27/02/2026
BACHAREL EM DIREITO DA URI LEVA SÍMBOLO DA UMBANDA PARA FORMATURA E DESTACA RESPEITO À DIVERSIDADE RELIGIOSA NA UNIVERSIDADE
A cerimônia de colação de grau do curso de Direito vespertino da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) Câmpus Santiago, realizada no dia 31 de janeiro, teve um momento especial que chamou a atenção do público e abriu espaço para um importante debate: o respeito à diversidade religiosa dentro do ambiente universitário.
O formando Edson Ildefonso dos Santos Prestes decidiu viver a conquista do diploma de uma forma diferente. Em vez da tradicional beca preta, ele escolheu vestir as cores vermelho e verde, uma homenagem ao seu Orixá, Ogum, figura espiritual ligada à força, coragem e abertura de caminhos na Umbanda.
Segundo o novo bacharel em Direito, a decisão foi pensada com muito carinho e respeito à própria história de vida.
"Aquele momento era sagrado para mim. Foi também uma oportunidade de mostrar que a nossa Umbanda é fé, amor e acolhimento. Um caminho de luz que fortalece as pessoas", destacou Edson.
Para o formando, a graduação não representa apenas um título profissional, mas também uma caminhada espiritual. As cores escolhidas simbolizam proteção e gratidão pela trajetória construída ao longo dos anos de estudo.
A iniciativa foi apresentada previamente aos colegas de turma, que aprovaram a ideia. A universidade também apoiou a manifestação religiosa, reconhecendo o direito à liberdade de crença e expressão cultural.
Antes da colação de grau, o tradicional culto ecumênico reuniu representantes de diferentes religiões, reforçando a convivência respeitosa entre diversas formas de fé.
A Umbanda é uma religião brasileira surgida em 1908, resultado da união de tradições africanas, indígenas, católicas e espíritas. Tem como base a caridade, o acolhimento e a ajuda ao próximo.
Edson explicou que sua casa religiosa atende pessoas sem distinção:
"Na Umbanda ninguém é julgado. A missão é ajudar quem precisa, com humildade e amor ao próximo."
Mesmo com sua importância histórica e social, religiões de matriz africana ainda enfrentam preconceito e intolerância em diferentes espaços da sociedade. Por isso, o gesto do formando ganhou ainda mais significado.
A coordenadora do curso de Direito e presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Étnico-Racial (COMPIER), professora Fabiana Barcelos da Silva Cardoso, explicou que o traje acadêmico tradicional tem origem na Europa medieval, mas destacou que reconhecer outras heranças culturais também faz parte do papel da universidade.
Segundo ela, respeitar símbolos religiosos e culturais diferentes amplia o pensamento crítico e fortalece uma formação mais humana e inclusiva.
A instituição ressaltou que a atitude marca um momento histórico, sendo a primeira colação com vestes religiosas de matriz africana na URI Santiago.
Mais do que uma escolha estética, o uso das cores vermelho e verde representou identidade, pertencimento e o direito garantido pela Constituição brasileira à liberdade religiosa.
Para Edson, o principal objetivo foi deixar uma mensagem simples:
"Quis mostrar que podemos ocupar qualquer espaço sendo quem somos e respeitando nossas raízes".
A URI Santiago parabenizou o novo bacharel pelo protagonismo e pela contribuição ao debate sobre diversidade, inclusão e respeito às diferentes crenças dentro do ambiente acadêmico.
O momento acabou se transformando em um exemplo de convivência plural, mostrando que conhecimento, fé e respeito podem caminhar juntos.
Fonte: Ana Paula R. Kemerich – Núcleo de Comunicação da URI
📷 Ana Paula R. Kemerich