no Cenáculo. Meu Amor, aperta-me ao Teu Coração a fim de que eu faça minhas as Tuas amarguras, para oferecê-las Contigo; conservas com piedade a minha alma e, derramando sobre ela o Teu amor, abençoa-me.