21/08/2026
A Parashá desta semana - Ki Tetsê, Deuteronômio 21:10-25:19, trata de uma série de leis, 74 mitzvot de um total de 613, muitas relativas à vida doméstica e civil, incluindo ordens para quando da captura de belas escravas durante a guerra, herança para o primogênito de um homem que tem duas esposas, objetos encontrados pertencentes a outrem, pronto pagamento de salários, responsabilidade indireta, cuidados ao construir ou reformar uma propriedade - a fim de não representar riscos para terceiros -, honestidade nos negócios, tratamento a dispensar a animais domésticos – inclusa a mitzvá de não pegar os filhotes na frente da mãe (deles), para não fazê-la sofrer -, dentre outras. Como sempre, acredito que temos muito a aprender com a leitura da Torá, e um dos ensinamentos desta parashá - a meu ver, o óbvio - é: o que é dos outros é sagrado; portanto, não se deve pegar o que não nos pertence; caso encontremos um objeto (ou um animal) pertencente a outrem, devemos procurar o dono e restituir-lhe o bem, mas, sem estardalhaço, pois não fazemos mais do que nossa obrigação. (Hoje em dia, a honestidade, que deveria ser regra, parece exceção, pois, quando alguém encontra uma carteira e a devolve ao dono, aparece nos jornais). Quanto a construções ou reformas, creio que devamos sempre nos preocupar em não afetar os outros, quer diretamente (construindo coisas que representem riscos, ou não cuidando da obra - deixando materiais em locais indevidos, buracos abertos etc.), quer indiretamente, provocando desconforto pelo barulho ou poeira excessivos, por exemplo. Quanto aos animais, devemos ser responsáveis tanto quando somos seus tutores, alimentando-os, levando-os ao veterinário, mantendo-os saudáveis e seguros, não os abandonando; quanto quando os encontramos na rua – sem agredi-los, ou afetá-los. E, por fim, quanto à mitzvá de não pegar um filhote de ave quando a mãe estiver por perto, diz o Midrash que é também uma metáfora: devemos respeitar as mães de animais como respeitamos nossas mães. Deste modo – e não só por isso - teremos como recompensa uma vida longa. Enfim, essas mitzvot nos ensinam sobre o cuidado com o outro, e como nos disse Hilel: "Não faça aos outros o que não quer que façam a você. Aí está toda a Torá. O resto é mero comentário”. Outro importante ensinamento: em 25:17-19, vemos “a ordem de apagar a memória de Amalec, que não é dirigida contra aquele povo que há milênios jaz na poeira, mas uma rigorosa advertência de banir dos nossos corações essa perfídia amalequita, que infelizmente perdura até hoje, impossibilitando a convivência harmoniosa entre povos e credos. Pois, desde que um povo, uma raça humana ou uma tribo possa ser oprimida, perseguida e aniquilada pela sua idiossincrasia, pelas suas convicções religiosas, pelo fato de querer concretizar os seus ideais nacionais, isto significa uma profanação e uma provocação à existência Divina, um ultraje contra as regras elementares do humanismo, e cedo ou tarde esta blasfêmia será vingada”. (Rabino Menahem Mendel Diesendruck z”l, in A Lei de Moisés). Infelizmente, em nossos dias, temos presenciado cenas de violência causadas pela intolerância em virtude de raça, cor, credo, orientação, especialmente o crescimento do antissemitismo, que grassa no mundo (mas não tem graça nenhuma), a inversão de valores, um número crescente de defensores de terroristas, “justificando” seus atos hediondos e injustificáveis. Rezemos para que o Eterno possa apagar o ódio que resulta dessas ações. Por último, mas não menos importante, vemos que a parashá começa com: “Quando fores à guerra contra teus inimigos… (daí o nome da parashá): segundo nossos sábios, o maior de nossos inimigos é nossa inclinação para o mal – e diariamente temos de lutar para vencermos a batalha contra o mal que existe dentro de nós”. E, segundo o Talmud, Hashem criou a tendência que temos para o mal e criou a Torá como antídoto a essa tendência. Então, sugiro que aproveitemos o descanso do shabat para ler a Torá, especialmente esta parashá, a fim de nos tornarmos melhores pessoas e não sermos como nossos inimigos, que só pensam em fazer o mal. Ainda, a haftará dessa semana, Isaías 54:1-10, é mais uma das sete haftarot de co***lo, que nos trazem palavras reconfortantes. Shabat shalom leculam v’Ketivah v’Chatimah tovah! Ótimo shabat e que todos tenhamos uma boa inscrição no Livro da Vida E que tenhamos boas notícias!