25/03/2020
Estudo de hoje - Romanos
“ANTES DE LER”
Romanos
Introdução
a) Frases sobre a carta aos romanos;
Romanos é a trombeta espiritual de Paulo
Crisóstomo
Romanos é a parte principal do Novo Testamento e verdadeiramente o que há de mais puro no evangelho. Todos cristão não deveria apenas conhece-lo de coração, palavra por palavra, mas também ocupar-se com ele a cada dia, como pão cotidiano para sua alma.
Martinho Lutero
Se nós atingirmos uma verdadeira compreensão quando a essa Epístola, teremos uma porta aberta para todos os tesouros mais profundos da Escritura.
João Calvino
Romanos é a principal e mais excelente parte do Novo Testamento, O Evangelho – isto é, a boa nova – em sua essência mais pura... e também uma luz e um caminho para se penetrar em toda a Escritura.
William Tyndale
Romanos é o mais importante livro do NT, pois constitui o texto bíblico mais próximo de uma apresentação sistemática da fé.
William MacDonald
A carta aos Romanos é um livro que transforma o mundo repetidas vezes pela transformação das pessoas.
Tim Keller
É impossível dizer o que pode acontecer quando se começa a estudar a Epístola aos Romanos. Portanto, quem leu até aqui que se prepare para as consequências de continuar a leitura. Eu bem que avisei.
F.F. Bruce
b) Impacto da Carta de Paulo aos Romanos
➢ Agostinho;
Depois de uma juventude complicada, escravizado por paixões se***is, Agostinho, após um grande período de oração de sua mãe - Mônica, teve uma experiência com Deus por meio da carta de Paulo aos romanos.
No verão de 386, no jardim, debaixo de uma figueira, chorando copiosamente, ouviu uma voz de menino ou menina repetindo “toma e lê, toma e lê”. Pegou e abriu um livro contendo as cartas de Paulo. O primeiro capítulo sobre o qual caiu o olhar de Agostinho foi Romanos 13.13:
“Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne.”
Quando terminou a leitura, Agostinho conta-nos que se dissiparam todas as trevas de dúvida, como se houvesse penetrado em seu coração uma luz de certeza.
➢ Martinho Lutero;
Martinho Lutero, um monge alemão, aprendeu que, para se salvo, Deus exigia dele uma vida reta. E assim cresceu odiando a Deus, primeiro por exigir o que ele não podia dar, depois por entrega-lo ao fracasso. Até que Lutero leu e enfim captou o sentido de Romanos 1.17, e concluiu: “no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé. Então compreendi que a justiça de Deus é aquela pela qual, por graça e pura misericórdia, ele nos justifica pela fé. Por isso senti que renasci e atravessei as portas do paraíso.”
Máscara mortuária de Martinho Lutero
➢ John Wesley;
Durante uma reunião dos irmãos morávios, em Londres, à qual John Wesley tinha ido muito a contra gosto, alguém estava lendo o prefácio ao comentário de Romanos, de Lutero. John Wesley conta em seu diário:
“Cerca de 20h45, enquanto ele descrevia a mudança que Deus opera no coração pela fé em Cristo, eu sento um estranho calor aquecer meu coração. Vi que eu de fato cria em Cristo, somente Cristo, para dar-me a salvação; e me veio uma certeza de que ele havia tirado os meus pecados, até mesmo os meus, e que ele me salvara da lei do pecado e da morte.”
➢ John Stott;
John Stott escreveu sobre sua “relação de amor e ódio com Romanos, por causa dos prazerosos/dolorosos desafios pessoais do livro. Foi a exposição devastadora do pecado e da culpa universais do ser humano, que Paulo faz em Romanos 1.18-3.20, que me resgatou daquele tipo de evangelismo superficial, preocupado apenas com as necessidades percebidas das pessoas.”
Roma e o Império Romano
Augusto foi o primeiro imperador de Roma (anteriormente Roma era uma república). Começou a reinar no ano 31 a.C e reinou até 14 d.C, quando morreu aos 76 anos.
Ou seja, Augusto era o imperador Romano da época em que Jesus nasceu.
Na época em que Paulo escreve sua carta aos romanos (ano 57), o imperador em Roma era Nero. Aliás, este será o imperador responsável por sua morte. Nero reinou de 54 a 68 d.C.
Autoria – Quem escreveu?
O início da Carta já destaca seu autor: Paulo, o apóstolo.
➢ Romanos 1.1 - Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus.
Para entendermos os pensamentos de Paulo, precisamos observar o capítulo 15 de Romanos:
Romanos 15.19 - desde Jerusalém, e arredores, até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo.
Aqui, Paulo está nos informando que já ministrou na metade oriental, que era de língua grega, do império romano. Ilírico tem relação com o que hoje é a Albânia e a Macedônia.
Romanos 15.20-22 - Sempre fiz questão de pregar o evangelho onde Cristo ainda não era conhecido, de forma que não estivesse edificando sobre alicerce de outro. Mas antes, como está escrito: "Hão de vê-lo aqueles que não tinham ouvido falar dele, e o entenderão aqueles que não o haviam escutado". É por isso que muitas vezes fui impedido de chegar até vocês.
