29/05/2024
Na verdade, a alma é a espinha dorsal de todo o ser, porque a vontade do homem pertence a ela. Só quando a alma se dispõe a assumir uma posição de humildade é que o espírito pode dirigir todo o homem. Se a alma se rebela contra essa tomada de posição, o espírito f**a sem poder para governar. Isso mostra o que é o livre-arbítrio do homem. Este não é um autómato que deve se mover conforme a vontade divina. Pelo contrário, ele tem o poder pleno e soberano de decidir por si. Tem vontade própria, podendo deliberar entre fazer a vontade de Deus, ou resistir-lhe e seguir a Satanás. Deus quer que o espírito, como a parte mais nobre do homem, controle todo o seu ser. No entanto, a vontade, a parte de sua individualidade que toma as decisões, pertence à alma. E é a vontade que determina se quem deve governar é o espírito, o corpo, ou ela mesma. Além de possuir esse poder, a alma é o elemento que define a individualidade do homem; por isso a Bíblia o chama de "alma vivente".
O TEMPLO SANTO E O HOMEM
O apóstolo Paulo escreve o seguinte: "Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (Primeira Coríntios 3 16.) Por uma revelação do Senhor, ele comparou o homem 7 com o templo de Salomão. Anteriormente, Deus habitava no templo. Do mesmo modo, hoje, o Espírito Santo habita no homem. Analisando essa comparação do ser humano com o templo, podemos ver como os três elementos constitutivos do homem se manifestam de modo distinto.
Sabemos que o templo estava dividido em três partes. A primeira era o átrio externo, onde todos podiam entrar. Ali se prestava todo o culto exterior. Mais para dentro estava o Santo Lugar, onde só os sacerdotes podiam entrar para oferecer a Deus o óleo, o incenso e o pão. Ali eles se achavam bem próximos de Deus, mas ainda havia certa distância entre eles e o Senhor, pois se encontravam do lado de fora do véu e, portanto, sem condições de permanecer na presença dele. Deus habitava no ponto mais profundo, bem dentro do templo, no Santo dos Santos, onde uma brilhante luz dispersava as trevas, e onde nenhum homem podia entrar. Apenas o sumo sacerdote podia entrar ali, e somente uma vez por ano. Antes de o véu ser rasgado, nenhum outro homem podia estar no Santo dos Santos.
O homem também é templo de Deus e, de igual modo, é constituído de três partes. O corpo é como o átrio exterior, e ocupa uma posição visível a todos. Nele, o homem deve obedecer a todos os mandamentos divinos. Aí o Filho de Deus morre pela humanidade como substituto dela. Por dentro, está a alma, que constitui a vida interior. Ela contém a mente, as emoções e a vontade. É o Santo Lugar de uma pessoa regenerada, pois seu amor, sua vontade e seu pensamento acham-se plenamente iluminados, para que possa servir a Deus, como fazia o sacerdote no passado. No mais interior, além do véu, está o Santo dos Santos, onde jamais penetraram a luz e o olhar humanos. É "o esconderijo do Altissimo", a habitação de Deus. O homem só pode ter acesso a ele se o Senhor quiser rasgar o véu. É o espírito do homem, que jaz além da autoconsciência do ser humano e acima de sua sensibilidade. Aí o homem se une a Deus e tem comunhão com ele.
No Santo dos Santos, não há nenhuma lâmpada, pois Deus habita nele. No Santo Lugar existe a luz do candelabro com sete hásteas. O átrio exterior recebe a luz do dia em toda a sua plenitude. Tudo isso é imagem e figura do homem regenerado. Seu espírito é o Santo dos Santos, onde Deus habita. Nele, tudo se realiza pela fé, e nada pela vista, pelos sentidos ou pelo entendimento do crente. A alma simboliza o Santo Lugar, amplamente iluminada por numerosos pensamentos e preceitos racionais, muito conhecimento e entendimento concernentes às coisas do mundo ideal e do material. O corpo é comparável ao átrio exterior, claramente visível a todo mundo. As ações do corpo acham-se à vista de todos.