28/02/2025
Dormindo com o inimigo
“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?” (2 Co 6.14).
A partir da queda, duas linhagens se estabeleceram: a dos filhos de Deus e a dos filhos dos homens. A primeira vinha por meio de Sete e Enos; a segunda através de Caim. A linhagem de Caim foi a mais criativa. Curiosamente o ser humano parece se empenhar mais por sua própria glória do que pela de Deus. Segundo a doutrina da graça comum, o Senhor permite aos ímpios desenvolvimentos que, embora busquem a própria glória deles e a afirmação de pecados, podem beneficiar também o povo de Deus, se usados corretamente. Dentre as invenções dos descendentes de Caim, todas usadas para o mal, estão os objetos cortantes: usados também como armas; as cidades, ajuntamentos que eram claras afrontas à ordem de Deus para que o homem se espalhasse por toda terra; e a música, que contavam os feitos e os desejos dos homens.
O ímpio desenvolve modelos de vida obviamente atraentes ao pecado, o que signif**a que exerce também atração sobre o crente, devido ao fato de ainda ser pecador, embora não escravizado como o ímpio. Por causa disso, temos que ter muita cautela com a ideia da graça comum, como se pudéssemos “usufruir” de artes, serviços e conhecimentos desenvolvidos por não-crentes, sem critérios claramente definidos. Precisamos julgá-los não com base naquilo que achamos, mas estribados apenas nas Escrituras. A atração pelo pecado incidiu de tal forma sobre a linhagem dos filhos de Deus a ponto de extinguir completamente a pureza da descendência de Sete e Enos. Isso se deu pela sedução dos homens pelas filhas do mundo.
O dilúvio foi causado pelo casamento misto, por terem os filhos de Deus se encantado pelas filhas dos homens e casado com elas. Posteriormente, o Senhor separou Abraão e dele compôs um povo. Em Moisés ordenou não tomarem mulheres estrangeiras. Devemos entender que o paganismo está diretamente ligado à sensualidade. As religiões dos cananeus eram religiões de fertilidade, que tinham a figura feminina como ícone principal por causa da capacidade de gerar filhos. Por isso, tais religiões se davam pelo contato com prostitutas cultuais.
As paixões se***is estão entre as mais terríveis loucuras descritas nas Escrituras, ícone do mal e da perdição. A mulher virtuosa de Provérbios, personif**ada também na sabedoria, contrasta com a mulher-loucura, adúltera que enlaçava homens incautos. Em Apocalipse, a noiva do Cordeiro, vestida de linho finíssimo, que são os atos de justiça dos santos, contrasta com a Grande Meretriz Babilônia, que é o símbolo maior da sociedade ímpia que vive conforme a besta, imagem e semelhança do dragão.
O homem mais sábio que existiu: Salomão, é também ícone da loucura. Tornou-se louco devido à vida sexual desregrada, ao tomar para si mil mulheres, a grande maioria, estrangeiras. Elas vieram com seus deuses e sua adoração sexual. Impuseram tamanha paixão escravizadora sobre Salomão que não apenas “adorou” com elas, como também construiu templos e altares. Por outro lado, o único dos grandes personagens veterotestamentários contra quem as Escrituras nada falam: Daniel, era alguém que possivelmente foi feito eunuco. Vemos no livro que conta sua história que estava sujeito ao chefe dos eunucos. Não há qualquer registro de esposa ou descendência de Daniel. Além disso, sabe-se que os babilônicos emasculavam os escravos que eram levados para lá, para que não se multiplicassem e passassem a representar risco de revolta. Também foram utilizados como eunucos (Is 39.7).
Embora o s**o tenha sido criado por Deus para a bênção conjugal, é também uma das maiores ferramentas que o diabo utiliza para fazer cair homens de Deus. Além de Salomão, pode-se destacar nesta lista a geração pré-diluviana, Sansão e Davi, dentre outros. Como se diz: “por trás de um grande homem, há uma grande mulher; por trás de um homem em ruínas há duas ou mais mulheres”. Paixão alguma pode justif**ar a união de um crente com um ímpio, clara opção por um ídolo. Quando um dito crente faz tal escolha f**a claro que não conhece, ao menos como deveria, o Deus a quem confessa crer. Ele é Deus santo, que impõe seu caráter a todos os que lhe pertencem.
O verso epigrafado não se aplica diretamente a casamentos, mas a sociedades. Baseia-se no exemplo da “canga”, uma trave que unia animais ladeados que tracionavam uma carroça. Não há como colocar lado-a-alado um boi e um jumento, um cavalo e um boi. É necessário que sejam de mesma espécie. De igual forma, é impossível um crente e ímpio dividirem uma mesma empresa, pois haverá claro descompasso não apenas naquilo que será permitido e buscado, mas também quanto a quem será dedicada aquela empresa. Ora, se um crente não pode ter uma empresa com um ímpio, seria possível casar-se com ele? Ter filhos com ele? Constituir família? A quem será consagrado esse lar? Quais serão os valores e princípios adotados? A opção pelo casamento misto para um chamado crente é empreendimento fracassado antes mesmo de começar.
Sofismas há em toda parte. Também aqui surgem alguns, como aquele que afirma que há divórcios também entre casais que diziam professar a mesma fé. Todavia, ao invés de se tentar nivelar a obediência com a desobediência, reconhecendo injusta paridade no resultado, deveria se pensar: se até mesmo entre pessoas que se dizem crentes o casamento pode não dar certo, pois são pecadores, quanto mais para uma união entre pessoas que têm pensamentos e procedimentos tão opostos, descritos como luz e trevas? A opção pelo casamento misto é escolher dormir com o inimigo, ao menos de Deus. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus (Rev. Jair de Almeida Junior).