28/10/2020
Está com dificuldade para entender os acontecimentos do mundo? Acha que a realidade é tão complicada que não é possível compreendê-la? Já chegou a pensar que não há sentido em tudo que se passa no mundo? Então, tenho duas boas notícias para acalmar seu coração. Há um poder universal maior que tudo responsável por manter sob controle a história humana: "Ele, em seu poder, governa eternamente; os seus olhos vigiam as nações; não se exaltem os rebeldes". Sl 66:7. Além disso, saiba que tudo que acontece nesse mundo pode ser compreendido pela Revelação, pois “o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas”. Am 3:7. Então vamos lá, entender os acontecimentos atuais pelo filtro da Revelação:
1- O apóstolo Paulo alertou ainda em seus dias que “o ministério da injustiça já opera” (2Ts 2:7) e que a Volta de Jesus não aconteceria “sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição” (2Ts 2:3). Tal profecia se tornou realidade após os cristãos permitirem que conceitos, cerimônias e até superstições pagãs fossem agregadas à doutrinas e práticas cristãs. E também após as perseguições aos cristãos terem cessado e o Estado ter se tornado o patrocinador da religião cristã (época de Constantino). O resultado disso foi o surgimento de um sistema político-religioso mundial com sede em Roma “o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus”. (2T 2:4). Dentro do romanismo a Tradição e o Magistério ocuparam o lugar da Revelação ao ponto das Escrituras Sagradas tornarem-se uso exclusivo do clero. Disso tudo resultou opressão e perseguição a todos os dissidentes. Esse poder é a besta do mar revelada em Apocalipse 13:1-10, o qual exerceu supremacia mundial (poder espiritual + poder temporal) durante 1260 anos (538 -1798 d.C.).
2- Dentre os perseguidos, vários resolveram deixar a Europa e partir para a América do Norte, onde fundariam colônias com o objetivo de viver em paz e liberdade. No período inicial dessas colônias, algumas experiências foram mal sucedidas porque grupos dominantes (puritanos e anglicanos) tentaram impor suas doutrinas e práticas a outros grupos minoritários (batistas e quakers) resultando disso perseguição e opressão. Pela influência de Roger Willians e outros que acreditavam que a religião deveria ser totalmente voluntária, novos conceitos como, por exemplo, a separação entre Igreja e Estado, foram se consolidando no inconsciente coletivo. Finalmente, em 1776 foi proclamada a Independência dos Estados Unidos da América, cujo governo propunha algo inédito até então: “uma nação sem rei, e uma religião sem papa”. O perfeito equilíbrio público entre o secular e o sagrado garantindo ao mesmo tempo a liberdade civil e a liberdade religiosa aos seus cidadãos. Nesse novo modelo, o governo existiria pela vontade dos governados, cabendo a esses escolherem seus governantes. O Estado e a religião atuariam em esferas separadas, não permitindo que uma das partes controlasse a outra. O Estado, ao mesmo tempo que promoveria princípios morais laicos, não financiaria nem promoveria qualquer religião em particular. Esse novo modo de governo mais tarde foi chamado de “americanismo” por Roma. Surgia ali uma nação fundamentada na liberdade e garantia individuais e que, por isso, se tornaria uma potência mundial. É a besta da terra, com seus dois chifres como de cordeiro, profetizada em Apocalipse 13:11.
3- Logo depois do surgimento dos Estados Unidos, ocorreu outro evento determinante para a história moderna: a Revolução Francesa e seus desdobramentos, culminando com o reinado de terror entre 1793-1797. Vários fatores contribuíram para derrubar o Antigo Regime absolutista na França. A começar pela rejeição das Escrituras como fonte autoritativa, passando a ocupar o seu lugar a razão. A degradação do casamento e o rebaixamento da moral também contribuíram para implodir a ordem social. No campo da economia, a centralização da riqueza na mão de poucos provocou uma revolta popular determinante para o processo de ruptura. Além disso, o discurso de ódio e descontentamento bem como a promoção da anarquia serviram como método de desconstrução das bases sócio-econômicas. E por fim, o avanço da incredulidade e a rejeição da Lei de Deus como norma moral adicionaram os ingredientes finais nesse processo de ebulição do Antigo Regime. A França Revolucionária, especialmente durante seu governo ateu (1793-1797) é representada no apocalipse pela besta do abismo (11:3-12).
4- Embora, posteriormente, o governo ateu da França tenha sucumbido e a razão tenha sido destronada, o pensamento revolucionário semeado em todo aquele processo foi depois sistematizado e aperfeiçoado por influentes pensadores tornando-se inclusive numa ideologia (marxismo) que influenciaria o mundo todo. Essa ideologia foi responsável pelo surgimento da Revolução Bolchevique na Rússia em 1917 e da Revolução Chinesa em 1949, e por diversas outras “revoluções” ao redor do mundo. O pensamento revolucionário aumentou seu poder de influência mundial com o advento do Gramscismo, também chamado de marxismo cultural. O filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937 d.C.) defendeu que o melhor caminho para a “revolução” não seria pela tomada da infraestrutura (meios de produção) mas sim através do aparelhamento da superestrutura, aquela responsável pela formação das crenças e ideias da sociedade (educação/religião/mídia). O discurso de ódio e descontentamento foi adaptado à realidade moderna para dividir e enfraquecer a sociedade: negros contra brancos, mulheres contra homens, g**s contra héteros, liderados contra líderes/autoridades. Da mesma forma, os outros elementos determinantes na Revolução Francesa também alcançaram proporções mundiais: incredulidade, rejeição das Escrituras como fonte autoritativa, degradação do casamento, rebaixamento da moral, centralização da riqueza na mão de poucos, anarquia e rejeição da Lei de Deus como norma ética. Tudo isso junto e misturado e ainda potencializado pelos meios de comunicação global.
