06/06/2026
O Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta chegou à sua 17ª edição, mostrando uma vez mais a sua longevidade e capacidade de renovação. Na verdade, após tantos anos, é impressionante a capacidade do evento de se reinventar e permanecer relevante, mesmo com tantas transformações ocorrendo no mundo, no país e, principalmente, na comunidade ao qual pertence. Uma vez mais, o evento se mostrou um local de integração e interação, de harmonia e comunhão, de amizade e irmandade, de risos e choros, de celebração e devoção, de partilha e introspecção, de conhecimento e Inspiração. Como sempre foi, aliás.
Organizado desta vez pela Diretoria do Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico, o evento ocorreu na Casa da Coruja, em Indaiatuba, São Paulo. E podemos dizer sem medo de errar: é um dos lugares mais lindos que já sediou o evento (que é conhecido por ocorrer em lugares maravilhosos). Com belíssimas casas de acomodação, muita área verde, rochas e um lago próximo, era impossível não se sentir em casa com tamanho conforto. A organização foi impecável em cada aspecto. Acomodações, conforto, alimentação, orientações, disposição dos espaços. Era difícil não elevar as expectativas para o evento.
E, como citado anteriormente, o EBDRC mostrou que é um evento que não tem problema em se reinventar. A edição deste ano priorizou atividades vivenciais e workshops em sua programação, para que o evento fosse mais do que uma troca de saberes, mas um retiro de imersão nas diferentes faces da Espiritualidade Céltica/Druídica. Assim, tivemos atividades profundamente meditativas (como o Acessar dos Mistérios de Nábia, de Karla Arakantobuna; o Festim de Moytura, com Fah Kreddriwidâ; e o Tear da Soberania, com Alyne Atanoklerkâ), práticas espirituais (como os Nove Selos, de Endovelicon), magia sendo posta na prática (com a Cozinha Mágica, de Vanessa Yekkawedã) e partilha de conhecimentos (com o Galope do Tempo, com o Druida Yann Mackenzie; e a oficina de Tingimento de Tecidos na Idade do Ferro, com a Bardisa Elaine), tudo isso culminando na belíssima Roda Bárdica (coordenada por Klaus Senolabaros), que certamente ecoou nos dois mundos, com a força de todos cantando e dançando juntos, em comunhão.
Também merece citação o I Encontro de Lideranças Druídicas, onde lideranças do Druidismo (não apenas parte do CBDRC) conversaram sobre os rumos do Druidismo no Brasil e ações futuras que podem ser tomadas. Esta parte do evento também contou com uma homenagem ao Druida Ingo Jordan, do Caer Ynis, que nos deixou esse ano. Além disso, também tivemos as atividades tradicionais, como o Mercado Celta, as Cerimônias de Abertura e Encerramento e a criação do Moledro. O evento contou até mesmo com uma cerimônia de Samhain espontânea, à beira da fogueira, onde canções foram entoadas e Ancestrais foram lembrados e reverenciados. E não podemos esquecer daquele que é um dos momentos mais importantes de cada edição do evento: a Assembleia da Fogueira, onde discutimos assuntos relevantes da comunidade druídica e sobre quem sediará o evento no próximo ano. Tudo correu de forma amigável e pacífica, e foi com grande satisfação que o grupo Kėr Hent Karantez, descendente de uma das linhagens druídicas mais antigas do país, aceitou organizar a próxima edição.
(tradicionalmente, a prioridade é que o evento, com seu caráter itinerante, varie entre os estados a cada ano; contudo, frente à possibilidade do evento se tornar bienal, a Assembleia da Fogueira decidiu, por aclamação e decisão soberana, aceitar a candidatura do grupo do interior de São Paulo, algo que foi recebido com muita empolgação pelos presentes)
No final, a 17ª edição do EBDRC ficou marcada pelo clima de confraternização e troca entre os presentes, de comunhão e camaradagem, de paz e acolhimento. Foi uma edição de transição (pois o evento está sempre em transformação), abraçando um novo formato, mas mantendo o mesmo espírito: congregar as diferentes vertentes druídicas do Brasil em amizade e paz. E todos os seus objetivos foram atingidos, não apenas pelos (incríveis) facilitadores, mas também pelo trabalho impecável da organização (que merece aplausos). Que sempre haja uma chama ao redor do qual possamos comungar, celebrar e cantar. Pois esta foi a tônica desta edição.
"É momento das raízes beberem e crescerem.
É momento das raízes crescerem e se entrelaçarem.
Não é momento de dispersão."