09/10/2016
Quase nunca aqueles que afirmam a fé em Cristo são ajuizados conforme o padrão do Evangelho. Pelo contrário, o padrão do Evangelho é o que menos importa. Geralmente, a ponderação é construída a partir do enquadramento ou não das normas e regras institucionais e pela observância da dogmática própria do credo denominacional que pertencem (que é absolutizado como sendo “o evangelho”). Conforme o que leio nas Escrituras, o padrão não é esse ou aquele procedimento regimental e doutrinário. Muito menos esse ou aquele proceder normativo esquizofrênico definido por mentes doentias, tomadas de maldades e promiscuidade. Lendo uma carta do apostolo Paulo escrita para Timóteo ele aponta o que seria um padrão a ser buscado por todos aqueles que afirmam a fé em Cristo: “torna-te padrão dos fieis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza”. Esse é o padrão. O duro é que esse padrão, quase sempre, torna-se padronizado e absolutizado pela hermenêutica denominacional e não pela simplicidade do Evangelho. Eu sou avaliado pelos que afirmam a fé cristã não pelo caráter e bom procedimento. Muitos menos se ajo na vida com bondade, graça e misericórdia. Nem se em minhas atitudes e relacionamentos trato o outro com dignidade e retidão. Ter uma família organizada existencialmente, ser boa praça, aceitável pelos “não crentes”, entre outras questões, nem entra na estimativa. Ou melhor, entra só se for para condenação e reprovação. Mas, aí o problema já não é mais meu nem de meu existir. Não que esse cenário não seja triste para mim. Digo, ser aceito ou não, mas constatar que na mente da cristandade o padrão não seja o Evangelho, mas a caricatura que chamam e seguem denominado de “evangelho”.