18/11/2015
Subsídio da Lição: O INICIO DO GOVERNO HUMANO
Palavras chaves: Homem, Pecado, Desigualdade e Governo.
“Agostinho suponha que o Estado deveria estar sujeita à Igreja (uma doutrina que ele descreveu em sua obra A Cidade de Deus), lançando o alicerce filosófico para a união da igreja com o Estado, más onde a igreja seria o fator dominante. Naturalmente, esse ponto de vista sempre fez parte do judaísmo, que refletia os ideais da teocracia” (R.N. CHAMPLIM). No entanto, tais fundamentos proposto por Agostinho teve sucesso limitado, e deixou uma triste história para a humanidade. A Teocracia foi vivida por longos anos pelo povo de Israel, depois traduzida para a monarquia através de Saul, depois sucedida pelo rei Davi. Sob luzes do pensamento de Agostinho, países na idade média viveram uma mistura de Estado com Igreja. Más depararam-se, mais tarde, na urgência de se distinguir as funções peculiares pertencentes ao Estado e à Igreja. A história, todavia, tem demonstrado o antagonismo delineado pela Igreja e o Estado, assim como óleo e água que não se misturam. O problema, para tanto, se infere na discrepância do Reino de Deus para o Reino dos Homens. Sabemos, sobretudo, que o Reino de Deus, é sobrenatural onde o rei é Deus; o reino dos homens é natural, onde o rei é o homem. Desta forma, a diferença de governo está entre o homem e Deus, quando tudo começou no Jardim do Edem, com o pecado de Adão. Assim, pode se subscrever que foi o pecado que fez separação entre Deus e o homem – antes, mantinham intimidade e comunhão. As consequências foram desastrosas para Adão. Ele sofreu reprovação, condenação, maldição, expulsão do jardim. Por causa do pecado, ainda no período que antecedeu o período diluviano, Deus reduziu a idade máxima do homem para 120 anos. Antes os homens viviam idades centenárias, eram extremamente saudáveis, a ponto de a raça humana produzirem gigantes. A bíblia diz, por causa do pecado cometido pelo homem, que até os cosmos físicos sofreram alterações, “[...] maldita é a terra por sua causa [...]”, disse Deus a Adão (Gn. 3. 17). “Porquanto a criação ficou sujeita á vaidade” [...] (Rm. 8. 20), expressou Paulo.
O leitor que chegou até aqui deve, sabiamente, estar se perguntando: que relação tem o pecado com “O Início do Governo Humano”? Para tanto, as respostas oferecida que se segue no argumento descrito nos próximos parágrafos, segue a linha de pensamento sugerida por este próprio título, parecendo destoar com a proposta desenvolvida por Claudionor de Andrade, no contexto da lição. Más, convenhamos, se lerem atentamente a lição verás que o título poderia ser outro – tipo: “Família pós-diluviana” ou “Pacto de Deus com os sobreviventes” - ou deveria ele mencionar fatos ou argumentos, na linha do título proposto, que demonstrasse o surgimento do “Inicio do Governo Humano”. Talvez, o surgimento da discussão no próximo parágrafo se apresenta pelo fato de não haver demonstração clara na lição de um “Inicio do Governo Humano”, ou por se tratar, como demonstrado na lição, de uma nova era – o período pós-diluviano - iniciado por Noé e sua família, e não precisamente um Governo.
Seguindo (...). Assim como o pecado é algo intrínseco ao homem, de igual modo, no Homem ha dois fatores substanciais que se contextualizam formando os fundamentos de coalizam para o Governo Humano: Falo do Homem como ser Político e Social. O homem solitário não garante sua sobrevivência, por diversos fatores, então para a garantia da vida ele se junta com outros em comunidade formando elos sociais para se defenderem do perigo, para se ajudarem mutuamente garantindo, assim, dentre outros, o alimento, a segurança, os objetivos de forma “acelerada”. No entanto, este mesmo homem social e solidário, é inconsequente, (ganancioso, prepotente, arrogante) que lutam entre se, ou entre outros grupos sociais para lhe garantir a vida sobre um espaço geográfico com seus recursos. Esta arte de defesa dos interesses, seja ela individual ou coletiva, é de caráter político. Esta dual essência é facilmente explicada na vida prática do homem como cidadão. Elos importantes para manutenção e construção dos direitos e deveres num Governo Humano. Posto isto, o Homem como ser Político e Social explica a arte do Governo Humano, más não explica o seu surgimento (Inicio). Vejamos! No livro “Discurso Sobre a Origem e a Desigualdade Entre os Homens” de Jean-Jacques Rousseau são narradas duas desigualdades existentes: a desigualdade natural ou física e a desigualdade moral ou política. Rousseau descreve que o homem no seu estado natural (primitivo) é associado a se próprio (a sua consciência é a sua justiça), más a ascensão do homem solitário ao homem social, é visto por ele como a origem (surgimento) da desigualdade. Portanto, na visão de Rousseau, surge, assim, o GOVERNO pela desigualdade existente entre os homens. (!!!) Explico! É que para Rousseau o homem no estado de enfermidade confere àqueles que estão saudáveis os cuidados físicos; os mais fortes suprem as necessidades dos mais velhos, das