24/12/2023
KÉRÉSÌMESÌ – O NATAL E OS CANDOMBLECISTAS
O Natal há muito tempo deixou de ser unicamente uma data comemorativa dos católicos. O Natal é uma data consagrada pela cultura brasileira como um dia de confraternização, de união familiar.
Desde o período da colonização africana pelos europeus, povos como o yorùbá já tinham contato com a Religião Cristã. Já tinham sido apresentados a Jésù (como os povos yorubanos chamam Jesus) e a Ẹ̀là (o paralelo como entendiam o Espírito Santo).
Kérésìmesì é como os yorùbá chamam o Natal. A festa católica nunca foi incorporada como rito nos Cultos Tradicionais Africanos, nem no Candomblé brasileiro. E nem precisa ser, em que pese a força do sincretismo surgido em nosso país.
Basta saber a origem da Festa e o sentido religioso. Basta entender.
Mas por que rejeitar? Não podemos nos portar como os fundamentalistas que proíbem seus filhos de comer doces no dia de Cosme e Damião, ou que boicotam o acarajé. Esses também são exemplos válidos de compartilhamento cultural. Não de unificação ritual.
Candomblecistas, judeus, muçulmanos, budistas e tantos outros religiosos que vivem aqui, entendem a força e a vastidão da nossa cultura. Quem não deseja “Um Feliz Natal”? E por que não desejar, já que o Natal também possui um significado de paz, harmonia, esperança?
Afinal, paz (àlàáfíà), harmonia (ìrẹ́pọ), esperança (ìrètí), não são desejos apenas dos cristãos. São também dos candomblecistas e de todos aqueles cuja religiosidade deve valer a pena.
Natal é uma época de lembranças boas, nas quais rememoramos momentos felizes que passamos com nossos parentes, amigos e entes queridos. Isso só pode agradar aos nossos ancestrais (ésà).
Se os parentes têm credos diferentes, que o Natal sirva como exercício de tolerância, como exemplo de boa convivência. Que então, se for necessário, nem se fale de religião. Mas se pratique a solidariedade, a superação e a união das famílias.
Ẹ kú Kérésìmesì ! Bom Natal ! Que seja um momento de paz aos brasileiros de qualquer credo!
Márcio de Jagun