20/03/2014
"Nossa vida é como uma comédia: ninguém repara se foi longa, e sim se foi bem representada."
- Sêneca
Saudades do meu espaço. Sim, porque depois da dependência da escrita, nunca mais fui o mesmo! Eu sou uma pessoa que tenho muita dependência: tenho dependência do amor; tenho dependência da vida; do carinho dos amigos. Confesso, sem poder escrever por motivos de saúde (coluna que não falava a mesma língua que eu), fiquei irrequieto, rabugento, sem condições de convívio. Foi numa destas, que minha esposa já cansada das minhas reclamações, disse em alto e bom som:
- Tá nervoso; vai pescar.
Seria irônico se não fosse trágico, eu com minha coluna “travadasssssssa” e ela me mandando pescar... Foi daí que veio a inspiração para mais uma parada rápida em nosso jornal.
Já que eu caí de paraquedas na pescaria “da minha esposa”, e não podia sair de casa, comecei a lembrar de uma pescaria que participei quando o meu pai ainda era vivo, para Ilha cumprida.
- Que saudades do meu pai, mas não da pescaria...
Fomos convidados pelo meu tio para irmos a uma pescaria em Ilha Comprida, e que nesta pescaria estaria somente pessoas de chefia que trabalhavam na Volkswagen e que nós tínhamos o compromisso de só comer o que pescássemos... Nossa, neste momento não sei por que, mas senti um arrepio daqueles que até dói os pelos do braço quando f**am eriçados... Relevei tal situação e de pronto meu pai aceitou o convite. Tudo bem que a vontade é que ele fosse sozinho, mas já sabendo que nessas pescarias a cachaça rola solta, decidi acompanhar e garantir a integridade física e mental do grupo, visto que na época, meu prejuízo maior era com a coca- cola.
Eram doze pessoas em uma Kombi velha, eu disse doze mesmo, para uma jornada de mais de 240 quilômetros do mais puro desespero.
Nesta altura do campeonato, eu já estava para o que der e vier, porque a saída do pessoal seria às três da manhã de uma sexta-feira de feriado. Não preciso nem informar que doze homens, sem tomar banho, em uma komboza mais velha que eu na madrugada e eu no mais puro jejum daria fatalmente em algo inesperado, ou talvez algo já esperado...
Saímos em direção a tal pescaria nos conhecendo uns aos outros, e eu reparava discretamente que o café da manhã daquele pessoal era regado de velho barreiro, tatuzinho (velha cachada dos anos 70), e uma bandeja enorme de torresmo “bemmmmmm” gorduroso.
Claro que em Iguape fomos obrigados a efetuar a primeira parada, nem sei informar se era por conta da balsa ou se era por conta do efeito catastrófico que essa mistura doentia causaria nos virtuosos pescadores. Mas como a turma começou a sair da Kombi sem destino e foi neste momento que eu “vi a viola em caco”.
Alguns saiam para a esquerda, outros saiam para a direita e outro eu sei lá. Só sei que meu pai, que já estava daquele jeito, estava dormindo feito um anjinho, acho, só sei que a Kombi se aproximava da balsa, que continha uma fila quilométrica, e seus passageiros não estavam nem por perto para o momento da travessia.
Instalado o desespero quando fomos informados que na próxima viagem seria a nossa travessia, e somente eu, o motorista e meu pai estávamos a bordo da Kombi. Descobri ali, que eu deveria comprar as passagens de volta para São Paulo sem dar maiores satisfações, mas vendo o estado em que meu pai se encontrava, decidi permanecer na maravilhosa pescaria e efetuar diligências na cidade para tentar resgatar os pescadores da minha funesta pescaria.
Quero informar meus leitores que eu achei nossos pescadores, mas eu prefiro não divulgar onde eles estavam, deixo isso para a criatividade de vocês.
Com muito custo, consegui coloca-los na Kombi, mesmo com a maioria deles sem saber sequer onde estavam, ou até pensando que já estavam em ilha comprida. Mas o pior ainda estava por vir, quando atravessamos a balsa e fomos informados pelo meu tio que ele estava perdido. A confusão instaurou-se quando o gerente da ferramentaria em brados falou...
Epa; passei dos limites da minha permissão de escrita, o que o gerente da ferramentaria falou, f**a para a próxima edição do nosso CONTATO. Calma, história de pescador demora mais acaba. Não vejo a hora do nosso próximo encontro.
Por Ivan Christo
Publicada no informativo ComTato da Loja Atrium, edição 7.