Uma caminhada de fé e religiosidade
Santo Antônio da Patrulha, um dos pioneiros municípios na divisão do Rio Grande do Sul, conserva a fé e religiosidade de seus primeiros colonizadores – os açorianos. O povoado foi crescendo ao redor da Capela erguida em 1760 e formando uma “Vila – Cidade Alta”, enquanto a região baixa, “Pitangueiras”, com extensão de área verde, apresentava-se com característi
cas de zona rural. Na década de 1950, aquele cenário, estimulado pela expansão do ciclo do arroz, transformou-se, proporcionando mudanças na economia, na expansão urbana...
Dom Vicente Scherer, Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, em 1953, esteve em visita pastoral ao nosso município. Percebendo a transformação ocorrida, aconselhou o Pároco Pe. Albino Ruwer a procurar uma área maior, apropriada para a construção de uma nova capela, dizendo:
- “Um lugar que a nosso ver terá rápido e grande desenvolvimento é Pitangueiras.”
Seguindo o conselho de D. Albino reuniu-se com alguns senhores influentes na comunidade para concretizar o pedido. A Mitra já possuía um terreno em Pitangueiras, doado em retribuição a uma graça alcançada. Em 1957, adquiriram uma área maior, onde aconteceu o lançamento de “Pedra Fundamental”. Iniciaram os trabalhos em prol da construção, mas o povo não aprovou a escolha do local. Então adquiriram outro terreno e a nova igreja foi construída no Parque São José, loteamento próximo a RS 30. Finalmente em 1962, foi realizada a Festa em honra à padroeira, com a 1ª missa rezada por Pe. Albino, na igreja nova, mesmo sem cobertura, sem piso e sem bancos. Albino foi nomeado em 1º/01/1964, já adoentado e faleceu em seguida, ficando a comunidade aos cuidados do Pároco da Matriz de Santo Antônio, até que em janeiro de 1966, D. Vicente Scherer enviou Pe. José Afonso Steffens, para assumir o lugar vago. Nasceu em definitivo a Paróquia da Boa Viagem em 2/02/1966. A padroeira
A escolha da(a) padroeiro(a) envolveu autoridades municipais, professores, clubes de serviços: Lions e Rotary, comissão pró-construção. Mas a decisão final veio por correspondência enviada pelo Senhor Arcebispo de Porto Alegre, ao Pe. Albino, indicando Nossa Senhora da Boa Viagem. A localização bem próxima da RS 30, com passagem dos veranistas, viajantes, trabalhadores, certamente foi fator influente para a escolha. A devoção a Nossa Senhora da Boa Viagem veio para o Brasil com os colonizadores. Os portugueses, açorianos, desafiadores dos mares, não arriscavam suas viagens sem invocar a proteção da Virgem Maria. Hoje a rede de comunidades da Boa Viagem tem 24 comunidades e lugares de celebração divididos em sete setores. Setor Nazaré: Santa Luzia – Rincão do Capim; Pedro Rosa (escola); São Sebastião – Morro Grande; Sagrado Coração de Jesus – Barrocadas; Nossa Senhora de Lourdes – Chicolomã. Setor Caná da Galiléia: Nossa Senhora da Piedade – Esquina dos Morros; Senhor Bom Jesus – Barro Vermelho; Nossa Senhora das Lágrimas – Aldeia Velha; Guarda Velha (casas). Setor Genezaré; Vila Rica (casas); Cohab(associação); São Luiz Gonzaga – Bairro Bom Princípio. Setor Betania: Comunidade Nossa Senhora da Boa Viagem – Bairro Pitangueiras, São José, Parque Elite. Setor Samaria: Serb (local de celebração do Bairro Osolopes e Pindorama); Jardim Pindorama (casas); Veloso (casas); Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Passo dos Ramos. Setor Emaús: Lomba Vermelha I e II (casas); Nossa Senhora da Medianeira – Boa Vista; Sagrado Coração de Jesus – Portão I. Setor Belém: Coração de Maria – Portão II; Nossa Senhora dos Navegantes – Lagoa dos Barros; Nossa Senhora Aparecida – Agasa. Vale a pena ressaltar o grande número de lideranças destas comunidades. A criatividade, o protagonismo e a fé no concreto da vida. A participação e o gosto de viver em comunidade. A grande participação e a alegria das festas dos padroeiros. A responsabilidade na colaboração e administração dos recursos. O crescimento da organização em conselhos – paroquial e comunitário. A responsabilidade pelas celebrações. A riqueza dos grupos de famílias. O espírito missionário, especialmente pelas visitas. A catequese de Iniciação Cristã – Batismo, Eucaristia e Crisma – madura e responsável, vivencial, centrada na Palavra. A participação da juventude. A responsabilidade pelos mais necessitados... Ainda temos um longo caminho a percorrer. Muitas dificuldades e desafios se apresentam, mas creio que estamos numa boa direção.