14/05/2022
Num retiro de pastores, um colega me indagou qual a minha frustração pastoral após quatro décadas como pastor. Respondi que era ter que preparar mamadeiras para crianças que nunca cresceram espiritualmente.
A maior parte do tempo e das emoções de um pastor (e da igreja) é gasta cuidando de gente que não amadurece. Um colega disse que em sua igreja ele precisa telefonar para todos os membros ou visitá-los durante a semana, senão eles não vão à igreja, por que "não foram tratados como merecem".
Em uma igreja, um crente se escondia atrás de uma coluna e no dia seguinte telefonava para saber se o pastor sentira sua falta. Igreja é hospital, recebe doentes, mas é lugar de cura. Há doentes que se recusam à cura. Querem afagos. O Espírito Santo não produz doença, e sim saúde. Mas as igrejas estão cheias de doentes emocionais.
Quando eu era criança, havia a figura do garoto que era "pereba", como a gente dizia (ruim de bola), mas era o dono da bola. Até pênalti ele batia. E perdia! Se não, levava a bola para casa. Em criança, vá lá. Em adulto pega mal! Mas parte do tempo usamos para treinar pessoas para o serviço cristão, mas o problema está em treinar bebês espirituais que nunca aprendem.
Muito de nossas emoções se gasta afagando criancinhas em Cristo. Poderíamos investi-las na busca de pessoas para Cristo. O alvo de Deus para nós é chegarmos "ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo; para que não sejamos mais inconstantes como crianças..." (Ef 4.13-14). Devemos ser crianças na malícia, mas adultos no entendimento (1Co 14.20). Crianças espirituais impedem a marcha da igreja de Jesus. São clientes e não soldados engajados na luta! Graças a Deus que a igreja não se compõe só de deficientes espirituais. Há adultos espirituais, confiáveis, "pau pra toda a obra". Deus tenha misericórdia das crianças. Que elas tenham juízo e cresçam. Deus seja louvado pelos maduros. Que eles nunca desanimem!
Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho (1948-2013)