17/02/2021
A QUARTA-FEIRA DE CINZAS, A QUARESMA E A UMBANDA
Hoje, nas igrejas Católicas mais tradicionais é o dia em que o Padre marca a testa de seus fiéis com cinzas provenientes dos ramos benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior, formando o sinal da cruz para que arrependam-se de seus pecados e com as cinzas possam reflitir sobre a fragilidade da vida e do futuro mais que certo ao qual todos nós estamos destinados: a morte.
"Mas estamos em um ano de PANDEMIA em que o Carnaval foi "cancelado", mesmo assim teremos quarta-feira de cinzas e quaresma?"
Para a espiritualidade o que vale é a energia movimentada, as intenções sejam elas, escancaradas ou ocultas, portanto, no plano espiritual, este ano o trabalho é até mais intenso, denso, que nos anos anteriores.
Muitas foram as orientações dadas pelos nossos guias, mas ainda assim, muitos não resistiram às tentações e sim, abriram brechas, não só desobedecendo as orientações sanitárias, materiais, como também, as morais e espirituais.
"E como funciona a quarta-feira de cinzas na Umbanda?"
Neste período de aproximadamente quarenta dias (contados os domingos a soma aumenta), as imagens das igrejas Católicas eram todas cobertas e o momento exigia total penitência e jejum, além de oração e vigia aumentada até o domingo de Páscoa.
Os escravos que cultuavam os seus Orixás escondidos de seus Senhores, também tinham de cobrir suas imagens de santos e não podiam também cultuar suas divindades, pois com qual argumento eles os fariam? Não era permitido nenhum barulho, cântico, celebração e por essa razão também que os terreiros acabavam não trabalhando na quaresma.
Alguns terreiros, por terem muito enraizado o catolicismo, fechavam e alguns ainda hoje, fecham suas portas pelas mesmas razões que os Católicos.
Hoje, apesar de ainda haver intolerância religiosa por toda parte, já podemos assumir o nosso amor e devoção aos nossos Guias e Orixás e até aos Santos, sem precisarmos cobrí-los. Muito pelo contrário, é tempo de desatar as amarras do medo e assumirmos de vez a nossa missão muitas vezes implorada e trazermos ensinamentos e luz à consciência das pessoas.
Estamos em uma Era de transição, cada minuto conta muito para a espiritualidade. Se for para permanecer algo das tradições, que sejam as práticas edificantes.
A Umbanda anunciada pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas, é uma religião Cristã, mas não é Católica, ela já pode caminhar com suas próprias pernas e até voar com suas asas!
A nossa Casa entende por extremamente necessário o trabalho na quaresma, porém, em virtude das restrições pela situação atual, é necessário que todos nós, de dirigentes à consulentes, façamos uma grande corrente mental através de preces e boas condutas num mesmo propósito, pois é justamente este o período de maior trabalho espiritual, onde as almas perdidas agravam o nosso quadro de falta de conscientização por meio de sugestões, obsessões e penam por entre nós, desacelerando o processo de evolução dos indivíduos mais suscetíveis.
Isso NUNCA ocorre de modo brutal ou explícito. É tudo muito sutil e em certas vezes imperceptível. São lançadas situações variadas nas quais somos testados. Nos dão a razão, para agirmos através do nosso orgulho e atestarmos nossas fraquezas. Seremos provados pela injustiça para nos tentar com o sentimento de vingança e sem perceber, estaremos todos num mesmo processo de pedido de socorro e misericórdia.
Essas provas invariavelmente acabam também exigindo muito mais dos médiuns, esta, uma outra razão a qual se tem informações de que alguns terreiros não trabalhem com a corrente mediúnica nessa época: a sobrecarga nem sempre suportada por médiuns “invigilantes”.
O trabalho na Umbanda não cessa nunca e por essa razão, orientamos e buscamos sempre a vigia constante, para que neste momento tudo ocorra com naturalidade.
Para esta quarta-feira de Cinzas a recomendação é de profunda reflexão sobre cada dia já vivido, sobre o que poderia ter sido feito melhor, sobre o quão melhores estamos e o quanto podemos e temos a melhorar.
Que as cinzas sejam símbolo sim, da fragilidade da vida, mas acima de tudo, da bênção que temos em poder recomeçar delas a cada novo dia ou encarnação.
Que nestes próximos dias, seus sentimentos guardados de compaixão, perdão, benevolência, caridade, empatia, amor e fé, ressurjam das cinzas e façam acender a chama da esperança de dias melhores.
ORAÇÃO PARA A QUARESMA
“Em nome de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, Mentores, Guias, Protetores e Guardiões, peço proteção e discernimento diante dos desafios que me forem designados.
Que as Sete Linhas da Umbanda me protejam, me amparem e me guiem rumo à missão que me foi confiada e por mim aceita. Que esses quarenta dias de provas sejam quarenta dias de aprendizado.
Agradeço o Plano espiritual e material, as provações, que me farão mais forte, os ataques que me mostrarão o quanto sou protegido, a tentação, que mostrará a importância da minha fé.
Serei grato também a cada queda que vier a sofrer, pois elas me mostrarão o quanto tenho a melhorar e o quanto tenho de amparo para cada recomeço.
Que não me falte bondade, quando o mal se mostrar realidade.
Que eu seja forte e não me acovarde.
Que eu tenha força mas também, serenidade.
Para carregar junto à minha Cruz, a bandeira da paz, da fraternidade e da caridade.
Saravá”
>>>----->
Texto/oração: Jackelline Furuuti - Casa D.E.U.S. Fontes:Wikipédia/art.com/pedacinhodeAruanda e ensinamentos adquiridos na Casa D.E.U.S.
ilustração(Pinterest, artista não identificado) de um folião com peso de consciência, sentado dentro de um porão iluminado por uma luz direcionada.