COJUBA - Comunidade Judaica de Ubatuba

COJUBA - Comunidade Judaica de Ubatuba A COJUBA é a comunidade judaica de Ubatuba/SP. Aqui, realizamos Cabalat Shabat toda semana e comemoramos todos os chaguim. Temos cursos de Idioma Hebraico.

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24/08/2026

*Dar atenção ao primeiro momento / A Nota Diária / Sivan Rahav-Meir:*

*Tradutor: Yeshayahu F**s*

A parashá desta semana, “Ki Tavô”, descreve a cerimônia dos bikurim (primeiros frutos). O agricultor vai ao campo, vê o primeiro fruto que amadureceu e, em vez de simplesmente dar uma mordida, santifica aquele momento: coloca o fruto no cesto e sobe com ele a Jerusalém, em uma grande e festiva procissão.

O Baal Shem Tov, fundador do movimento chassídico, explicou que essa mitsvá faz parte de uma visão de mundo completa: todos os começos, os primeiros momentos, os “primeiros frutos” de nossa vida – devem receber um tratamento especial e muita atenção.

Ele pediu, por exemplo, que prestássemos atenção aos “bikurim” de cada dia, aos primeiros minutos depois de acordarmos, e estabeleceu: “É preciso prestar atenção ao ‘início’ do dia: primeiro pensamento, primeira palavra, primeiro ato”.

Nós nos levantamos com um pensamento otimista ou pessimista? Qual é a primeira palavra, a primeira frase que sai da nossa boca: uma reclamação ou algo positivo? E qual é a primeira coisa que fazemos? É um ato que conduzirá todos os atos seguintes em uma boa direção?

A “cerimônia dos bikurim” não é uma história distante; ela acontece repetidamente em nossa vida, inclusive nesta manhã. É preciso apenas prestar atenção. Um bom dia.

22/08/2026
21/08/2026

A Parashá desta semana - Ki Tetsê, Deuteronômio 21:10-25:19, trata de uma série de leis, 74 mitzvot de um total de 613, muitas relativas à vida doméstica e civil, incluindo ordens para quando da captura de belas escravas durante a guerra, herança para o primogênito de um homem que tem duas esposas, objetos encontrados pertencentes a outrem, pronto pagamento de salários, responsabilidade indireta, cuidados ao construir ou reformar uma propriedade - a fim de não representar riscos para terceiros -, honestidade nos negócios, tratamento a dispensar a animais domésticos – inclusa a mitzvá de não pegar os filhotes na frente da mãe (deles), para não fazê-la sofrer -, dentre outras. Como sempre, acredito que temos muito a aprender com a leitura da Torá, e um dos ensinamentos desta parashá - a meu ver, o óbvio - é: o que é dos outros é sagrado; portanto, não se deve pegar o que não nos pertence; caso encontremos um objeto (ou um animal) pertencente a outrem, devemos procurar o dono e restituir-lhe o bem, mas, sem estardalhaço, pois não fazemos mais do que nossa obrigação. (Hoje em dia, a honestidade, que deveria ser regra, parece exceção, pois, quando alguém encontra uma carteira e a devolve ao dono, aparece nos jornais). Quanto a construções ou reformas, creio que devamos sempre nos preocupar em não afetar os outros, quer diretamente (construindo coisas que representem riscos, ou não cuidando da obra - deixando materiais em locais indevidos, buracos abertos etc.), quer indiretamente, provocando desconforto pelo barulho ou poeira excessivos, por exemplo. Quanto aos animais, devemos ser responsáveis tanto quando somos seus tutores, alimentando-os, levando-os ao veterinário, mantendo-os saudáveis e seguros, não os abandonando; quanto quando os encontramos na rua – sem agredi-los, ou afetá-los. E, por fim, quanto à mitzvá de não pegar um filhote de ave quando a mãe estiver por perto, diz o Midrash que é também uma metáfora: devemos respeitar as mães de animais como respeitamos nossas mães. Deste modo – e não só por isso - teremos como recompensa uma vida longa. Enfim, essas mitzvot nos ensinam sobre o cuidado com o outro, e como nos disse Hilel: "Não faça aos outros o que não quer que façam a você. Aí está toda a Torá. O resto é mero comentário”. Outro importante ensinamento: em 25:17-19, vemos “a ordem de apagar a memória de Amalec, que não é dirigida contra aquele povo que há milênios jaz na poeira, mas uma rigorosa advertência de banir dos nossos corações essa perfídia amalequita, que infelizmente perdura até hoje, impossibilitando a convivência harmoniosa entre povos e credos. Pois, desde que um povo, uma raça humana ou uma tribo possa ser oprimida, perseguida e aniquilada pela sua idiossincrasia, pelas suas convicções religiosas, pelo fato de querer concretizar os seus ideais nacionais, isto significa uma profanação e uma provocação à existência Divina, um ultraje contra as regras elementares do humanismo, e cedo ou tarde esta blasfêmia será vingada”. (Rabino Menahem Mendel Diesendruck z”l, in A Lei de Moisés). Infelizmente, em nossos dias, temos presenciado cenas de violência causadas pela intolerância em virtude de raça, cor, credo, orientação, especialmente o crescimento do antissemitismo, que grassa no mundo (mas não tem graça nenhuma), a inversão de valores, um número crescente de defensores de terroristas, “justificando” seus atos hediondos e injustificáveis. Rezemos para que o Eterno possa apagar o ódio que resulta dessas ações. Por último, mas não menos importante, vemos que a parashá começa com: “Quando fores à guerra contra teus inimigos… (daí o nome da parashá): segundo nossos sábios, o maior de nossos inimigos é nossa inclinação para o mal – e diariamente temos de lutar para vencermos a batalha contra o mal que existe dentro de nós”. E, segundo o Talmud, Hashem criou a tendência que temos para o mal e criou a Torá como antídoto a essa tendência. Então, sugiro que aproveitemos o descanso do shabat para ler a Torá, especialmente esta parashá, a fim de nos tornarmos melhores pessoas e não sermos como nossos inimigos, que só pensam em fazer o mal. Ainda, a haftará dessa semana, Isaías 54:1-10, é mais uma das sete haftarot de co***lo, que nos trazem palavras reconfortantes. Shabat shalom leculam v’Ketivah v’Chatimah tovah! Ótimo shabat e que todos tenhamos uma boa inscrição no Livro da Vida E que tenhamos boas notícias!

