18/01/2018
Quem está disposto? Essa deveria ser a verdadeira pergunta. Disposto a ouvir o que todo mundo ouve, fazer o que todo mundo faz, achar que a vida é relativa e qualquer ponto de vista precisa ser aceito. Hoje o dia foi de polêmica em relação ao promissor hit de carnaval lançado pelo MC Diguinho. Propondo o que chama de “surubinha de leve”, pasmem, o forte eu-lírico dessa primorosa obra ressalta o que fazer com uma mulher: tacar bebida, tacar a pica e depois abandonar na rua. Desculpa, desculpa mesmo, mas precisamos falar sobre isso.
Se você não sabia e quiser fazer uma rápida pesquisa, vai entender a repercussão do caso. Mas a questão preciosa que aqui levantamos é mais profunda do que o protesto comum (e necessário) observado hoje no país. Nós somos Igreja! Sim, nós somos Igreja! Por favor, leia com o coração, precisamos repetir: Nós, juntos, somos o Corpo de Cristo. Não podemos ignorar o que acontece fora da sacristia ou do nosso grupo de oração. Tem pedaço de carne, pedaço de sangue, pedaço de Cristo sendo jogado na sua rua também.
A festa e a descontração podem (e até devem) ser elementos presentes na experiência de um cristão. Testemunho de vida, reservadas as exceções vocacionais de clausura, não é se trancar em casa, mas, bem ao contrário, mostrar aos outros que é possível ser de Deus em qualquer lugar. Agora, vamos combinar aqui, com bastante sinceridade: há possibilidade de estar em comunhão com Deus e sair cantando isso no encontro com os amigos? Fazendo dessa ideia uma brincadeira de carnaval? Enxergando o estupro e a sua cultura como uma realidade comum e inevitável? Não é exagero. Não é radicalidade. É coerência. Coerência é o que precisamos para entender o nosso lugar.
Existe uma batalha espiritual que não sai no jornal. Existe uma luta intensa entre o bem e o mal que não estará nas críticas, opiniões e ressalvas. Se você acredita nisso, por favor, reza. Reza com a gente. Reza. E não deixa de se posicionar. Falar menos sobre isso não retira a audiência de quem faz dessa letra um estilo de vida. Toda alma é preciosa. O som pode nos levar a diversos lugares, mas nenhum deles é tão importante quanto o céu.