12/01/2026
Caminho há 41 anos com o meu Òrìṣà.
E aprendi que o tempo não corre — ele assenta.
Não cheguei até aqui por pressa,
mas por permanência.
Houve silêncio, folha, espera.
Houve firmeza quando o mundo pedia recuo
e recolhimento quando o ego pedia palco.
Sou feita do que vivi no corpo,
do que aprendi observando,
do que calei para não quebrar fundamento.
Ogójì kan não é contagem:
é raiz que não se arranca,
é axé que não se negocia.
No Ilé Ọmọ Alájòpá Àṣẹ Ọdẹ Báyọ̀,
cada detalhe tem sentido,
cada escolha tem dono,
cada passo tem direção.
Nada é excesso — é devoção.
Sob a proteção de Ọ̀ṣọ́ọ̀sí,
aprendi a mirar longe,
a caçar caminhos com precisão
e a entender que fartura
também é saber dizer não.
Sou Ìyálórìṣà de um tempo
que não precisa provar nada.
O tempo já falou por mim.
E se hoje celebro,
não é o número.
É a constância.
É o axé que ficou.
É o que ainda permanece em pé
— porque foi bem cuidado.
41 anos de santo.
Eu sigo.
O Òrìṣà confirma.
— Ìyálórìṣà Sandra Lyra de Lógun Ẹdẹ.