15/05/2026
RESUMO DA PARASHÁ ATUAL
A parashá desta semana é Bamidbar (No deserto - Números 1:1-4:20), cujo mote é o censo dos homens que já estavam no deserto havia dois anos, e que contavam com a idade de 20 anos em diante – período em que podiam fazer parte dos exércitos. Aliás, vemos, nesta parashá, a criação do primeiro exército do povo, “uma ideia bem revolucionária para a época. Em geral, Israel é reconhecido como precursor de ideias de liberdade, igualdade etc., mas, poucos sabem que Israel deu origem, também, a um novo e revolucionário conceito militar. Na verdade, é o primeiro registro histórico de um exército composto não por escravos nem por mercenários, nem por voluntários ou soldados de carreira, mas, pela totalidade de um povo. Quando Hashem determina a contagem, Ele diz a Moshé: ‘levanta o censo dos filhos de Israel, segundo seus pais e o número dos nomes, todo homem, cabeça por cabeça” (Números 1:2). Isso também significa que o soldado israelense “jamais será ‘um número sem nome’, mas sempre fará parte da casa de seu pai. Um soldado guerreiro quando necessário; um filho e pai de família o tempo todo”. (Rabi Pinchás H. Peli, in Torá Hoje). Ainda sobre o censo, “na realidade, Ele não tinha necessidade desta contagem. Ela foi ordenada em benefício dos filhos de Israel, para incrementar a autoestima que começava a brotar na alma de cada um deles, tornando perceptível o valor que tinham como indivíduos e como povo. Pois, conta-os devido à estima que tem D’us por eles”. (Rabi Moshe Grylak, in Reflexões sobre a Torá). Por essa razão, recebemos de Hashem uma missão que só cabe a nós cumprir; pois, devemos dizer que “para mim o mundo foi criado”, cujo significado é: “sobre mim recai a responsabilidade de criar um mundo melhor”. (A lei de Moisés, Rabi Matzliah Melamed). Além do censo, também encontramos nesta parashá um relato sobre a organização dos acampamentos, que seria respeitada durante toda a jornada através do deserto. Segundo o Midrash (Yalkut 685), antes de morrer, Jacó deixou instruções acerca de seu funeral, inclusive designando o lugar que cada filho deveria ocupar em torno de seu caixão. Foi seguindo essas instruções que Moshé organizou o lugar de acampamento de cada tribo, com a de Levi, responsável pelo Mishcan (Templo Móvel), ao centro, e as outras ao seu redor. Comentando sobre essa parashá, o Rab. Eli Scheller, diz que um censo de almas foi feito para nos mostrar que cada um de nós é único para Hashem - tanto que Hashem criou a Torá para que possamos nos conectar a Ele; e essa conexão acontece com cada um de nós em uma parashá específica – todos nós temos aquela porção que nos cala mais fundo (quem sabe esta não seja a sua?). Deste modo, a leitura da Torá não é restrita a alguns, mas todos nós podemos – e devemos - lê-la; mas, não só, pois, como, do pôr do sol de quinta-feira, 21/5, a sábado, 23/5, comemoramos Shavuot – a festa das colheitas, e a data em que lembramos o recebimento das Tábuas da Lei, convém ler também, os Dez Mandamentos e, claro, aplicá-los! Ainda, este shabat é chamado Mevarchim, em que abençoamos o mês vindouro (Sivan, neste caso), rezando uma corrente de salmos. Aproveitemos, pois, o descanso do shabat para ler a parashá na íntegra. E, a exemplo do censo, com tantas perdas ocorridas em virtude das guerras e da intolerância e do ódio que grassam no mundo, devemos, sim, contar todos os que nos cercam - que, Baruch Hashem, estão vivos. Shabat shalom, chag Shavuot sameach v’Chodesh Sivan tov! Ótimo shabat, ótima festa de Shavuot e ótimo mês de Sivan a todos!