25/09/2019
O SIGNIFICADO DAS CADEIRAS PARA AS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA
"O trono ou a cadeira do Sacerdote (que se funde com a cadeira de seu Orixá), é símbolo máximo de poder no Candomblé. Mais que isso, símbolo sagrado, diante do qual os filhos se prostram, em cumprimento e respeito. Um Pai ou Mãe-de-santo, quando é confirmado no cargo, é sentado na cadeira, como os reis e rainhas.
A cadeira é o trono do terreiro, de onde a Mãe ou o Pai-de-santo governa com poderes absolutos. Depois da cadeira da Yalorixá, existem as cadeiras dos Oloiês, os Egbomis (iniciado seniores) que têm cargo no terreiro. A confirmação de qualquer um desses cargos se faz numa cerimônia pública em que o novo Oloiê é sentado em sua cadeira, sob aplausos dos presentes. Assim, sentam-se os Ogãs, as Ekedis e outras autoridades.
É frequente, no caso de cargos de não-rodantes, o novo dono de cadeira ser conduzido à esta pelo Orixá (incorporado em transe) a quem ele deve servir. Quando alguém vai ser confirmado num cargo, faz parte do enxoval (isto não é algo aderido por todas as casas de candomblé), uma cadeira, na qual terá o direito de sempre se sentar no barracão.
Não é incomum ganhar a cadeira de presente de amigos e irmãos-de-santo.
A cadeira de cada um, é individual em tudo, de modo que nos terreiros pode coexistir uma profusão de cadeiras de todas as formas, materiais e acabamentos. Como o espaço do Barracão é essencial para as danças, muitos terreiros preferem recolher as cadeiras de cargo e manter apenas algumas delas, para que os Egbomis possam se sentar.
Somente a Mãe-de-santo e seus auxiliares de grau sênior têm cadeira e podem se sentar. Os yawós (juniores) e os abiãs (aspirantes), sentam-se no chão ou em esteiras. Sentar-se em cadeira é sinal de hierarquia, alta dignidade, obrigações cumpridas.
Os Orixás de Egbomis também se sentam em cadeiras, mas os Orixás dos que estão nos pontos iniciais da carreira sacerdotal sentam-se em banquinhos. A cadeira marca a diferença de tempo de iniciação, de tempo de santo, tanto para os humanos quanto para os deuses.
Esse costume vem da África, onde somente os reis e membros da alta corte podiam se sentar em cadeiras e bancos. O assento do rei deveria ser mais alto do que os dos demais, como se observa até hoje no Candomblé. Mas seu uso é mais generalizado, podendo ser observado como prática que vai desde os povos mais antigos até, instituições do mundo ocidental moderno.
O professor da antiga Universidade dispunha de sua cadeira, sua cátedra, em latim, daí o nome de professor catedrático, o dono da cátedra. Da cátedra ele ditava sua sabedoria, daí se dizer que “falava de cátedra, de cadeira". Até hoje se conserva esse costume com relação ao Papa: diz-se que o Papa fala de cátedra, da cátedra de São Pedro, e portanto o que ele diz e escreve é verdade que não pode ser contestada.
Falar de cátedra, significa falar com todo o poder do conhecimento, conhecimento conferido pelo estudo, pela antiguidade ou por força do mundo sobrenatural. Como o Papa, os Bispos também se sentam em cadeiras. A Catedral, é a Igreja em que se localiza a cadeira do Bispo, o Trono Episcopal. É dali, que o Bispo dirige sua Diocese.
Além de roupas especiais, como túnicas, capas, togas, etc.; Reis e Rainhas, Bispos, inclusive o Papa (que é o Bispo de Roma), Pais e Mães-de-santo usam muitos emblemas do seu poder: a cadeira ou trono em que se senta; coroas, mitras e adês com que cobrem a cabeça; cetros, báculos e opás, que levam nas mãos. Objetos carregados de tradição, simbologia e força mágica. Até a reforma universitária, nas décadas de 1960 e 1970, os professores catedráticos também usavam na cabeça o capelo, símbolo dos doutores. Mas a cadeira ou trono, é o símbolo máximo, pois marca o lugar de onde fala a autoridade, o ponto mais alto da assembléia, o centro do universo, o lugar do poder e da autoridade religiosa.
