13/05/2022
Símbolos litúrgicos
A vela
O uso litúrgico da vela é muito frequente, tornando-se por isso um símbolo bastante presente na vida cristã. Assim, a apresentação do Senhor no templo é uma festa muito significativa entre nós. É chamada também Festa da Purificação de Nossa Senhora, ou Festa de Nossa Senhora das Candeias, isto é, das velas. Isto porque nesse dia são abençoadas as velas para a procissão, velas que depois são levadas devotamente para casa pelos fiéis. Celebra-se a festa quarenta dias depois do Natal, pois, segundo o Evangelho, neste dia, Maria e José apresentam o menino Jesus no templo por ser o primogênito e o resgataram pelo resgate dos pobres, ou seja, um par de rolas.
Esta festa quer antes de tudo comemorar e reviver o mistério da manifestação de Jesus Cristo no templo, proclamado pelo velho Simeão como luz dos povos. Cristo se manifesta como a Luz. Por isso, a procissão das velas e o símbolo da vela de onde surgiu também o nome de Festa de Nossa Senhora das Candeias.
A vela, símbolo da luz e da consagração, acompanha o cristão em sua caminhada por este mundo até chegar ao reino da luz. No Batismo ela significou a fé, a nova vida em Cristo, o Cristo que somos chamados a testemunhar. Na Primeira Comunhão assumimos o significado da vela, professando pessoalmente nossa fé. Usamos a vela acesa quando anualmente renovamos nossas promessas do Batismo na Vigília de Páscoa. Está presente em quase todas as celebrações litúrgicas; de modo especial na Celebração Eucarística. Na profissão religiosa ela quer significar a dedicação total a Deus e aos homens na vida da perfeita caridade. Acendemo-lá em expressão de consagração ou agradecimento nos santuários. A vela está presente em nossos encontros na intimidade, como na Ceia de Natal.
Enfim, muitos se preocupam em colocar a vela acesa na mão do moribundo. Pode ser um gesto de profundo significado de fé e esperança no Cristo, luz eterna dos que morrem no Senhor e de consagração de toda a vida a Deus. Infelizmente o gesto muitas vezes não passa de pura superstição, como se fosse o auxilio espiritual mais importante na hora da morte.
A festa da Apresentação de Jesus no templo nos lembra que também nós nos devemos tornar templo de Deus, acolhendo Cristo em nossa vida. Depois da vinda de Cristo que armou sua tenda entre os homens, aboliram-se os templos de pedra para surgirem por toda a terra os templos vivos. Como Cristo foi acolhido e exaltado no templo, a Liturgia desta festa ensina aos homens o acolhimento que devem prestar ao Salvador e à sua Mãe, quando canta: "Adorna, Sião, a tua câmara nupcial ! Acolhe a Cristo teu Rei ! Corre a Maria ! Ela é a porta do Céu, porque nos braços tem o Rei da Glória, a Luz nova, gerada antes da aurora".
Frei Alberto Beckhäuser, ofm