14/08/2026

RESUMO DA PARASHÁ ATUAL

Na parashá desta semana – Shofetim (Juízes), Deuteronômio 16:18-21:9, vemos Moisés dizendo ao povo para escolher, dentre os membros da comunidade, pessoas para exercer cargos de juízes e policiais, e ensinando: “Juízes e policiais ‘designarás para ti’, em cada uma de tuas tribos, em todas as tuas cidades que o Eterno teu D’us te dá, e julgarão o povo com reto juízo. Não torcerás o juízo, não farás distinção de pessoas e não tomarás suborno; porque o suborno cega os olhos dos sábios e subverte as palavras justas (há mais de 3.300 anos isso vem sendo ensinado, mas, muitos ainda não aprenderam...). A justiça – e somente a justiça – deverás perseguir, para que vivas e herdes a terra que o Eterno, teu D’us, te dá”. (Dt 16:18-20). A meu ver, fazer justiça é sermos responsáveis uns pelos outros. Não é fazer justiça com as próprias mãos, não é julgar o outro por seu comportamento, não é usar dois pesos e duas medidas, sendo parciais, pois, no trecho acima, vemos que a palavra justiça (tsédek) é repetida duas vezes, para nos ensinar que, quando buscamos justiça, não podemos ser parciais. Além disso, o trecho “designará para ti”, “significa que, se não julgarmos antes a nós mesmos, como podemos julgar os outros”? (Pinchás H. Peli, in Torá Hoje). Não podemos nos desviar do caminho da retidão, ainda que muitos sigam por outro caminho. Às vezes, com tantos cometendo impropriedades, acabamos ficando confusos e nos perguntando: será que estou mesmo certo? Porém, devemos nos lembrar: o errado é sempre errado, não importa que muitos digam o contrário, ou seja, devemos ser sempre justos e sempre trilhar o caminho correto, o qual aprendemos na Torá, que norteia nossas vidas e nos mostra respostas para nossas dúvidas e soluções para nossos problemas. Deste modo, como vemos na parashá que um rei deveria sempre carregar uma Torá, nós também devemos fazê-lo (seguir a Torá). E não nos esqueçamos de que devemos cuidar sempre uns dos outros. Ainda, na Haftará desta semana, (Is 51:12-52:12), uma das sete haftarot de co***lo (de Tishá BeAv a Rosh Hashaná), lemos: “quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, que faz ouvir a salvação, que diz a Tsión: O teu D’us reina”. Que sejamos aqueles que consolam, que divulgam boas notícias, que lutam pela paz. A propósito, hoje começa Elul, “mês de preparação para os grandes Dias Festivos de Tishrei”. O mês de Elul foi quando Moshé subiu ao Monte Sinai pela terceira vez, lá ficando por 40 dias (de Rosh Chodesh Elul a Yom Kipur), e, depois desse tempo, desceu com as Segundas Tábuas da Lei e o consequente perdão de Hashem para os pecados do bezerro de ouro e dos espiões. Deste modo, aprendemos a aproveitar esse período para o arrependimento pelos nossos atos reprováveis, para fazermos nossas orações para que Hashem atenda nossas justas causas, e para ajudarmos os que precisam de nós, e, assim, tentar obter uma boa inscrição no Livro da Vida, em Yom Kipur, pois, como sabemos, teshuvá, tefilá e tzedacá (arrependimento sincero, oração e justiça social) podem mudar um mau Decreto. É isso! Shabat shalom leculam! Ketivah v'chatimah tovah! Ótimo shabat a todos! Que sejamos inscritos e selados para um bom ano! E que tenhamos boas notícias!

