25/05/2026
MEMÓRIA DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA, MÃE DA IGREJA - 25 de Maio de 2026
Hoje a Igreja celebra a Memória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, uma devoção profundamente ligada ao mistério de Cristo e à vida do povo cristão desde os primeiros séculos. Ao contemplar Maria como Mãe da Igreja, os fiéis reconhecem aquela que gerou Jesus Cristo, Cabeça do Corpo Místico, e que também continua acompanhando espiritualmente todos aqueles que fazem parte desse Corpo, que é a Igreja. Não se trata de um título recente criado apenas por devoção popular, mas de uma verdade amadurecida ao longo da tradição cristã, alimentada pela Sagrada Escritura, pela oração da Igreja e pelo ensinamento dos santos e dos papas.
No Evangelho de São João, enquanto Jesus estava na cruz, ao ver sua mãe e o discípulo amado, disse: “Mulher, eis aí teu filho” e depois ao discípulo: “Eis aí tua mãe”. A Igreja sempre enxergou nesse momento algo muito maior do que um simples gesto de cuidado humano. Na pessoa do discípulo amado, todos os discípulos de Cristo são confiados à maternidade de Maria. Assim, aquela que foi escolhida para ser a Mãe do Salvador torna-se também mãe de todos os que recebem a vida nova trazida por Jesus. Desde então, Maria permanece junto da Igreja como mãe amorosa, intercessora e modelo perfeito de fé e fidelidade.
Depois da ressurreição e da ascensão de Jesus, o livro dos Atos dos Apóstolos mostra Maria reunida em oração com os discípulos enquanto aguardavam a vinda do Espírito Santo em Pentecostes. Ela estava presente no nascimento de Cristo em Belém e também no nascimento da Igreja em Pentecostes. Por isso, os primeiros cristãos começaram a compreender que Maria ocupava um lugar especial na vida da comunidade cristã. Os santos padres da Igreja frequentemente falavam dela como a “nova Eva”, porque assim como Eva colaborou para a entrada do pecado no mundo, Maria colaborou com o plano da salvação ao dizer “sim” ao projeto de Deus.
Ao longo dos séculos, a devoção a Maria cresceu profundamente em toda a Igreja. Os cristãos sempre recorreram à sua proteção nos momentos difíceis, reconhecendo nela uma mãe próxima, cheia de ternura e compaixão. Muitos santos escreveram sobre essa maternidade espiritual de Maria, ensinando que ela continua cuidando dos filhos de Deus e conduzindo todos para mais perto de Cristo. Diversas orações, festas litúrgicas e títulos marianos nasceram dessa certeza de que Maria participa de maneira especial da missão da Igreja.
O título “Mãe da Igreja” ganhou ainda mais força durante o Concílio Vaticano II, um dos acontecimentos mais importantes da história recente da Igreja. No dia 21 de novembro de 1964, durante o Concílio, Papa Paulo VI proclamou oficialmente Maria como “Mãe da Igreja”, afirmando que ela é mãe de todo o povo cristão, tanto dos fiéis quanto dos pastores. Esse gesto não criou uma nova devoção, mas confirmou solenemente aquilo que a Igreja já acreditava e vivia há séculos. O Papa desejava que todos os cristãos reconhecessem ainda mais o papel materno de Maria na caminhada da fé.
Anos mais tarde, em 2018, Papa Francisco instituiu oficialmente no calendário litúrgico a Memória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, celebrada na segunda-feira após Pentecostes. A escolha dessa data possui um significado muito profundo: logo após celebrar a descida do Espírito Santo e o nascimento da Igreja, os fiéis são convidados a olhar para Maria, que estava presente entre os discípulos e acompanhou os primeiros passos da comunidade cristã com sua oração e sua presença materna. Assim, a Igreja recorda que nunca caminha sozinha, mas é constantemente sustentada pelo amor e pela intercessão da Mãe de Jesus.
Celebrar Maria como Mãe da Igreja é recordar que a fé cristã não é vivida de maneira isolada. Somos uma família reunida por Cristo, e Maria está no meio dessa família como mãe que acolhe, ensina e conduz ao Filho. Ela nos mostra o caminho da humildade, da escuta da Palavra de Deus, da perseverança na oração e da confiança total no Senhor, mesmo nos momentos de dor e dificuldade. Em um mundo marcado pela pressa, pela violência e pelo individualismo, Maria continua apontando para Jesus e dizendo a cada cristão aquilo que disse nas bodas de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Que esta memória litúrgica renove em nossos corações a confiança no amor maternal de Maria e fortaleça nossa comunhão com a Igreja. Assim como ela esteve presente com os apóstolos no início da missão cristã, continua também hoje caminhando com o povo de Deus, sustentando os que sofrem, encorajando os desanimados e ajudando cada fiel a permanecer firme na esperança e no seguimento de Cristo.
Ó Deus, Pai das misericórdias, vosso Filho Unigênito, pregado na cruz, nos deu sua Mãe, a Bem-aventurada Virgem Maria, como nossa Mãe. Concedei que a vossa Igreja, cada dia mais fecunda em seu amor materno, exulte com a santidade dos seus filhos e filhas e atraia para o seu convívio todos os povos numa só família. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.