Neste ponto Paulo justifica o motivo principal pelo qual ainda não foi para Roma. Ele priorizava regiões que não conheciam o evangelho (Roma já tinha cristãos).
Romanos 15.23, 24 - Mas agora, não havendo nestas regiões nenhum lugar em que precise trabalhar, e visto que há muitos anos anseio vê-los, planejo fazê-lo quando for à Espanha. Espero visitá-los de passagem e dar-lhes a oportunidade de me ajudar em minha viagem para lá, depois de ter desfrutado um pouco da companhia de vocês.
Paulo, então, manifesta o seu plano de atuar na metade ocidental, que era de língua latina, do império romano.
Assim, a carta aos Romanos nos revela uma intenção estratégica e missionária de Paulo na propagação do evangelho. Todavia, os planos de Paulo não se concretizarão da maneira que ele esperava. Esta “quarta viagem” missionária não aconteceria. Pelo menos não por enquanto.
Ao retornar a Jerusalém, foi aprisionado e mantido por 2 anos na prisão da cidade de Cesaréia (Atos 24.27). Em seguida será enviado em difícil viagem para Roma, como prisioneiro (Atos 27).
Ali Paulo ficará preso por 2 anos em prisão domiciliar (Atos 28.30).
Mas nada disso havia acontecido. No momento em que escreveu Romanos, Paulo está finalizando sua terceira viagem missionária e a caminho de Jerusalém com a coleta financeira para ajudar aos pobres (Romanos 15).
OBS. Paulo prevê a possibilidade de problemas na Judéia e pede a oração da Igreja:
➢ Romanos 15.31, 32 - Orem para que eu esteja livre dos descrentes da Judéia e que o meu serviço em Jerusalém seja aceitável aos santos, de forma que, pela vontade de Deus, eu os visite com alegria e juntamente com vocês desfrute de um período de refrigério.
Porém, a resposta de Deus foi “NÃO”. Ele tinha outros planos para Paulo e para a Igreja na história (por exemplo, por causa de sua prisão em Cesaréia, temos as cartas aos Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon).
Destinatário – Para quem o livro foi escrito?
A igreja em Roma não foi fundada por Paulo nem estava sob sua jurisdição. Porém, embora não conhece a igreja pessoalmente, sabemos que ele saúda ao menos 26 pessoas conhecidas suas (Romanos 16.3-16).
Assim, Romanos é a primeira carta de Paulo escrita a uma igreja que ele não fundou pessoalmente.
Ninguém sabe quem a fundou. Suas raízes provavelmente se encontram nos peregrinos que passaram o dia de Pentecostes em Jerusalém, por volta do ano 30 d.C.. Na lista de povos representados em Atos 2 temos a informação de que, entre eles, estavam “visitantes vindos de Roma” (Atos 2.10).
A Igreja na famosa Capital Romana não foi fundada por nenhum grande apóstolo, mas sim por anônimos que compartilharam sua fé nos bastidores da vida cotidiana.
Em Atos 18.2 somos informados de judeus sendo expulsos de Roma pelo imperador Cláudio (ano 49 d.C). O Historiador Romano Suetônio, em seu livro “Vida de Cláudio”, informa que a expulsão se deveu a um tumulto por causa de Chrestus (provavelmente Christus). Assim, provavelmente por um conflito entre judeus cristãos e judeus não cristãos por causa de Cristo.
Isto também explica o motivo pelo qual Paulo tenta pacificar cristãos judeus e gentios no capítulo 14 de Romanos.
Assim, sabemos que a igreja de Roma era composta principalmente por gentios, mas com muitos judeus
A importância dos anônimos - reflexão:
Lista de pedido de oração da Irmã Maria da Conceição, cozinheira de 80 anos e analfabeta, da Igreja Assembleia de Deus de São Gonzalo. Dentro de seus limites, registrava semanalmente os nomes das pessoas que evangelizou e levava para a Igreja orar por salvação.
Concluindo, entendemos o motivo pelo qual Paulo faz uma exposição completa e sistemática do evangelho. Ele está apresentando sua crença e fé cristã para pessoas que não o ouviram pessoalmente.
OBS. A carta foi levada de Corinto a Roma por Febe.
➢ Romanos 16.1 - Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia...
Restos do porto de Cencréia. Paulo com certeza esteve neste porto.
Data – Quando a carta aos Romanos foi escrita?
Paulo escreveu a carta aos Romanos no ano 57 d.C., quando estava na cidade de Corínto (cerca de um ano após Paulo escrever II Coríntios).
Como sabemos que Paulo está em Corínto quando escreveu a carta de Romanos?
Sabemos porque Paulo está na companhia de Erasto:
➢ Romanos 16.23 - Erasto, administrador da cidade, e nosso irmão Quarto enviam-lhes saudações.
E temos uma ligação bíblica e arqueológica de Erasto com a cidade de Corínto:
➢ Bíblica:
o II Timóteo 4.20 - Erasto permaneceu em Corinto.
➢ Arqueológica:
Inscrição do século I na cidade de Corínto, com homenagem a Erasto
(lê-se: “Erasto, ao retornar de seu magistrado, assentou [o pavimento] com seu dinheiro”)