crianças - dos mais fracos; os ágeis e saudáveis concorre para a fama e visibilidade social; a posse da terra pelo mais forte o torna mais rico, e o outro pobre. Desencadeando, assim, os fatores de liderança, poder e autoridade no meio social. Somados todos fatores objetivos e subjetivos do belo, saudável, forte, sábio, rico, etc. em alguns indivíduos, em detrimento dos demais, portanto, há de se denotar claramente ao que Rousseau definiu como Desigualdade do Gênero Humano. Se aceitarmos, no âmbito social, a existência de desigualdade prevalecente em determinadas pessoas da sociedade (ou em toda sociedade, porque variavelmente padecemos das doenças sociais) necessitamos, todavia, de atenção substancial; inevitavelmente, aceitamos de igual modo as forças coercitivas e prevalecentes sobre a conduta e ensejo individual e coletivo. Posto isto, de forma organizada, aceitamos o que se define conceitualmente por Governo Humano; “que se divide em governantes (poderosos) e governados (fracos)”. Então o Governo existe porque somos fracos e completamente desigual, seja moralmente, politicamente, fisicamente como já disse Rousseau. Continua ele dizendo que “Os governantes devem ter surgido de forma eletiva, isto é, se em uma comunidade uma única pessoa era considerada digna e capacitada para governá-la surgiria um estado monárquico; se várias pessoas gozavam ao mesmo tempo de condições para tal surgiria um estado aristocrático, porém se todas as pessoas possuíam qualidades homogêneas e resolvessem administrar conjuntamente surgiria uma democracia. O desvirtuamento dessas formas de governo pela ambição de alguns é que deram origem a estados autoritários e despóticos” (Poder exercido de maneira isolada, arbitrária e absoluta).
Neste contexto, nos interrogamos, porque somos fracos ou desiguais? A resposta de tal pergunta, corresponde à interrogação da relação que têm o pecado com “O Inicio do Governo Humano”, pergunta descrita no inicio do segundo parágrafo. À luz da bíblia, somos fracos ou desiguais por causa do pecado. Primeiro porque o homem é pecador, segundo que todos cometem pecado. Fenômeno este sem precedentes algum provocou e provoca degradações morais tão lastimáveis á humanidade. Então, consciente deste estado, ela virtuosamente busca meios para poder se superar, o governo com suas leis constituídas e a vocação religiosa sem dúvidas alguma parece ser, para o homem, o caminhos a ser perseguido. Entretanto, não quer aqui dizer, jamais, que o Governo Humano é fruto do pecado, muito pelo contrário, Deus afirma e confirma o Governo Humano (Rm. 13. 1). Más não se devem esquecer que há um antagonismo posto entre o Reino Humano e o Reino de Deus. Todavia, enquanto no Governo Humano produzem pessoas desiguais, no Reino de Deus produzem pessoas absolutamente iguais. Apesar daqueles que pertencem ao Reino de Deus habitar no Governo Humano, no fim, sabemos que tal antagonismo se converterá na suprema justiça de Deus com o surgimento do Reino de Cristo – o milênio. A figura da Estátua no sonho do Rei Nabucodonosor exemplifica isto nitidamente.
Se bem que, Deus na sua suprema justiça, age na vida do homem em qualquer “estado de governo” – seja no Governo do homem ou no Reino de Deus. A justiça é, de sobremodo, a palavra que arremata a ideia de legalidade dum Governo, e expressa sua soberania através de leis emanadas dos seus valores morais e éticos. Os princípios universais de Deus agem como uma constituição primária de todo o Governo Humano. Rousseau diz que o homem no seu estado natural (físico), a sua justiça é a sua consciência. Já no meio social, a sua justiça é a justiça moral. Para tanto, no contexto bíblico, denotamos que a consciência surge da moral de Deus, dos princípios universais de Deus – do espírito de Deus no homem. Portanto, assim como expressamente são, a moral, a ética e as leis universais devem nascer de Deus. O homem no seu relacionamento íntimo com Deus, a sua consciência é ativamente expressada ao modo do Apostolo Paulo que diz “Digo a verdade em Cristo, não minto, dando testemunho comigo a minha consciência no Espírito Santo (Rom. 9. 1). Em atos, o escritor dizendo sobre a suprema justiça de Deus, depois da ressureição dos justos e injustos, expressa, “Por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensas diante de Deus e dos homens” (At. 24. 16). Então quem guia, ou deve guiar o homem em sua aspiração política e social é Deus.
Diferentemente da forma como agiu Deus em função da pena de Caim (sete vezes seria vingado quem cometesse contra a vida de Caim), o homem, a partir de Noé e sua família, agora estariam, com seu Governo convalidado por Deus, apto a construir suas leis conforme seus padrões de vida moral. NUNCA! Más nunca infringindo a suprema justiça de Deus. Sendo consciente para consigo (ética individual), para com o próximo (ética moral-social), e, sobretudo, para com Deus (ética divina), para não cometer os mesmos erros de Caim e seus descendentes que se perderam no dilúvio, e outras falhas que fere a justiça de Deus.
Marcos Antonio