19/02/2020
O QUE ACONTECEU COM O “ABACATEIRO”?! O QUE ACONTECEU COM ESSE PATRIMÔNIO DO ESPIRITISMO, NO BRASIL E NO MUNDO?!...
Por ter sido autor do livro “Chico Xavier, à Sombra do Abacateiro”, publicado em 1986, portanto há mais de trinta anos, pela “IDEAL” – SP, e, principalmente, por ser espírita há mais de meio século, e, ainda, por residir em Uberaba, a cidade que, a partir de 1959, Chico escolheu para morar, julgo-me no direito de perguntar a quem de direito responder:
- O QUE ACONTECEU COM O “ABACATEIRO”? O QUE ACONTECEU COM ESSE PATRIMÔNIO DO ESPIRITISMO, NO BRASIL E NO MUNDO?!...
O “Abacateiro”, para quem não sabe, é um local que existia (sic), dando frente para uma avenida e uma rua – a Avenida João XXIII e a rua Tangará –, defronte à chamada “Mata do Carrinho”, onde, durante mais de 20 anos, todos os sábados à tarde, a partir das 14 horas, Chico realizava um Culto do Evangelho ao ar livre, em plena Natureza.
O “Abacateiro” foi o lugar que, na véspera de desencarnar – exatamente um dia antes de seu desenlace –, Chico, com muita dificuldade, pediu para que os amigos o levassem, porque, pela última vez, ele queria estar com o seu “povo” – ele desencarnou no dia 30 de junho de 2002, e a sua visita ao “Abacateiro” aconteceu no dia 29 – onde, naquele sábado a tarde, com “O Evangelho Segundo o Espiritismo” nas mãos, e lágrimas nos olhos, ele se demorou por algum tempo.
Pois bem. Infelizmente, o “Abacateiro”, depois de ter sido descaracterizado em sua simplicidade original, encerrou as suas atividades doutrinárias e assistenciais – durante meses e meses, quem passasse pela avenida ou pela rua, poderia, estarrecido, ler a placa de “vende-se”, e posteriormente de “aluga-se”...
Ora, o que aconteceu?! O que acontece?! Alguma dificuldade econômica para manter o “Abacateiro”, que, então, era um ponto de visita de espíritas do Brasil inteiro, recebendo caravanas e caravanas?!...
Em Sacramento, os espíritas tiveram o cuidado de preservar, na Chácara “Triângulo”, o quartinho de “tio” Eurípedes” – Eurípedes Barsanulfo –, sem nos referirmos ao histórico Colégio “Allan Kardec”, fundado por ele, que até hoje é visitado por confrades de toda parte do país.
Em Santa Maria, onde viveu Mariano da Cunha, o “tio” Sinhô, o Centro Espírita “Fé e Amor”, patrimônio histórico da Doutrina, felizmente, está preservado, e funcionando com reuniões semanais – até a mesinha tripé (girante) utilizado pelo “tio” Sinhô está lá, intacta.
E, Brasil afora, poderíamos citar inúmeros exemplos de esforço pela preservação do patrimônio de n Instituições, que fizeram e fazem a História do Espiritismo.
Não saímos, tantas vezes, de nosso país para visitar o dólmen de Allan Kardec, em Paris, na França, que, sem dúvida, continua sendo o que mais divulga a mensagem da Terceira Revelação?! – sim, porque o túmulo de Kardec, e de Amèlie Boudet, sua esposa, continua fazendo pelo Espiritismo, na Europa, o que todos os Centros Espíritas existentes por lá não conseguem fazer, e nem os oradores e médiuns que daqui se abalam para irem até lá, no labor da difusão.
Mas... O que aconteceu com o “Abacateiro”?! Está lacrado! Fechado! Foi alugado?! Vendido?! Está venda?! Será que nenhum espírita bem aquinhoado não se interessaria, se for o caso, em comprá-lo?! De quem é o “Abacateiro”?! Do “Grupo Espírita da Prece”?! De alguém em particular?! Qual é o preço?! Eu me recordo que o terreno onde o “Abacateiro” funcionava havia sido doado, ou cedido, a Chico Xavier pela viúva do Sr. Mário de Almeida Franco, um dos pioneiros do gado Zebu, em Uberaba, do qual Chico foi amigo.
Sei, por exemplo, que o confrade Geraldo Lemos Neto, um dos mecenas do Espiritismo no Brasil, adquiriu, em Pedro Leopoldo, a casa em que Chico morava – ele a comprou, reformou sem descaracterizá-la e entregou-a ao patrimônio espírita da cidade, que foi terra natal do Médium! A casa de Chico, em Pedro Leopoldo, estava, simplesmente, para ser adquirida por outro empresário que a jogaria ao chão – a “Casa de Chico Xavier” hoje, em Pedro Leopoldo, é um dos pontos turísticos mais visitados do Espiritismo no Brasil.
Creio que a palavra deve estar com os senhores diretores do “Grupo Espírita da Prece”, e, talvez, com os seus frequentadores – muitos deles integrantes da Aliança Municipal Espírita de Uberaba – AME –, para que teçam esclarecimentos a respeito – todos esperamos ávidos por isso, e, com certeza, dispostos a cooperar para que o “Abacateiro”, essa página histórica de relevante importância para a Doutrina, simplesmente não desapareça sem ninguém dizer um a.
De nossa parte, não podemos silenciar, de vez que, como autor do livro já citado, hoje na sua 6ª edição, temos sido questionados por espíritas do Brasil inteiro, e do Exterior também: - O QUE ACONTECEU COM O “ABACATEIRO”?! Os espíritas querem saber, e ficaremos, às gerações futuras, devendo essa resposta. Ou não?!...
E tem mais: o “Abacateiro” não deve interessar apenas aos espíritas, mas à cidade de Uberaba, que continua tendo em Chico Xavier o seu maior e mais ilustre divulgador – o nome de Chico, em Uberaba, está ligado inclusive ao gado Zebu, que é uma das maiores riquezas da cidade!...
Quem sabe a própria Prefeitura Municipal se interessasse pelo “Abacateiro”, para que esse lindo pé de abacates, que Chico fez replantar num terreno baldio – que passou a ser o Segundo “Abacateiro”, e o mais famoso – continue produzindo os seus importantes frutos para a história da cidade que agora está completando 200 anos!...
Carlos A. Baccelli (*)
(*) Autor do livro “Chico Xavier, à Sombra do Abacateiro”, que, sem dúvida, está a merecer um acréscimo contando a história desse trabalho maravilhoso.)
Uberaba – MG, 18 de fevereiro de 2020.