18/08/2026
Nas encruzilhadas do destino ressoa a força de Exu, guardião do movimento que abre as portas e orienta as escolhas com sabedoria e astúcia. Ao seu lado marcha Ogum, o senhor do ferro e das estradas, abrindo picadas na mata fechada com sua espada valente, ensinando que a bravura e o trabalho vencem qualquer demanda.
No coração verde da floresta vive a precisão de Oxóssi, o caçador de uma flecha só que garante o sustento, o conhecimento e a fartura aos seus filhos. Entre os galhos sagrados, o sábio Ossaim guarda o mistério de cada folha, sussurrando os cânticos antigos que devolvem a saúde e mantêm vivo o axé que cura o corpo e a alma.
Do alto das pedreiras sagradas ecoa o trovão imponente de Xangô, monarca absoluto que faz da justiça o seu próprio escudo e da verdade a sua lei. Seu machado de dois gumes equilibra as balanças do universo, queimando as injustiças com o fogo da retidão e ensinando a nobreza a quem caminha sob a sua proteção.
Sob as vestes de palha da costa caminha Obaluaê, mestre do silêncio e senhor da terra, que recolhe as dores do mundo para transformá-las em cura e renascimento. Ao seu redor desdobra-se o arco-íris luminoso de Oxumarê, a serpente sagrada que une o céu e o chão, lembrando a todos que a vida é um ciclo eterno de movimento e renovação.
Na beira das correntezas brilha Logun Edé, o jovem príncipe que une a astúcia das matas à doçura das águas doces, derramando encanto e prosperidade por onde passa. Junto a ele vibra Oxaguiã, o guerreiro que empunha o pilão da transformação, impulsionando os passos da humanidade com a energia vibrante de sua juventude e de seu escudo reluzente.
Coborindo todo o mundo com seu manto imaculado, o venerável Oxalá abençoa a criação com a serenidade, o silêncio e o perdão. Apoiado em seu cajado, o grande pai espalha a brancura da paz sobre os corações aflitos, mostrando que a maior força de todas reside na paciência, no amor e na luz que jamais se apaga.