14/04/2026
LAMENTÁVEL!
Aquele terno, antes passado com cuidado, hoje está pesado de silêncio. As marcas não são só sujeira; são meses de ausência, de passos que deixaram de existir no caminho da fé. O sapato, que já ecoou firme em corredores cheios de vozes e esperança, agora está opaco, cansado… como quem esperou demais por um retorno que nunca veio.
Ele já teve palavras. Já teve fogo na voz. Já teve gente olhando pra ele como quem enxerga um propósito. Hoje, só restou o eco… e esse conjunto esquecido, largado como se fosse apenas roupa — quando, na verdade, é memória.
Cada mancha conta uma queda. Cada dobra desalinhada sussurra desistência. Não foi de uma vez… foi aos poucos. Um culto perdido, depois outro. Um silêncio aqui, uma dúvida ali. E quando percebeu, não era só a fé que estava distante — era ele mesmo.
O mais triste não é a poeira.
É saber que, um dia, tudo isso já teve vida.