5- Desde que perdeu seu poder temporal em 1798 d.C. e viu surgir um poder rival na América livre, Roma tem buscado meios para acabar com o “americanismo” e poder usar os Estados Unidos para alcançar seus objetivos de supremacia mundial. Um desses meios tem sido o movimento ecumênico visando a neutralização do protestantismo e a união de todas as religiões sob uma autoridade mundial. Ao mesmo tempo em que propaga valores como paz, tolerância, justiça social e preservação da natureza, Roma tenta disfarçar seu absolutismo religioso medieval. Na essência Roma nunca mudou, mas de forma astuta tem adaptado sua aparência e usado de muita paciência a fim de alcançar seus propósitos. Prova disso está na aliança Roma/EUA na década de 80 para combater o pensamento revolucionário da URSS até o ponto do muro de Berlim desmoronar, enquanto atualmente o papa parece favorecer o pensamento revolucionário da China como forma de combater o “americanismo”, sem pronunciar nenhuma palavra de censura contra países onde o pensamento revolucionário esteja dominando de forma autoritária (Venezuela) ou onde grupos minoritários estejam sofrendo perseguição (China). Nem tampouco se ouve qualquer censura contra a anarquia e o discurso de ódio usados pelos “revolucionários” para destruir patrimônio público e até símbolos religiosos (Chile).
6- Enquanto isso, os EUA (besta da terra) pouco a pouco têm sofrido uma metamorfose. Vem perdendo sua aparência de cordeiro manso até o dia em que falará como dragão (Ap 13:11), o que parece não estar longe de acontecer. Para que isso aconteça, os dois chifres do cordeiro manso precisam ser anulados (liberdade civil e liberdade religiosa, bases do republicanismo e protestantismo), e a separação entre Igreja e Estado precisa desaparecer. Vários fatores têm contribuído para que isso, de fato, aconteça. Além da influência do pensamento revolucionário dentro dos EUA fazendo com que a sociedade norte-americana se tornasse cada vez mais incrédula, licenciosa e influenciável na medida em que é impactada pelo discurso de ódio marxista em suas várias formas, há ainda o perigo da aproximação da nação norte-americana com Roma. Desde 1984 as relações diplomáticas com o Vaticano foram restabelecidas. Desse momento até hoje, papas foram recebidos em território norte-americano, até mesmo na Casa Branca e recentemente no Congresso Americano, tudo isso era algo impensável até meados do século XX. Outro fator determinante na mudança de postura dos EUA foi a aceitação pelos protestantes da Teologia do Domínio. Até a década de 70 a maioria dos protestantes ainda era defensora do “americanismo”, porém, com o advento da Teologia do Domínio – que ensina que os cristãos precisam dominar todas as esferas da sociedade (política, economia, cultura) para que o reino de Deus seja estabelecido na Terra – atualmente, grande parte do protestantismo norte-americano já pensa que a separação entre Igreja e Estado deveria acabar para que os cristãos tenham maior domínio sobre a política, a economia e a cultura. Portanto, os EUA de hoje já não são mais a mesma nação do passado. Isso também pode ser visto pela sua política externa. Conceitos como “isolamento” e “não interferência” já se tornaram abominação para grande maioria dos conselheiros que formulam as diretrizes de política externa, e, por isso, as Forças Armadas norte-americanas hoje estão presentes ao redor de todo o planeta.
7- Sendo assim, f**a fácil entender que o mundo caminha à passos largos para a crise final profetizada em Apocalipse 13:12-17, quando o “americanismo” será substituído por um poder opressor e perseguidor (“falará como dragão”) a exemplo do romanismo, e que os EUA vão liderar o mundo em uma Cruzada, favorecendo o retorno da supremacia papal, cujo símbolo de poder é a mudança do dia de guarda bíblico (sétimo dia) para o domingo (Daniel 7:25). A obrigatoriedade do descanso dominical será apresentada então como “solução” para as diversas crises existentes no mundo, sejam reais ou forjadas (crise moral, crise da família, crise econômica, crise ambiental). A aceitação dessa imposição é apresentada no Apocalipse como “recebimento da marca da besta” (Ap 13:16-17). Os que demonstrarem adoração apenas à Deus e, portanto, obedecerem à Sua Lei (Ex 20:8-11) serão marcados com o selo de Deus (Ap 7:2-3). Deus prometeu algo muito especial aos fiéis para esse momento: “Você guardou a palavra da minha perseverança. Por isso, também eu o guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os habitam sobre a terra”. (Ap 3:10).