23/07/2026
Párabola da Figueira que secou
"Quando saíam de Betânia, Ele teve fome; e, vendo ao longe uma figueira, para
ela encaminhou-se, a ver se acharia alguma coisa; tendo-se, porém, aproximado, só
achou folhas, visto não ser tempo de figos. Então, disse Jesus à figueira: “Que ninguém coma de ti fruto algum.” — o que seus discípulos ouviram. No dia seguinte, ao
passarem pela figueira, viram que secara até a raiz. Pedro, lembrando-se do que dissera
Jesus, disse: “Mestre, olha como secou a figueira que Tu amaldiçoaste.” — Jesus,
tomando a palavra, lhes disse: “Tende fé em Deus. Digo-vos, em verdade, que aquele
que disser a esta montanha: ‘Tira-te daí e lança-te ao mar’, mas sem hesitar no seu coração, crente, ao contrário, firmemente, de que tudo o que houver dito acontecerá,
verá que, com efeito, acontece.’” (Marcos, 11:12 a 14 e 20 a 23.)
9. A figueira que secou é o símbolo dos que apenas aparentam propensão para o bem, mas que, em realidade, nada de bom produzem; dos
oradores que mais brilho têm do que solidez, cujas palavras trazem superficial verniz, de sorte que agradam aos ouvidos, sem que, entretanto,
revelem, quando perscrutadas, algo de substancial para os corações. É de
perguntar-se que proveito tiraram delas os que as escutaram.
Simboliza também todos aqueles que, tendo meios de ser úteis, não
o são; todas as utopias, todos os sistemas ocos, todas as doutrinas carentes
de base sólida. O que as mais das vezes falta é a verdadeira fé, a fé produtiva, a fé que abala as fibras do coração, a fé, numa palavra, que transporta
montanhas. São árvores cobertas de folhas, porém, baldas de frutos. Por
isso é que Jesus as condena à esterilidade, porquanto dia virá em que se
acharão secas até a raiz. Quer dizer que todos os sistemas, todas as doutrinas que nenhum bem para a Humanidade houverem produzido, cairão
reduzidas a nada; que todos os homens deliberadamente inúteis, por não
terem posto em ação os recursos que traziam consigo, serão tratados como
a figueira que secou."
(Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEb, 131ª ed., p. 256,257)