13/06/2025
Na força da Umbanda, hoje celebramos um encontro simbólico entre dois grandes nomes do sagrado: Bará, senhor dos caminhos e das encruzilhadas, e Santo Antônio, o santo das causas urgentes, da fartura e do amor. Ambos são reverenciados nesta data, mas é essencial lembrar: um não representa o outro.
Bará — chamado também de Exu Bará em algumas tradições — é entidade respeitada e temida por quem compreende a profundidade da vida espiritual. Ele não é o “diabo”, como por tanto tempo tentaram impor. Bará é guardião de caminhos, protetor da firmeza, abridor de portas, aquele que conduz as demandas do povo à espiritualidade maior. Na Umbanda, ele se manifesta com sabedoria, irreverência e propósito: trazendo equilíbrio, justiça, movimento e verdade.
Já Santo Antônio é um santo católico, acolhido por muitos umbandistas com carinho e devoção. Conhecido como o casamenteiro, é também invocado para encontrar objetos perdidos, trazer fartura, proteger os lares e cuidar das famílias. Sua imagem é presença constante em muitos altares — seja por fé própria, seja pela herança sincrética que atravessa nossa história.
Durante os tempos de repressão religiosa, os terreiros foram obrigados a esconder seus fundamentos. O sincretismo foi, então, um ato de resistência: Exus foram associados a santos, Pombagiras a mártires, Orixás a ícones cristãos. Mas dentro dos rituais, dentro do axé, a verdade sempre foi guardada: Bará é Bará. Santo Antônio é Santo Antônio. Cada qual com sua força, sua cultura, sua raiz.
Na Umbanda, aprendemos a lidar com o que é visível e invisível. A reconhecer que fé não se mede por aparência, mas por fundamento. E que respeitar os guias é também respeitar suas origens.
Por isso, neste 13 de junho, não celebramos uma fusão, mas sim uma coexistência. Honramos o caminho aberto por Bará e as bênçãos concedidas por Santo Antônio, sabendo que o respeito começa pelo entendimento.
Que hoje nossos pedidos sejam ouvidos, nossos caminhos estejam abertos, e nossa fé continue sendo um elo entre mundos.
Salve Santo Antônio!
Laroyê Bará!
Laroyê aos guardiões da lei e do movimento.