17/07/2019
Memória – História e Caminhada do
Olho d'Água da Bica - CE
O que projetou a vila de Olho d' Água da Bica foi a festa de Nossa Senhora da Saúde, cuja igreja foi construída em 1881, por iniciativa do Padre Joaquim de Meneses. Era voz corrente que ele sonhara com a Santa, pedindo-lhe que edificasse uma capela no Olho d' Água da Bica, próximo à fonte que jorra aos pés de uma oiticica. Outros afirmavam que o sacerdote, homem de Deus, virtuoso, dedicado exclusivamente aos mistérios da fé, não tivera apenas uma visão, mas vira a Santa marcando o local onde haveria de ser erguida a capela. A construção contou com o apoio dos moradores que, apesar de poucos, ajudaram nos alicerces, no carregamento de pedras etc. Apesar da construção da Igreja ser de 1881, só em 31 de maio de 1882 foi celebrada a primeira missa. E neste dia foi bento o sino. Naquele mesmo ano, em 1882, foi construído o cruzeiro, todo de pedras, artisticamente talhadas.
Quando o cruzeiro estava concluído, o Padre Joaquim de Menezes, seu idealizador, benzeu-o e pediu ao povo que mantivesse sempre vivo aquele monumento religioso, pois enquanto ele existisse a vila jamais seria atacada por epidemia. Em 1899, durante o inverno, a Igreja caiu. Contudo, em 1903, o povo se reuniu e a reconstruiu no mesmo local, no intuito de manter a tradição, a vontade e o sonho do Padre Joaquim de Menezes. Mas, anos depois, em 1917, ela ruiu. Em 1924, na gestão do Padre Acelino Viana Arraes, foi reconstruída no atual local. Ao invés de uma pequena capela, como a primeira, fizeram uma boa Igreja que, até hoje, é suficiente para acolher os devotos. A imagem e o sino
vieram de Portugal, em 1882, doação do Coronel Antônio Joaquim Ferreira Maia. A chegada da imagem foi um acontecimento histórico e marcante para a comunidade, pois lhe deu uma nova dimensão de vida, tanto material como espiritual. A gratidão, promessas, graças alcançadas e inúmeros milagres, estão expostas na Casa dos Milagres. Simbolizada em peças de madeira, fabricadas por artistas anônimos que permaneceram perdidos pelo interior do país. E os que alcançaram uma graça, uma cura, se encarregavam de levar a mensagem aos outros irmãos sofridos. Foi escolhida a data de quinze de agosto, de grande importância teológica, para celebrar a festa da Padroeira. A alma da Bica é a
Igreja, pois, sem ela, ninguém conheceria o lugarejo. Sabemos que os Templos atraem os fiéis; além disso, novos residentes, como também transformações históricas. Para fortalecer mais a fé nos milagres da Santa, nasce na quebrada da Serra uma velha oiticica, que guarda o segredo do nascimento da fonte de água milagrosa, muito visitada pelos romeiros. Segundo os moradores, a fonte nunca secou, mesmo no período de muita estiagem. Para muitos a fonte é protegida e abençoada por Nossa Senhora da Saúde. Alguns romeiros tomam banho, enquanto outros enchem vasilhas, pois crêem que a água tem o poder de cura e traz proteção para seus lares. A festa não é somente religiosa, existem também as festas particulares, que são feitas nos pequenos clubes da vila. Atualmente essa romaria ocupa o terceiro polo turístico religioso do Estado do
Ceará (perdendo apenas para o Canindé e Juazeiro do Norte). Sendo um exemplo concreto de vivência e crença popular, é notória a intensificação e o aumento anual dos fiéis e visitantes.
Atualizando nosso histórico memorial queremos lembrar a presença de Vida Religiosa Consagrada com as primeiras irmãs da Congregação Missionária de Jesus Crucificado, sua vida de simplicidade, acolhida e atuação em nossas comunidades, através das visitas, na evangelização e formação do povo de Deus. Nossa área paroquial é grata pelo trabalho realizado, pela vida doada.
Entre tantas motivações importantes que marcaram a vida das irmãs na área destacamos: o dom da escuta, o aconselhamento, a disponibilidade para servir sem esperar ser servida. Passado alguns anos por necessidade da Congregação, tiveram que fechar a casa e partir para novas experiências. Sentimos sua falta, mas entendemos
que a vida religiosa é itinerante. Ficamos alguns anos sem presença de irmãs.
Aos poucos, o Santuário de Nossa Senhora da Bica vai se tornando referência mais forte também para nossa Diocese de São Miguel Arcanjo (Limoeiro do Norte). A participação dos padres nos festejos, e especialmente “Romaria pela Vida e pela Paz” que --- Desde o pastoreio do Pe. Francisco Marques acontece durante o novenário --- Tradicionalmente no domingo dos pais, vem marcando a presença do povo do Vale do Jaguaribe tornando este chão sagrado um “Santuário Popular” para toda a diocese.
O atual pároco Pe. Monte Alverne Queiroz Fraga, ao chegar a região (2008), logo sentiu a necessidade de um trabalho pastoral mais intenso, especialmente levando em conta todas as comunidades na área do Santuário: são cerca de 60 pequenas comunidades, com urgências pastorais permanentes... Logo no primeiro ano em que
conduziu a Festa do Olho d'Água da Bica, confiou à Mãe da Saúde: “Para a próxima festa, Mãezinha, queremos uma presença missionária nesta região... Cuida disso!”
Assim, em fevereiro de 2009, as comunidades da Área Paroquial de Olho d'Água da Bica acolhiam festivamente as Irmãs Missionárias da Sagrada Família, para caminhar na convivência fraterna e no serviço pastoral a esta gente sofrida e cheia de esperança.
“As Irmãs aqui chegaram, e vieram pra ficar foi a Virgem da Saúde quem as trouxe para cá, São da Sagrada Família, com Jesus e com José, animando todo o povo a juntar vida com fé!”
E nesta “festa de Deus, festa do Povo” realizamos com muita intensidade as Santas Missões Populares, lançadas no dia da Padroeira em agosto de 2009, preparadas pela Equipe Missionária da Sagrada Família ao longo do ano e culminando com a Grande
Semana Missionária de 6 a 13 de junho de 2010, com a presença de missionários e Missionárias do Nordeste...
Fortalecidos cada vez mais no ardor missionário, continuamos nossa presença neste “sagrado chão” abençoado pela Mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, que ele mesmo nos deu como nossa Mãe. Maria, Virgem da Saúde, intercedei por nós!