13/08/2026

*5 coisas para o início do mês de Elul, a partir desta noite! / A Nota Diária / Sivan Rahav-Meir:*

*Tradutor: Yeshayahu F**s*

1. Não se confundam: embora estejamos em meados de agosto, a partir desta noite começa Rosh Chodesh [o início do mês de] Elul! O último mês do ano é considerado um mês de correção e teshuvá (retorno). Na verdade, recebemos um presente: um tempo para fazer um balanço pessoal e mudar para melhor, em preparação para o novo ano.

2. Então, o que fazemos? Temos pela frente dois dias de Rosh Chodesh — quinta e sexta-feira. Há acréscimos especiais na tefilá (oração) e no Birkat Hamazon (bênção após as refeições), com o “Yaaleh Veyavô”, e recitamos o Hallel, composto por capítulos de Tehilim de louvor e agradecimento. No mês de Elul, os ashkenazim costumam tocar o shofar ao final da oração de Shacharit, e, a partir do término do Shabat, as comunidades sefaraditas já começam a recitar as Selichot. Desde Rosh Chodesh Elul até o final do período das festas de Tishrei, costuma-se recitar todos os dias o capítulo 27 de Tehilim, que começa com as palavras: “Para David: Hashem é minha luz e minha salvação”, palavras poderosas do rei David.

3. E por que tudo isso acontece justamente agora? O que há de especial em Elul? Em Rosh Chodesh Elul, Moshe Rabenu subiu ao Monte Sinai, depois do pecado do bezerro de ouro e da quebra das Tábuas da Lei. Quarenta dias depois, em Yom Kipur, ele desceu com as segundas Tábuas da Lei, inteiras. Desde então, estes são 40 dias de perdão, misericórdia e reconciliação. Dias de proximidade que nos anunciam: é possível consertar.

4. Elul é um acrônimo de: “Ani leDodi veDodi Li” — “Eu sou do meu amado e meu amado é meu”. É uma alusão a que agora D'us está próximo de nós, como um amado, e nós também nos aproximamos mais d'Ele. Há ainda uma bela expressão sobre este mês: “O Rei está no campo”. É como se D'us saísse ao encontro do povo, ao campo. Ele está próximo de nós, disponível, acessível.

5. Faltam trinta dias para Rosh Hashaná, e já é costume desejar a quem encontramos: “Ktivá Vechatimá Tová” — que sejamos inscritos e selados para o bem. Então, um bom mês, e Ktivá Vechatimá Tová.

