31/08/2024
Que hoje, dia 31, último dia do mês de agosto, a Família Ungi traga o acalento que tanto precisamos e leve tudo que há de ruim.
“Não basta a segunda-feira,
Não basta Agosto,
Não basta a pipoca.
O que vale é o silêncio.
Silêncio pra se reconhecer pequeno, Silêncio pra se reconhecer inconstante e fraco, por vezes.
Silêncio pra compreender que nem tudo está ao alcance do nosso duvidoso controle.
Obaluae é a Terra que silenciosa a tudo presencia. Anos, séculos e milênios de crescimento, mesmo que sobrepujada, desrespeitada, violada.
Obaluae a tudo vê, a tudo ouve e nada fala. Não são necessárias palavras ao sábio que sabe informar seu recado. Silêncio para entender que dos atos sempre haverá consequências. Silêncio para entender que nem tudo precisa ser entendido, mas tudo, absolutamente tudo, precisa ser vivido pelos que estão vivos. Até a dor, até o luto, até a doença.
Somente os vivos vivem a doença e por sua vez, somente há cura onde a doença passou. Orixá é vida e é vivo. Respeitemos a dualidade da natureza, as duas faces da moeda, o resultado de todos os fatos, respeitemos que a vida nunca tem um lado só.
Ao senhor do Sol e da Terra, pedimos antes de clemência e piedade, paciência, para aprendermos a curar nossos corpos e mentes, e conviver com nossas chagas até que as areias finas do tempo as transformem em pele dura e cicatrizada.
Antes de lhes pedirmos cura para aquilo que não está sob nosso controle, peçamos seu silêncio, para ouvirmos sua presença. Que passe entre nós para revitalizar da forma que somente a terra é capaz de fazer, que efervesça em nossos corpos a vontade e a alegria de viver.
Peçamos pela capacidade de reconhecer que apesar de todos os percalços, a Terra, o mundo, é nossa casa, e somos todos casas uns dos outros, de alguma forma.
Atotô! Silêncio!
O Sol que nos dá vida está entre nós.
Deixemos aquele que traz a cura nos falar.”
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📝 Texto: