IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
HISTÓRICO:
A primeira igreja construída na antiga vila de Santa Cruz, em invocação a Nossa Senhora da Conceição, foi erguida na segunda metade do século de XVI. E por ter sido edificada de forma rudimentar não resistiu ao tempo. A referência ao templo foi registrada na epístola do padre jesuíta Fernão Cardim em sua visita ao Brasil e a vila de Santa Cruz, acompanhado pelo padre Cristovão de Gouvêa, entre os anos de 1583 -1590: (…) “No dia Anjo, preguei na matriz da villa; houve muitas confissões e muitas comunhões, com extraordinária consolação do povo por haver dias que não ouviam missa, por estar o vigário suspenso” (…)
Em 1710, os moradores da vila, redigem uma petição ao governador geral do Brasil, D. Lourenço de Almada, solicitando a reedificação de uma nova igreja, pelo motivo da anterior haver caído e se encontrar em ruínas. O então governador leva ao conhecimento do rei de Portugal, o qual autoriza a construção da segunda igreja da vila, que segundo a documentação encontrada no Arquivo Ultramarino de Lisboa, sua alvenaria seria de pedra e cal, com ladrilho, reboque, cantaria e telhado. O custo da obra foi orçado em nove mil e quinhentos cruzados e teria sido concluída em 1715, e provavelmente, erguida no mesmo local da anterior. O projeto arquitetônico foi elaborado pelos engenheiros Miguel Pereira da Costa e Gaspar de Abreu e seria semelhante à igreja da Palma de Salvador – Bahia. Constituída de nave, altar-mor, duas sacristias, dois corredores laterais, uma torre e frontispício em estilo barroco. Em 1771, o Ouvidor José Xavier Machado Monteiro de Porto Seguro em sua missiva ao rei de Portugal relata as principais obras de sua administração, entre elas, afirma ter reedificado a fachada da igreja de Santa Cruz. Em 1775, sob o Alvará eclesiástico datado de 05 de dezembro, a igreja de Nossa Senhora da Conceição é elevada ao título de Matriz e a vila de Santa Cruz à categoria de Freguesia. Alguns anos depois, devido a um período de decadência da vila, a igreja perde temporariamente sua condição de matriz, sendo restaurado sob o Alvará de 02 de novembro de 1795. No final do século XIX, o município de Santa Cruz recebe a visita do pesquisador Salvador Pires de Carvalho e Aragão, em seu estudo intitulado Baía Cabrália e Vera Cruz, relata que a igreja matriz se encontra em péssimo estado de conservação. A partir daí, as restaurações e intervenções realizadas no templo que se tem conhecimento foram realizadas a partir do século XX. Na década de 1950, a nave e a capela-mor recebem piso em ladrilho hidráulico. No ano de 1968, são realizados consertos no telhado e no assoalho do corredor superior, por iniciativa da comunidade. Na década de 1970, as sacristias e o corredor lateral recebem novos revestimentos nos pisos (1971), e o arquiteto Paulo Azevedo constata que existem fissuras na torre, no arco do cruzeiro e no frontispício (1973). E entre os anos de 1977/1978, são realizadas inspeções pela Superintendência do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – SPHAN, as quais constatam que a igreja necessita de restauração cuidadosa. Em 29 de novembro de 1981, o agora Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, através do processo nº. 1.021-T-80 e inscrição nº. 83 tomba o Centro Histórico de Santa Cruz Cabrália e o seu conjunto arquitetônico, como Patrimônio Histórico, Cultural e Paisagístico. Dois anos depois, são realizadas novas restaurações no telhado, revestimento e calçada externa. Em 1985, a comunidade local recupera a porta e a janela do coro. Na década de 1990, um fato lamentável ocorrido na madrugada do dia 06 de abril de 1991 abalou a comunidade local, a igreja Matriz sofre um arrombamento seguido de roubo. Segundo o boletim de ocorrência de nº. 022, fls.75, os ladrões levaram várias peças sacras de seu acervo. Nesta mesma década, iniciam-se os preparativos para as comemorações do V Centenário do Descobrimento do Brasil. O governo federal através do Decreto nº. 1.874 de 22 de abril de 1996 cria o Museu Aberto do Descobrimento – MADE, em uma área litorânea com 1.200 km2 que abrange os municípios de Prado, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália. Com o advento desses acontecimentos um cronograma de ações e eventos foi desenvolvido nas comunidades de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália. No período de 12 de setembro a 08 de novembro de 1996, são executados trabalhos de restauração de algumas imagens sacras da igreja: São José, Menino Jesus e na padroeira da cidade Nossa Senhora da Conceição, pelo ateliê de restauro do IPHAN da 7ª CR de Salvador-BA. No fim desse ano, no período de 08 de dezembro de 1996 a 31 de março de 1997, é organizada uma exposição fotográfica dentro da igreja intitulada: A CELEBRAÇÃO DA FÉ RETORNA A SEU TEMPO E A ICONOGRAFIA RESTAURADA, promovida pela Comissão Cabrália para o V Centenário do Descobrimento do Brasil com o apoio do IPHAN, Veracel Celulose e do Conselho Paroquial do município. Entre os anos de 1999/2000, o Centro Histórico é revitalizado pelo IPHAN e a igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição recebe nova pintura interna e externa e executada uma consolidação das fissuras existentes na fachada oeste do monumento e em seu entorno. No dia 22 de abril de 2000, o ministro da Cultura Francisco Weffort, acompanhado de autoridades civis, militares, eclesiásticas e a comunidade local, inauguram a restauração e as intervenções realizadas no Centro Histórico de Santa Cruz Cabrália. A última restauração do monumento realizada pelo IPHAN ocorreu no ano de 2008. Neste ano de 2015, a igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição e toda comunidade estão comemorando os três séculos de sua existência e de evangelização no Brasil. (Pesquisa e texto: Sidrach Carvalho Neto, historiador, autor do livro Santa Cruz Cabrália, Cinco Séculos de História e atualmente é diretor do Arquivo Público Municipal de Santa Cruz Cabrália – Bahia.) Referências Bibliográficas:
ARANTES, Antônio A..Museu Aberto do Descobrimento: Guia Cultural. Campinas: Andrade & Arantes Ltda. 2001. ARAGÃO, Salvador Pires de Carvalho e. Estudos sobre a Bahia Cabrália e Vera Cruz (feitos por ordem do Governador do Estado, Sr. Luis Vianna) Bahia: Litho – Tup. e encadernação de Reis & C. editores, 1899. Secretaria da Indústria, Comércio e Turismo/ IPAC – Inventário de Proteção do Acervo Cultural: monumentos e sítios do litoral sul. Salvador, 1988. CARDIM, Fernão. Tratados da terra e gente do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: EDUSP, 1980. (Reconquista do Brasil)
CARVALHO, Sidrach. Monografia Histórico – Corográfica de Santa Cruz Cabrália. Salvador: Tipografia São Miguel, 1949. IPHAN. Relatório da atuação do ministério da Cultura e do IPHAN no Museu Aberto do Descobrimento. Brasília, junho de 2001. Pesquisa institucional:
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN
Arquivo Público Municipal de Santa Cruz Cabrália - APMSCC
Santa Cruz Cabrália 23 de maio de 2011.