Com a morte desses donos do poder, abre-se a disputa pela cadeira, o cargo deve ser preenchido. Cada instituição tem seu modo próprio de fazer a sucessão. No Candomblé, diz-se que quem escolhe o novo chefe do terreiro é o Orixá dono da casa, mas há diversas tradições, inclusive entre os terreiros mais antigos. Com a cadeira principal vaga, abre-se quase sempre uma guerra sucessória.
Na sucessão, é importante o critério de senioridade dos candidatos, seu grau iniciático, seu nível de conhecimento sacerdotal. Mas isso não é suficiente.
O resultado da escolha depende da tradição sucessória da casa, do jogo político das facções, de pessoas e grupos que pleiteiam o trono da Yalorixá, da situação jurídica do terreiro, da sucessão civil sobre o espólio material, isto é, a propriedade imobiliária do terreiro, da posição assumida por possíveis herdeiros legais, que podem fazer parte ou não do grupo de culto etc.
Em geral, as casas não sobrevivem ao seu fundador, exceto em meia dúzia de casos, em que vários fatores confluíram no sentido de manter uma tradição publicamente atribuída e reconhecida pelo mundo fora do terreiro, como a mídia e a academia. Mas sempre haverá discordâncias, atritos, rupturas e
provável formação de novas casas pelos dissidentes que se afastam.
Tem sido assim desde que o Candomblé é Candomblé. Em alguns terreiros, a sucessão se faz preferencialmente em linha familiar de sangue, geralmente de mulher para mulher. Em outros, a nova Mãe ou novo Pai-de-santo é escolhido entre membros da alta hierarquia da casa, independente de laços de sangue.
Escolhido o sucessor ou sucessora que guiará os destinos do terreiro, deve-se providenciar imediatamente, uma cadeira nova em que se sentará o novo titular do posto mais alto da casa.
A cadeira do falecido será guardada em ambiente sagrado para reverências eventuais, ou recolhida ao museu da casa, onde poderá ser apreciada pelos curiosos e interessados, como ocorre no Axé Opô Afonjá de Salvador e em outras casas tradicionais. Rei morto, rei posto. Uma nova cadeira será o centro do novo poder."
Fonte:
Júlio Braga e Reginaldo Prandi.
👇
TRONO
A maior autoridade da casa tem seu TRONO sagrado ao centro do barracão podendo ser rodiada por auxiliares de alta hierarquia e confiança.
E por sua vez filhos que concluem com dignidade seus direitos ao completar sete anos com obrigação arriada como egbomis e Ogan, Axogun, Ekedi iniciados tb tem direito a ter sua cadeira.
Alguns em especial acabam ganhando um posto ou cargo tem o dever de ter sua cadeira QUE REPRESENTA SEU ORIXA.
Respeitar a cadeira individual é respeitar o Orixa à quem ela pertence.
Sem dizer que materialmente humanamente falando é fácil nos dias difíceis de hoje não comprar uma cadeira se temos a do irmão pra sentar.
É correto?
Não, não é correto.
Mesmo pq a cadeira sagrada antes de pertencer ao irmão, ela pertence ao orixa do irmão.
Então respeitar e NÃO sentar na cadeira do irmão é um dever sagrado de educação;
a final quem tem sua cadeira sabe a dificuldade que teve de comprar;e
a ansiosa espera dos sete anos de poder ter o direito de tê-la
Com a emoção de poder sentar no trono de seu Orixa.
Imagem Associação Beneficente Cacique Pena Branca Ile axé Efon Orun Aye Oya Igabe SP
Babalorixa Akajaprikun Ronaldo Ribeiro de Osala nação Efan .
Mojuba Awure🕊