07/08/2026

RESUMO DA PARASHÁ ATUAL

Na parashá desta semana, Reê (Veja) - Deuteronômio 11:26-16:17, Moshé, como em todo esse livro, reitera as orientações ao povo, com ênfase no que concerne ao cumprimento das mitzvot (55 de um total de 613!) - especialmente a de tsedacá (justiça social) - motivando-os a cumpri-las, e fazendo-os relembrar que seu cumprimento traz bênçãos, e seu não cumprimento, maldições. (Vimos, aqui, que temos o livre arbítrio – a escolha dos caminhos é sempre nossa). Fala, ainda, dos perigos da idolatria (seguir outros “deuses” e não Hashem) e dos animais cujo abate é permitido para consumo (cashrut – regras dietéticas judaicas, que não são apenas medidas sanitárias, mas de elevação do espírito). Quanto à cashrut, essas regras tratam da importância da alimentação - a nossa e a dos outros, aos quais devemos ajudar, porque todos devem ter direito a ter comida na mesa. E, segundo o Rav Avraham Yitzchak HaCohen Kook, “Comer com medida e santidade, santifica o homem e o mundo, o que torna a vida feliz”. “Quanto às shalosh regalim, as festas de peregrinação, (Pêssach, Shavuot e Sucot): cada uma delas tem relação direta com as outras duas: Pêssach é a saída do Egito, a libertacão; Shavuot é a constituição moral e espiritual de Israel; e, Sucot, a sua constituição civil e territorial. As três são festas de alegria e épocas de regozijo, porque todas nos colocam na presença de D'us, da natureza e da nossa milagrosa história”. (in A Lei de Moisés, de Meir Matzliah Melamed Z"L). Quanto à tsedacá, Moshé lembra que a recompensa de quem a faz é, além de não precisar da caridade alheia, trazer a quem doa uma satisfação maior da de quem a recebe. Além disso, não precisamos temer ficar pobres por doar parte do que temos. “Este dever, considerado como uma das virtudes humanas, é um mandamento positivo no judaísmo. Todo homem, mesmo aquele que vive de esmolas, é obrigado a exercer a caridade. Conforme o Talmude, tanto a riqueza como a pobreza vêm de D’us para colocar os homens à prova: ao rico, se emprega condignamente seu dinheiro; e, ao pobre, se ele se resigna com a sua vida de restrições com dignidade, e segue um caminho reto, apesar de tentado pela necessidade”. Talvez por isto, a Torá ordene reiteradamente (42 vezes!) que amemos o peregrino, (ou, nosso próximo). Isto revela a importância deste preceito aos olhos de D’us. Amar o peregrino como a nós mesmos significa que ele é um ser humano com sentimentos como nós, e que tem o direito de viver junto a nós com dignidade, como nos ensina o rabino Abraham Joshua Heschel sobre a expressão ‘Eu sou o Eterno, vosso D’us’: ‘Ou D’us é pai de todos os homens ou não é de nenhum’”. (A Lei de Moisés, N.E.). Portanto, sugiro que não nos esqueçamos de dividir nossas bênçãos com os menos afortunados, além de rezar pelos que não têm a mesma sorte. Ainda: este shabat é chamado de mevarchim, em que abençoamos o mês vindouro (no caso, Elul) rezando uma corrente de Salmos. E, como nos dizem nossos sábios, “Elul é o mês em que nosso Rei está no campo, o que torna possível nos aproximarmos d'Ele, para fazermos nossos pedidos”. Shabat shalom leculam! Ótimo shabat a todos! Chodesh Elul Tov! Bom mês de Elul! E que tenhamos boas notícias!

03/08/2026

*7 palavras que são uma revolução / A Nota Diária, Parashat Reê / Sivan Rahav-Meir:*

*Tradutor: Yeshayahu F**s*

O primeiro versículo da porção da Torá dessa semana (parashat Reê) apresenta diante de nós uma revolução. Vamos observar por um instante as sete palavras da frase que D'us nos diz e estudá-las juntos:

"Vê, Eu coloco diante de vocês hoje uma bênção e uma maldição."

• "Vê" – D'us se dirige a cada pessoa no singular, de forma pessoal, e pede: veja, pare, contemple o grande princípio que estamos prestes a aprender.

• "Eu coloco" – O Santo, Bendito Seja, concede a cada um de nós algo de forma pessoal. Ficamos esperando para ouvir o que é.

• "Diante de vocês" – Passamos da linguagem no singular ("vê") para a linguagem no plural ("diante de vocês"). Porque cada pequena ação sua influencia o coletivo. Cada mitzvá (mandamento), ou, D'us nos livre, o contrário, influencia todo o público.

• "Hoje" – Não há milhares de anos no deserto, mas agora, na segunda-feira, neste momento. A cada instante você escolhe como agir. Isso não é história; é atualidade. É o que está acontecendo agora.

• "Bênção e maldição" – E aqui chegamos ao ponto principal. D'us nos deu um poder especial: a capacidade de escolher como agir neste mundo. O Todo-Poderoso concede a nós, seres humanos, o livre-arbítrio entre a bênção e a maldição, entre o bem e o mal. Isso é nosso.

E se, D'us nos livre, você falhou e escolheu errado? Volte uma palavra e lembre-se de que hoje, e todos os dias, é possível começar novamente.

Convido vocês a lerem novamente esse versículo agora.

Boa leitura.

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