05/11/2025
Um Desabafo Necessário sobre pedir "Bença" e a Vaidade humana...
Há alguns dias, me deparei com uma expressão que ecoa na minha cabeça, misturada com incredulidade e uma ponta de tristeza: "não se abençoa pais e mães de santo".
Oi?
Desde quando nós, meros mortais e servidores da seara espiritual, nos tornamos tão soberanos a ponto de não sermos mais merecedores das bênçãos dos Orixás? Quando a hierarquia terrestre suplantou a humildade perante o divino?
Quando eu troco "bença" com um irmão, um filho ou qualquer povo de axé, eu NÃO estou pedindo a bênção do ser humano de carne e osso. Estou pedindo que o Orixá que rege aquele Ori me abençoe, me proteja e me guarde através daquele canal. É um reconhecimento do axé que habita no outro.
De onde surgiu a ideia de que não se pode dizer a um Pai ou Mãe de Santo "Que meu Pai Ogum lhe abençoe"? Isso não é soberba do ser humano, é uma invocação à força divina que o acompanha!
Parece que uma parcela da "gente status" está perdendo completamente a noção do que é espiritual, trocando a essência pela vaidade terrestre e uma soberania humana que não cabe nos pés dos Orixás. E, pra ser sincera, é por isso que as coisas estão do jeito que estão: muita forma e pouco fundamento.
Eu sigo aqui, na minha humilde posição.
Sigo trocando "bença" com qualquer um que seja de axé. Sigo colocando minha cabeça no chão em devoção ao Guia da Umbanda, ao Orixá do Candomblé, ou mesmo aos pés de um mais velho – mesmo que não seja meu sacerdote – porque cada um oferece o que tem de melhor.
E se tem uma coisa que, com toda a certeza, não me falta é humbê. Pois sei que é ele que nos mantém conectados ao que realmente importa: o sagrado.
Axé!
Mae Lilian de Ogum
05/11/25