20/07/2025
OGUNHÊ, MEU PAI!
Me ajoelho diante de ti, Ogum, e peço apenas o essencial: saúde e paz.
Há 35 anos, pelo Obé da saudosa Tininha de Oxum Demum, com o auxílio do também saudoso Hélio do Ogum Adiolá, minha obrigação foi assentada.
Carrego com orgulho essa história.
Orgulho de ter feito parte da bacia que carreguei por tantos anos.
Orgulho dos amigos que estiveram comigo naquele momento e que até hoje admiro como testemunhas da minha obrigação.
Sempre digo: nasci dentro da religião, no ventre da Nação Cabinda — e não foi ontem.
Se o tempo é posto, não sei. Mas o respeito... esse é sempre sagrado.
Comecei como muitos: na cozinha, limpando aves, aprendendo com o silêncio, servindo com zelo.
Nunca quis inverter os papéis. Nunca busquei ser maior do que ninguém.
Foi Ogum quem me deu a humildade para reconhecer os mais velhos e a serenidade para trilhar meu caminho com retidão.
Já fui afoito, é verdade. Já confundi quantidade com força.
Mas o tempo, senhor de todas as lições, me mostrou que é a qualidade que sustenta uma casa, um nome, uma história.
Hoje faço religião para mim e para os meus.
Descobri que os números não constroem legado — e às vezes até destroem.
Aprendi que a mesma mão que você agarra para ajudar pode, um dia, se levantar para acenar o desprezo.
Mas nada disso apaga o que sou, nem o que carrego.
Obrigado, meu Pai, por me dar discernimento.
Sou teu filho, fiel, firme e inteiro.
Cultuo o amor, o respeito, a amizade e a sinceridade.
Que teu manto me cubra, que tua espada me proteja, e que tua bandeira siga erguida por minhas mãos.
Obrigado pelas boas e pelas ruins.
Nas boas, celebro.
Nas ruins, aprendo.
E sigo em frente.
Ogum me guia.