24/11/2025
Infelizmente, por falta de estudo da Obra Fundamental, muitos transformaram Centros Espíritas em Igrejas, com afirmações do tipo "Deus castiga", "pecado original", proibiram evocações, inventaram um purgatório (umbral), distorcem tanto a Doutrina Espírita que até parece que é um Religião.
Por conta desses absurdos, publicaremos hoje e nos próximos dias, alguns esclarecimentos.
Começaremos sobre algo que a maioria dos Espíritas desconhecem:
O ESPIRITISMO É RELIGIÃO?
Vamos ver o que diz Kardec:
OBRAS PÓSTUMAS — Allan Kardec
Capítulo: Religião e Moral (texto integral).
O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica.
Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais decorrentes dessas relações.
Pode-se definir assim: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.
Ele toca, portanto, em todas as questões que interessam à humanidade; no entanto, *não é uma religião no sentido próprio*, pois não tem culto, ritos, templos, nem ministros consagrados.
Do ponto de vista religioso, o Espiritismo tem por base os ensinamentos do Cristo, a mais pura expressão da lei de Deus, mas não se apresenta como uma religião organizada, porque não adota nenhum dos sinais exteriores das religiões constituídas.
Sua força está na moral que ensina e na lógica de suas explicações, e não em práticas exteriores.
Entretanto, num sentido filosófico, e não no sentido litúrgico, pode-se perfeitamente dizer que o Espiritismo é uma religião, pois é a doutrina que funda os laços de fraternidade e comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as próprias leis da natureza.
Assim, os adeptos podem, sem receio, dizer que são “da religião espírita”, se entenderem esta palavra no seu sentido moral, e não no sentido de uma religião material, com formas e cerimônias.
A religião está na prática, e não na forma.
A verdadeira religião será aquela que tornar melhores os homens, aquela em que todos poderão compreender e assimilar os ensinamentos, sem mistérios nem alegorias cuja interpretação dependa da autoridade exclusiva de um homem ou de um grupo de homens.
Essa religião, baseada nas leis naturais e eternas instituídas por Deus, será indestrutível, porque não repousa sobre opiniões variáveis e sim sobre a verdade.
Por isso, o Espiritismo é uma doutrina essencialmente moral, cujas consequências religiosas são resultado direto das leis que ele revela.
Se lhe chamar religião, será apenas no sentido moral, e não no sentido de uma religião organizada.
Por outro lado, como a palavra “religião” está ligada a ideias que o Espiritismo não aceita ideias de hierarquias sacerdotais, de dogmas intangíveis, de ritos e práticas exteriores, é mais prudente não usá-la para defini-lo, a fim de evitar equívocos.
Preferimos dizer que o Espiritismo é uma doutrina filosófica e moral, com consequências religiosas, mas *não é uma religião* constituída, no sentido usual da palavra.